Em destaque: Ibovespa tem último pregão antes do 2º turno; é hora de comprar ou vender ações?
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Consulte formatos e valores disponíveisIbovespa tem último pregão antes do 2º turno; é hora de comprar ou vender ações? Pesquisas mais acirradas sobre a disputa pela Presidência da República aumentam a incerteza sobre o rumo dos ativos Rali eleitoral: o Ibovespa acumulou uma valorização de mais de 9% em outubro até o pregão desta quinta-feira, 22, o que elevou os ganhos no ano a 26,68% (Renato Pizzutto/Band/Montagem EXAME/Divulgação)
Publicado em 23 de outubro de 2026 às 06h54 .
Priorizar nos meus resultados Google Em meio ao chamado "rali eleitoral", o Ibovespa acumulou uma valorização de 9,54% em outubro até o pregão desta quinta-feira, 22, o que elevou os ganhos no ano a 26,68%. Mas a dois dias do 2° turno da eleição, o principal índice acionário da Bolsa brasileira enfrenta um novo teste com a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, nos últimos dias, voltou a mostrar competitividade nas pesquisas, colocando em dúvida a continuidade da alta dos ativos domésticos antes da votação neste domingo, 25.
A mudança de percepção já aparece no comportamento do mercado. Nos pregões de 13 a 15 de outubro, o Ibovespa acumulou três quedas seguidas. A referência acionária chegou a subir no pregão do dia seguinte, 16, mas voltou a cair na última segunda, 19.
No dia seguinte, contudo, o índice subiu forte, 1,57%, com o tracking da Gerp Mercadologia, divulgado pelo Times Brasil , da CNBC , mostrando o senador com 53% dos votos válidos, contra 47% do atual presidente. Mas o Ibovespa não se manteve e caiu mais 0,86%, na quarta, 21, e fechou em forte queda de mais de 1% nesta quinta, ampliando a pressão sobre os investidores às vésperas do segundo turno.
O movimento contrasta com o desempenho registrado no início do mês. Na segunda-feira, 5, primeiro pregão após o primeiro turno, o Ibovespa disparou 7,70%, aos 206.911,89 pontos, na maior alta diária desde março de 2020, e renovou os recordes de máxima intradia e de fechamento. O dólar, por sua vez, caiu 4,12%, para R$ 5,001, na maior baixa diária desde junho de 2018.
O resultado eleitoral surpreendeu o mercado porque Flávio terminou a primeira etapa da disputa à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do atual presidente. A diferença contrariou as pesquisas e reforçou, entre investidores, a percepção de que uma mudança de governo poderia abrir espaço para uma política fiscal mais favorável, com efeitos sobre os juros, o câmbio e a precificação das ações.
Desde então, porém, as pesquisas mais recentes passaram a apontar uma disputa mais apertada. Com a redução da vantagem que parte do mercado atribuía ao senador, os investidores voltaram a questionar quanto da expectativa de mudança política já foi incorporado aos preços e quanto espaço ainda existe para uma nova rodada de valorização.
Para Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, a decisão sobre comprar ou vender ações antes da votação depende, sobretudo, da expectativa do investidor para o resultado eleitoral . Na avaliação de Sant'Anna, o mercado brasileiro está fortemente condicionado à possibilidade de alternância de poder em 2027.
“Se eu tivesse que te responder hoje, nesse exato momento, a Bolsa está projetando uma alternância de poder para 2027”, afirma.
Segundo o especialista, foi essa expectativa que ajudou a impulsionar os ativos depois do primeiro turno. A dianteira de Flávio foi interpretada como um sinal de maior probabilidade de mudança na condução da política econômica, o que favoreceu a bolsa doméstica e pressionou o dólar. O movimento recente de realização, por outro lado, reflete a melhora do desempenho de Lula nas pesquisas e a perda de parte da vantagem que o senador havia conquistado.
“Aquela gordura que ele tinha criado do primeiro turno, as pesquisas parecem ter desidratado um pouquinho e isso pressiona o mercado”, diz.
Nesse cenário, o especialista avalia que o comportamento dos ativos após a votação dependerá de quanto o resultado confirmar ou contrariar as expectativas atuais.
Se Flávio vencer, a tendência, na leitura de Sant'Anna, seria de continuidade da reação positiva observada após o primeiro turno, embora não necessariamente na mesma magnitude. Para quem acredita nesse cenário, ele vê a possibilidade de manter posições em bons ativos ou utilizar derivativos para buscar ganhos com uma eventual alta.
