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Em destaque: Hamilton reconhece que retorno da F1 à África não "significa ignorar o que está acontecendo lá"

Em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (22), véspera do GP dos Estados Unidos, o representante da Ferrari comemorou a notícia, mas ressaltou que o fa

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 23:00
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Em destaque: Hamilton reconhece que retorno da F1 à África não "significa ignorar o que está acontecendo lá"
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Novos desdobramentos indicam que lewis Hamilton, Lando Norris e Kimi Antonelli disputam o terceiro lugar no GP de Singapura Lewis Hamilton se manifestou sobre o retorno do continente africano ao calendário da Fórmula 1 após 37 anos.

O caso chamou atenção recentemente. Em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira (22), véspera do GP dos Estados Unidos, o representante da Ferrari comemorou a notícia, mas ressaltou que o fato do maior competição de automobilismo do mundo voltar à África não significa deixar de lado alguns problemas que o continente atravessa. — É claro que ir para lá não significa que você esteja negligenciando as coisas que estão acontecendo lá. Então, espero que muitas pessoas comecem a se informar um pouco mais sobre o que está acontecendo lá, sobre o que aconteceu lá ao longo de centenas de anos, e espero que isso dê início a uma conversa — disse Hamilton. Análise: só se fala de Antonelli, mas título nos EUA é missão complicada Bortoleto vê chances de melhorar após dificuldades na estreia em Austin Acesse o canal de automobilismo do ge no WhatsApp Lewis Hamilton no paddock do GP do Azerbaijão de F1 2026 Igor Ivanko/AFP O heptacampeão mundial afirmou que a África “merece ter um Grande Prêmio”. Na visão dele, a história do continente africano deveria ser incluída no currículo escolar do Reino Unido por entender que "muitos dos problemas que eles enfrentam lá ainda são resultado do colonialismo e da intervenção ocidental". Ele aproveitou ainda para pedir a "libertação" de alguns países do continente. — Acho que precisamos garantir que estamos lutando pela libertação do Congo, do Sudão, da Síria e da Palestina. Acho que há muita paz que espero que alcancemos em algum momento — afirmou. O que acontece na Ruanda hoje? A Ruanda foi marcada, em sua história recente, pelo genocídio que causou cerca de 800 mil mortes em apenas cem dias, em 1994. Extremistas da etnia hutu assassinaram membros da etnia tutsi, e opositores políticos; o massacre teve início após a queda do avião do então presidente Juvenal Habyarimana e o presidente do Burundi, Cyprien Ntaryamira. O grupo RPF, com apoio do exército de Ruanda, foi acusado de assassinar, também, civis hutus. O grupo tomou o poder; seis anos depois, seu líder Paul Kagame foi eleito presidente do país. Ele hoje segue em seu quarto mandato presidencial, vencido com 99% dos votos. Congoleses protestam pedindo sanções da União Europeia à Ruanda, em razão do apoio ao grupo rebelde M23 Dursun Aydemir/Anadolu via Getty Images Hoje, o país é acusado de diversas violações aos direitos humanos. Localizada na África Oriental, a Ruanda ainda é alvo de críticas por apoiar o grupo rebelde M23 em um conflito que já deixou três mil mortos e feriu outros milhares na República Democrática do Congo (RDC). A gestão do presidente Kagame é acusada, ainda, de reprimir opositores e ativistas, e cercear a liberdade de imprensa e de expressão no país. Entidades de defesa aos direitos humanos, como a Human Rights Watch, denunciam também prisões arbitrárias, tortura, desaparecimentos e até mortes de críticos e jornalistas. Além disso, o pais também é questionado por casos de discriminação contra a comunidade LGBTQ+. — Milhares de pessoas estão cercadas em Goma, com restrições de acesso à água, comida, segurança. Muitas vidas foram perdidas. Estupros, assassinatos e roubos perduram. O seu patrocínio é diretamente responsável por essa miséria — declarou Therese Kayikwamba Wagner, ministra de Relações Exteriores da República Democrática do Congo, em carta enviada ao Arsenal, Paris Saint-Germain e Bayern de Munique, clubes patrocinados por Ruanda. Protesto de congoleses contra o governo de Ruanda na frente da BBC, em Londres Getty Images Hamilton destacou que a África é uma potência em diferentes seguimentos. Por entender a força da região, o representante da Ferrari desejou que os países do continente africano se unam e somem forças. — Se você for lá e observar as pessoas, verá que muitos dos designs de marcas renomadas que existem hoje vêm da África, um continente com recursos riquíssimos. Eu realmente espero, e ainda tenho esperança, que a África se una. Sei que muitas pessoas não querem que isso aconteça, porque seriam muito poderosas se isso ocorresse, mas ainda tenho esperança de que, em algum momento, isso aconteça — disse Hamilton. Antonelli e Bortoleto elogiam chegada de Rafael Câmara na F1 Fórmula 1 retorna à África A Fórmula 1 confirmou em 13 de outubro um acordo de dez anos com Ruanda para a realização do Grande Prêmio da África. O anúncio marca o retorno da principal categoria do automobilismo mundial ao continente africano, ausente do calendário desde 1993. A previsão é que a prova estreie no início da próxima década, possivelmente em 2030 ou 2031. Local onde será construído circuito de Ruanda para o GP da África Jean Bizimana/Reuters O acordo prevê a construção de um circuito permanente em Bugesera, a cerca de 40 quilômetros de Kigali, capital do país. O ano exato da primeira corrida ainda não foi definido e dependerá do cronograma das obras. As informações foram publicadas pelo jornal espanhol AS após o anúncio oficial da categoria. O projeto do Rwanda International Circuit foi desenvolvido pelo ex-piloto de Fórmula 1 Alex Wurz, em colaboração com o escritório do engenheiro Hermann Tilke, conhecido por projetar diversos autódromos utilizados pela categoria. A proposta prevê um traçado com curvas de média e alta velocidade, inspirado em circuitos tradicionais do automobilismo. A última passagem da Fórmula 1 pelo continente africano ocorreu em 1993, com o Grande Prêmio da África do Sul, realizado no circuito de Kyalami. A prova terminou com a vitória do francês Alain Prost, então piloto da Williams. A África do Sul recebeu corridas válidas pelo Mundial em diferentes períodos entre 1962 e 1993, mas nenhuma etapa foi realizada no continente desde então. Nos últimos anos, a categoria avaliou possibilidades de retorno, incluindo projetos na própria África do Sul e no Marrocos.

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