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Em destaque: CSN dá exclusividade à chinesa Huaxin para vender CSN Cimentos por R$ 12,7 bilhões

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 11:25
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Em destaque: CSN dá exclusividade à chinesa Huaxin para vender CSN Cimentos por R$ 12,7 bilhões
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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CSN dá exclusividade à chinesa Huaxin para vender CSN Cimentos por R$ 12,7 bilhões Venda deve ser assinada em dias e aliviar dívida de R$ 42,1 bilhões da CSN CSN: venda de divisão de cimentos deve ser fechada em questão de dias

Última atualização em 30 de outubro de 2026 às 08h23.

Priorizar nos meus resultados Google A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) assinou um acordo de exclusividade de 10 dias com a chinesa Huaxin Building Materials Group para fechar os documentos definitivos da venda de ações da CSN Cimentos. Divulgado em fato relevante nesta sexta-feira, 30, o acordo atribui à cimenteira um valor de empresa (enterprise value) de R$ 12,7 bilhões.

Segundo a CSN, a Huaxin apresentou a proposta mais vantajosa no processo competitivo aberto em março, e a intenção é assinar os contratos "em matéria de dias". O valor de empresa inclui o endividamento da própria CSN Cimentos. Por isso, a quantia que efetivamente entrará no caixa da controladora depende dos termos finais da operação, que ainda não foram divulgados.

A escolha contraria o cenário de agosto. Na época, o EXAME Insight mostrou que o consórcio da Votorantim era o favorito para levar a cimenteira. Formado pela Votorantim Cimentos e pela italiana Cementir, o grupo tinha oferta próxima de R$ 11 bilhões. Pesava a seu favor o conhecimento do mercado brasileiro, já que a complexidade tributária e o contencioso aumentam o risco para quem chega de fora.

Benjamin Steinbruch, controlador da CSN, queria inicialmente cerca de R$ 15 bilhões pelo ativo e depois passou a sinalizar algo perto de R$ 13 bilhões. A Huaxin, que também havia feito proposta vinculante, não aceitava esse patamar. O valor anunciado agora fica entre a pedida revisada de Steinbruch e as ofertas que circulavam no mercado.

A negociação mudou de mãos em setembro. Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale, assumiu a presidência executiva da CSN e passou a conduzir pessoalmente as conversas com os interessados. Segundo agentes de mercado ouvidos pelo EXAME Insight, com uma postura mais pragmática que a de Steinbruch, descrito como um negociador de posições voláteis. No mesmo mês, a Cementir informou que a proposta apresentada com a Votorantim havia expirado sem ser aceita pela CSN.

A Huaxin também carrega um risco concorrencial menor. Líder do mercado brasileiro de cimento, a Votorantim provavelmente teria de negociar remédios com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que alongaria o processo. A chinesa ainda não fabrica cimento no país.

Em 20 de outubro, a CSN chegou a negar, em comunicado ao mercado, que estudasse uma oferta pública inicial de ações (IPO) da cimenteira como alternativa à venda e afirmou que o processo estava em fase final.

Fundada em 1907 e com sede em Wuhan, na província de Hubei, a Huaxin é uma das cimenteiras mais antigas da China. Tem ações negociadas nas bolsas de Xangai e de Hong Kong e, até dezembro de 2025, chamava-se Huaxin Cement. Segundo a empresa, a troca de nome reflete a atuação em materiais de construção além do cimento, como agregados, concreto, argamassa, equipamentos e serviços ambientais.

Pelos números divulgados pela própria companhia, a Huaxin tinha em meados de 2025 capacidade para produzir 126 milhões de toneladas de cimento por ano, com mais de 300 subsidiárias, presença em 17 províncias chinesas e operações em 20 países. No relatório anual de 2025, informou que a capacidade de cimento no exterior, somando fábricas em operação e em construção, passava de 40 milhões de toneladas, a maior entre as cimenteiras chinesas. As vendas fora da China cresceram 25% no ano passado, para 20,3 milhões de toneladas.

A expansão internacional é a resposta da empresa à crise imobiliária chinesa, que derrubou a demanda por cimento no país. Para 2026, a Huaxin previu investimentos de cerca de 15 bilhões de yuans (cerca de R$ 11 bilhões pelo câmbio de hoje), concentrados em novas fábricas no exterior e em aquisições.

Desde 2021, a companhia comprou operações na Zâmbia, no Malawi, na África do Sul e em Omã, além de pagar US$ 838 milhões pelo controle da Lafarge Africa, na Nigéria. Em agosto, acertou a compra do controle da Holcim Philippines. No Brasil, a Huaxin entrou no fim de 2024, com a compra da Embu, uma das maiores pedreiras do país, por US$ 186 milhões.

Há um detalhe que torna o negócio curioso. A suíça Holcim é a maior acionista da Huaxin, com cerca de 42% do capital, e foi ela quem vendeu à CSN, em 2021, parte das fábricas que agora devem passar para os chineses. Em junho, a Bloomberg noticiou que a Holcim se opôs à participação da Huaxin no processo de venda.

A CSN Cimentos tem capacidade de 16,3 milhões de toneladas de cimento por ano. É um acréscimo de cerca de 13% sobre os 126 milhões de toneladas que a Huaxin informava em meados de 2025, e daria à chinesa sua primeira fábrica de cimento no Brasil, maior mercado da América Latina.

A CSN Cimentos é o ativo mais valioso do plano de desinvestimentos anunciado em janeiro para reduzir o endividamento do grupo. A siderúrgica encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 42,1 bilhões e alavancagem de 3,5 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. O valor de empresa acertado com a Huaxin equivale a cerca de 30% dessa dívida.

A pressão também vem dos credores. Quando levantou US$ 1,2 bilhão com bancos internacionais, em março, a CSN se comprometeu a avançar com a venda de ativos. A companhia negocia ainda o alongamento de US$ 1,3 bilhão em títulos que vencem em 2028. Além da cimenteira, colocou à venda ativos de infraestrutura avaliados em cerca de R$ 1 bilhão e, em outubro, anunciou a venda de sua siderúrgica na Alemanha.

Com a operação, a CSN abre mão de um negócio que ela mesma construiu. Steinbruch desembolsou cerca de R$ 6 bilhões em aquisições para transformar a CSN Cimentos na segunda maior cimenteira do país, com cerca de 18% do mercado, atrás apenas da Votorantim. A conclusão do negócio ainda depende da assinatura dos documentos definitivos, prevista para os próximos dias.

Os resultados do terceiro trimestre da CSN vão ser divulgados no próximo dia 12 de novembro.

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