Se Lula vencer, o especialista considera natural uma reação inicial negativa da Bolsa, acompanhada de valorização do dólar. A referência é o movimento inverso observado depois da primeira votação, quando a surpresa favorável a Flávio provocou uma disparada do índice e uma queda expressiva da moeda americana.
“Se o presidente Lula ganhar a eleição, virar esse jogo, o natural seria um movimento de queda no início”, afirma. “Uma abertura com bolsa em queda e com dólar em alta, porque é exatamente o contrário do que aconteceu no caso do Flávio”.
Para Paula Sauer, economista, planejadora financeira CFP e professora de Economia da ESPM, a alta de outubro precisa ser analisada em conjunto com a especulação do capital estrangeiro e o cenário internacional.
Na avaliação da especialista que tem mais de 20 anos no mercado financeiro foco em comportamento financeiro, risco, incerteza e racionalidade limitada, o mercado já incorporou parte das expectativas eleitorais aos preços, mas não é possível calcular com precisão qual parcela do resultado está precificada.
“A reação da Bolsa após o primeiro turno foi expressiva, com renovação de recordes e entrada de recursos estrangeiros. Esse movimento refletiu, entre outros fatores, a expectativa de mudanças na condução da política fiscal e seus possíveis efeitos sobre juros, câmbio e atividade econômica”, afirma.
A economista pondera qu e a disputa mais apertada mantém espaço para mudanças nas expectativas . Se o resultado confirmar o cenário esperado por parte do mercado, a reação poderá ser limitada ou até vir acompanhada de realização de lucros, caso muitos investidores já tenham comprado ações apostando nesse desfecho. Se houver uma surpresa, a resposta dos ativos poderá ser mais intensa, tanto positiva quanto negativamente.
“Depois de um outubro com altas tão expressivas relacionadas ao processo eleitoral, mas também à especulação do capital estrangeiro e ao cenário internacional, a Bolsa já está precificada. Muitos vão agora realizar lucros e comprar moeda estrangeira para se proteger das oscilações de curto prazo”, diz Sauer. “Veja bem, não estou afirmando aqui que a Bolsa vai cair, mas que, nessa conjuntura econômica, tudo pode acontecer”.
A professora também chama a atenção para os fatores externos que podem influenciar os ativos brasileiros. Além da eleição doméstica, a guerra na Ucrânia afeta o abastecimento de alguns alimentos e insumos, enquanto o conflito no Golfo pressiona os combustíveis. O comportamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também acrescenta incerteza à cotação do dólar.
Historicamente, afirma Sauer, períodos eleitorais tornam o mercado mais vulnerável às mudanças de expectativa. A economista compara o comportamento da bolsa nessas fases ao de “um eletrocardiograma de um infartado”, em referência às oscilações frequentes e intensas.
Enquanto parte do mercado busca antecipar o resultado eleitoral, outra estratégia é reduzir o impacto de uma eventual mudança brusca nos preços sem necessariamente abandonar as posições em ações.
É a avaliação de Luis Castro da Fonseca, sócio-fundador da Nest Asset Management. Para o gestor, o momento não exige uma redução generalizada das posições, mas pode justificar a compra de proteção com parte dos ganhos acumulados ao longo do mês.
“Não acreditamos que seja o caso de reduzir posições, mas sim que faz sentido comprar proteção usando parte dos ganhos do mês até aqui”, afirma.
A estratégia procura preservar parte dos resultados obtidos com a valorização recente sem depender de uma saída completa da Bolsa. Fonseca também avalia que, caso o resultado eleitoral seja favorável às expectativas que impulsionaram o mercado, poderá haver um novo movimento de queda das taxas de juros e de desvalorização do dólar, embora em magnitude menor do que a observada após o primeiro turno.
A avaliação contrasta com a possibilidade de realizar lucros antes da votação , mas não necessariamente com a preocupação de proteger o patrimônio. Em vez de tentar acertar a direção do Ibovespa em um único pregão, a compra de proteção procura limitar o impacto de uma reação adversa sem abandonar a exposição aos ativos brasileiros.
“Só deve realizar lucros quem tem certeza que Lula vencerá e é investidor de curto prazo. Investidores de longo prazo não devem fazer nada, ou seja, devem manter as posições da carteira de investimentos independentemente de quem será o vitorioso no segundo turno”, afirma.
