Em destaque: Lula sofre pressão por reforma do STF após decisões de Alexandre de Moraes
Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (29) pela Bloomberg, integrantes do entorno político do presidente e pessoas […]

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Consulte formatos e valores disponíveisLogo compartilhamento facebook Logo compartilhamento linkedin Logo compartilhamento whatsapp Logo compartilhamento telegram Logo Compartilhar E-mail O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta pressões para apoiar mudanças na estrutura e no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à repercussão das decisões do ministro Alexandre de Moraes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (29) pela Bloomberg, integrantes do entorno político do presidente e pessoas próximas ao Supremo demonstraram preocupação com os efeitos institucionais das medidas adotadas pelo magistrado após o segundo turno das eleições presidenciais.
O desconforto ocorre em um momento no qual Lula, reeleito para um novo mandato, busca reduzir a polarização política e estabelecer condições para o diálogo com diferentes setores da sociedade.
Entre as propostas discutidas estão a criação de mandatos com duração determinada para ministros do STF, mudanças nos critérios de indicação e uma possível revisão das competências da Corte.
A controvérsia ganhou força após Alexandre de Moraes determinar que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes, poucos dias depois da derrota do senador na eleição presidencial.
A decisão foi fundamentada no risco de fuga do país diante do avanço de investigações criminais envolvendo o parlamentar.
De acordo com a Bloomberg, que ouviu dez pessoas próximas ao governo Lula e ao Supremo, a medida provocou insatisfação entre integrantes desses grupos.
Alguns interlocutores avaliaram que o momento escolhido para a decisão acabou favorecendo o discurso político de Flávio, que passou a se apresentar como alvo de perseguição judicial.
A reportagem ressalta que as avaliações foram feitas por pessoas familiarizadas com as discussões internas.
Os gabinetes de Lula e Alexandre de Moraes não responderam aos pedidos de manifestação encaminhados pela publicação.
A atuação de Alexandre de Moraes ganhou protagonismo durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente em processos relacionados a ataques às instituições democráticas.
Naquele período, decisões do ministro foram defendidas por setores que consideravam necessária uma resposta institucional às ameaças contra o sistema eleitoral.
Entretanto, segundo a reportagem, parte dos aliados de Lula passou a demonstrar preocupação com o desgaste provocado por determinadas medidas judiciais.
A avaliação de alguns interlocutores é que o governo deveria estabelecer uma separação política mais clara em relação às controvérsias envolvendo integrantes do STF.
O debate também ocorre em meio à repercussão de questionamentos sobre relações entre autoridades e o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Essas discussões ampliaram a pressão por medidas que reforcem a transparência e a confiança pública nas instituições.
Durante a campanha presidencial, Lula manifestou disposição para discutir mudanças no Judiciário, incluindo a possibilidade de estabelecer mandatos com prazo determinado para ministros do Supremo.
Atualmente, os integrantes da Corte permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos.
Entre as alternativas defendidas por interlocutores do governo estão mandatos com duração de nove a 15 anos.
Outra possibilidade envolve a revisão dos critérios de idade para indicação de novos ministros.
Também há propostas para limitar a atuação do Supremo em determinadas matérias, reduzindo o volume de questões que chegam ao tribunal.
Nenhuma dessas alternativas, entretanto, foi apresentada como uma reforma oficialmente definida pelo governo federal.
A composição do Senado a partir de 2027 representa outro fator relevante para o debate.
O Partido Liberal conquistou 29 das 81 cadeiras da Casa, segundo os dados apresentados pela Bloomberg.
Levantamento citado pela reportagem indica que pelo menos 49 senadores manifestaram algum grau de apoio à possibilidade de impeachment de ministros do STF.
Para a destituição de um integrante da Corte, são necessários 54 votos favoráveis no Senado.
Embora o número de parlamentares identificados pelo levantamento seja inferior ao exigido para uma eventual condenação, ele demonstra a dimensão da pressão política sobre o tribunal.
Alexandre de Moraes permanece entre os principais alvos de críticas de integrantes do campo bolsonarista.
Uma reforma que modifique o tempo de permanência dos ministros ou altere aspectos estruturais do STF dependerá de mudanças constitucionais.
Para aprovar uma proposta de emenda à Constituição, são necessários votos favoráveis de três quintos dos parlamentares, em dois turnos de votação, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado.
Isso significa obter pelo menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado em cada turno.
A exigência torna o processo complexo e depende de negociações entre diferentes partidos.
Além disso, eventuais mudanças precisam respeitar as garantias constitucionais relacionadas à independência do Judiciário e à separação dos Poderes.
A discussão sobre o futuro do Supremo coloca o presidente diante de um desafio político.
De um lado, há pressão por alterações capazes de reduzir conflitos institucionais e estabelecer novas regras para a atuação dos ministros.
De outro, uma reforma conduzida em meio a disputas envolvendo decisões judiciais específicas pode aprofundar tensões entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
O governo também precisa considerar que mudanças estruturais no STF exigem apoio parlamentar expressivo e podem provocar novos questionamentos jurídicos.
Até o momento, não há uma proposta definitiva anunciada pelo Palácio do Planalto.
A expectativa é que o debate sobre o funcionamento do Supremo ganhe espaço na agenda política do próximo mandato presidencial.
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