Em destaque: EUA “ganharam” 1 milhão de barris de petróleo da Venezuela, diz Trump
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Consulte formatos e valores disponíveisO presidente Donald Trump fez um anúncio esta semana: a Venezuela presenteou os Estados Unidos com 1 milhão de barris de petróleo — e isso não custou um centavo sequer aos contribuintes americanos.
O anúncio feito na terça-feira (27) aparentemente surpreendeu uma parte importante do acordo: o produtor do petróleo venezuelano.
A NABEP (North American Blue Energy Partners), parceira do governo dos EUA em um grande investimento petrolífero na Venezuela, informou inicialmente, na terça-feira, que os Estados Unidos haviam comprado o 1 milhão de barris de petróleo, ainda que por um preço substancialmente reduzido.
Morre juiz dos EUA que era responsável pelo julgamento de Maduro e esposa Trump diz que Venezuela pode se tornar o 51º estado dos EUA Como Trump virou ponto que nem governo nem oposição da Venezuela confrontam Após Trump afirmar que o petróleo era gratuito, a NABEP alterou sua declaração para alinhar-se à versão do presidente: o petróleo chegaria a um porto no Texas sem qualquer custo para o contribuinte americano.
Ambas as afirmações eram tecnicamente precisas: a Venezuela está dando aos Estados Unidos um grande presente em petróleo.
O presente é ainda maior do que o 1 milhão de barris de petróleo “gratuito”.
Trump fez o anúncio da doação de petróleo a caminho de um comício político em Corpus Christi, no Texas, onde ele exibiria navios-tanque chegando ao porto com os primeiros frutos da parceria da NABEP na Venezuela.
“Assumimos o controle da Venezuela com muito sucesso, e eles me enviaram, como presente, um carregamento de um milhão de barris de petróleo; estou repassando isso aos Estados Unidos da América”, disse Trump a repórteres.
Não se tratava de uma figura de linguagem. O petróleo seria gratuito para os contribuintes americanos, escreveu Trump mais tarde em uma publicação na rede social Truth Social.
“Graças à nossa relação renovada com a Venezuela — que se revelou verdadeiramente excelente —, o petróleo está sendo fornecido aos Estados Unidos SEM custo algum para o contribuinte americano”, escreveu Trump.
Em um comício na noite de terça-feira, Trump afirmou que a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, em janeiro — que resultou na destituição do presidente Nicolás Maduro —, representou “a maior vitória petrolífera da história”.
“Estão vendo aquele naviozinho ali? Ele traz 1 milhão de barris de petróleo da Venezuela, e nós estamos comemorando”, disse Trump. “Ao vencedor pertencem os espólios, não é?”
Em um acordo firmado em agosto, que a Casa Branca classificou como o “maior negócio de petróleo da história mundial”, o Pentágono adquiriu uma participação acionária na empresa proprietária da NABEP, a segunda maior produtora privada de petróleo na Venezuela.
A proprietária da NABEP é controlada pela família de Alejandro Betancourt López, um controverso empresário internacional radicado no Reino Unido.
Como parte do acordo, o Departamento de Estado dos EUA tem o direito de comprar os primeiros 20% do petróleo venezuelano produzido pela NABEP ao preço de US$ 30 (cerca de R$ 160) por barril — o custo de produção.
Esse valor é significativamente inferior ao preço que o produto poderia alcançar no mercado aberto.
A NABEP anunciou na terça-feira (27) que a primeira remessa decorrente de sua parceria com o governo dos EUA chegaria a Corpus Christi em dois navios-tanque.
“A carga faz parte do direito do governo dos EUA de adquirir 20% da produção da NABEP a preço de custo, sem margem de lucro — uma disposição prevista no acordo firmado em agosto pela empresa com os Departamentos de Estado e de Guerra dos EUA”, informou a NABEP em um comunicado.
Mais tarde naquele dia, a NABEP atualizou seu comunicado.