Na avaliação de Conde, investidores de longo prazo já ajustaram suas carteiras antes da eleição para reduzir a sensibilidade ao resultado. O head de renda variável argumenta que as eleições costumam afetar os preços dos ativos por alguns meses, e não necessariamente alterar a tendência de longo prazo.
O especialista cita estudos sobre as eleições presidenciais brasileiras desde 1994, ano em que Fernando Henrique Cardoso (FHC) foi eleito, segundo os quais o impacto sobre os preços dos ativos tende a ser temporário. A exceção apontada por ele foi a reeleição de Dilma Rousseff (PT), em 2014, cujo efeito negativo sobre os preços teria se estendido por quase dois anos.
Para Sauer, a principal recomendação é manter uma carteira diversificada e evitar decisões impulsivas , tanto a compra motivada pelo medo de ficar de fora de uma alta quanto a venda generalizada diante do receio de uma derrota do candidato preferido pelo mercado.
“A melhor recomendação sempre será a diversificação de ativos e a compra pelo preço médio. Ou seja, não tem ‘o’ melhor dia para comprar, compre com constância, as ações cujo projeto, cuja empresa te faça sentido, e você gostaria de se tornar sócio por acreditar no potencial, no projeto, na entrega”, afirma.
A economista ressalta que comprar ou vender na sexta-feira, 23, não deveria ser uma decisão baseada exclusivamente na proximidade da eleição . Para quem investe pensando em vários anos, tentar prever o comportamento de um único pregão pode ser menos importante do que manter uma carteira compatível com os objetivos financeiros e o perfil de risco.
O mesmo vale para quem já obteve ganhos expressivos. Se a exposição à bolsa ultrapassou o nível planejado, um rebalanceamento parcial pode ajudar a controlar o risco sem exigir uma saída completa do mercado.
O investidor também precisa avaliar se consegue suportar uma eventual queda sem precisar vender os ativos em um momento desfavorável. A decisão de manter posições depende não apenas da expectativa sobre a eleição, mas da necessidade de liquidez, do horizonte de investimento e da capacidade financeira de absorver perdas temporárias.
Na abertura do mercado após a votação, Sauer recomenda acompanhar quatro fatores: a diferença entre o resultado eleitoral e as expectativas incorporadas aos preços; os sinais sobre gastos públicos, dívida e credibilidade da política econômica; o comportamento dos juros futuros e do câmbio; e as condições do mercado internacional, incluindo bolsas estrangeiras, juros americanos, petróleo e minério de ferro.
A primeira reação, pondera a economista, pode ser intensa sem necessariamente antecipar a tendência dos meses seguintes. O rumo mais duradouro dependerá das medidas econômicas efetivamente adotadas e dos efeitos sobre os resultados das empresas.
A dúvida sobre o espaço para novas altas também passa pelo quanto o mercado já antecipou do resultado eleitoral. Depois do primeiro turno, grandes bancos elevaram suas projeções para a bolsa brasileira, considerando a possibilidade de uma mudança de governo, maior disciplina fiscal e queda dos juros.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avalia que ainda existe espaço para valorização. Excluindo Petrobras e Vale, as ações brasileiras passaram a negociar a 11,1 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, cerca de 7% abaixo da média histórica, segundo análise do banco.
Em um cenário mais benigno, com queda dos juros longos e expansão dos múltiplos, o Ibovespa poderia chegar a aproximadamente 247 mil pontos . Em uma hipótese ainda mais favorável, o índice alcançaria 268 mil pontos.
Outras instituições também passaram a trabalhar com cenários de valorização relevante. O Morgan Stanley projetou a possibilidade de o Ibovespa se aproximar dos 250 mil pontos em um cenário otimista, enquanto o UBS GWM estimou potencial de alta superior a 30% nos próximos meses, caso o mercado passe a considerar mais provável um ajuste fiscal profundo e duradouro.
O JP Morgan, por sua vez, calcula que a reavaliação dos múltiplos poderia representar um potencial de alta de 22% para o MSCI Brasil e parte desse movimento pode ocorrer rapidamente.
As projeções, contudo, dependem de premissas. Para os bancos, a continuidade do rali exigiria não apenas uma definição eleitoral favorável às expectativas atuais, mas também sinais concretos de disciplina fiscal e de redução dos juros. O resultado das urnas pode desencadear uma reação inicial, mas a sustentação de uma alta mais duradoura dependerá da política econômica adotada pelo próximo governo.
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