“Para reconhecer a natureza histórica do acordo entre a NABEP e seu novo comprador principal, o governo dos Estados Unidos, a NABEP entregou o primeiro milhão de barris de petróleo sem custo algum para o contribuinte norte-americano”, acrescentou a empresa em seu comunicado à imprensa retificado.
A NABEP concordou em entregar o 1 milhão de barris de petróleo sem custo inicial.
A empresa compensaria isso cobrando do governo um valor mais alto pelo petróleo nas entregas subsequentes.
“A carga está sendo entregue em conformidade com um acordo comercial, segundo o qual o seu valor é quitado por meio de ajustes nos preços de futuras retiradas, em vez de um pagamento em dinheiro feito de imediato”, afirmou uma pessoa a par dos termos da transação.
Em outras palavras, o primeiro milhão de barris foi vendido aos Estados Unidos por US$ 0 o barril.
A empresa recuperará esses custos por meio de pagamentos diferidos.
Por exemplo, o milhão de barris seguinte poderia ser vendido aos Estados Unidos por US$ 60 (aproximadamente R$ 321) o barril.
Essas remessas resultariam em uma média de US$ 30 por barril.
Um porta-voz da Casa Branca reconheceu que apenas a primeira remessa proveniente da NABEP não teria custo para o contribuinte americano.
Portanto, todos disseram a verdade: o petróleo entregue aos Estados Unidos esta semana foi, tecnicamente, fornecido sem custo para o contribuinte americano.
E isso fazia parte de um contrato de compra previamente estabelecido (e, na terça-feira, ligeiramente alterado) com a NABEP.
Mesmo a US$ 60 o barril, o petróleo, tecnicamente, não terá custo algum para o contribuinte.
Isso ocorre porque o petróleo venezuelano está sendo vendido a US$ 80 (cerca de R$ 428).
Portanto, a Venezuela enviará petróleo aos Estados Unidos a um preço bem inferior ao que poderia obter no mercado aberto.
A administração Trump argumenta que, sem investimento estrangeiro, o país não conseguiria aproveitar suas riquezas petrolíferas.
E o acordo, independentemente do preço do petróleo, ajudará a manter empregos na Venezuela.
Os regimes socialistas da Venezuela deixaram sua infraestrutura petrolífera se deteriorar ao longo das últimas décadas, reduzindo a capacidade de produção de petróleo para cerca de 1,2 milhão de barris por dia — uma queda em relação aos mais de 3 milhões de barris diários registrados na década de 1990.
No entanto, segundo críticos, o fato de os Estados Unidos extraírem petróleo a baixo custo para vendê-lo com uma margem de lucro elevada é, na melhor das hipóteses, algo que pega mal e, na pior, uma forma de exploração.
“O presidente Trump ocultou deliberadamente os detalhes de seu esquema envolvendo o petróleo da Venezuela”, disse conforme apuração dos redatores da Empire Cidades o deputado democrata por Illinois, Dan Casten, um crítico ferrenho da política do governo para a Venezuela. “Ainda não sabemos exatamente quanto dinheiro está envolvido nem para onde esse dinheiro está indo.”
Mas Trump sempre afirmou que o petróleo da Venezuela estava à disposição dos Estados Unidos.
No dia 3 de janeiro, ao anunciar a captura de Maduro, Trump declarou que a operação militar visava garantir os recursos da Venezuela, os quais seriam fundamentais para tornar os Estados Unidos ricos.
“O futuro será determinado pela capacidade de proteger o comércio, o território e os recursos que são essenciais para a segurança nacional”, disse Trump. “Eles são fundamentais para a nossa segurança nacional. Assim como as tarifas — que tornaram nosso país rico e fortaleceram nossa segurança nacional, deixando-a mais robusta do que nunca. Essas são as leis férreas que sempre determinaram o poder global. E vamos manter as coisas assim.”
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