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Em destaque: Conhecimento sobre IA no Brasil cresce de forma desigual, diz pesquisa

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 21:59
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Em destaque: Conhecimento sobre IA no Brasil cresce de forma desigual, diz pesquisa
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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A desigualdade no conhecimento sobre ferramentas de inteligência artificial se tornou uma nova dimensão da exclusão digital no Brasil. Embora a familiaridade dos brasileiros conectados ao ecossistema digital tenha aumentado, a diferença entre as classes sociais permanece significativa quando o assunto são as novas tecnologias.

É o que mostra a terceira edição do Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital, com dados referentes ao terceiro trimestre de 2026.

O levantamento também aponta que os brasileiros confiam mais nas plataformas de redes sociais do que nos conteúdos publicados nelas.

Especialistas discutem influência digital nos negócios Você já usou IA escondido? Maioria dos brasileiros admite que sim Brasileiros estão passando 52 anos da vida diante de telas, diz pesquisa Conhecimento sobre IA expõe desigualdade entre classes sociais O conhecimento geral sobre o ecossistema digital avançou. No segundo trimestre, 63,3% dos brasileiros conectados declaravam conhecer todas as 26 plataformas avaliadas pelo estudo. No terceiro trimestre, a proporção chegou a 69,2%.

Mas o avanço foi diferente entre as classes econômicas. Na classe A, 83,6% dos entrevistados conhecem todas as plataformas analisadas, contra 62,8% nas classes D/E.

A disparidade fica ainda maior quando o assunto é inteligência artificial. Segundo o levantamento, 97,3% dos brasileiros da classe A conhecem ferramentas de IA, contra 85,4% nas classes D/E.

Quando o recorte considera o conhecimento das quatro principais ferramentas de IA avaliadas (ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity), a desigualdade é ainda maior: 92,7% dos entrevistados da classe A conhecem todas elas, enquanto a proporção cai para 69,2% nas classes D/E.

Ou seja, quase um terço dos brasileiros das classes D/E desconhecem as principais ferramentas de inteligência artificial.

Em outros setores, a diferença não é tão grande. É o caso das categorias de streaming e governo digital, em que o nível de conhecimento entre classes está próximo.

Entre as plataformas avaliadas, YouTube (99,9%), Gov.br (99,7%), Instagram (99,5%), Facebook (99,2%), iFood (99,1%) e Netflix (98,9%) estão entre as mais conhecidas pelos brasileiros no terceiro trimestre de 2026.

Entre as menos conhecidas do ranking, estão Perplexity (80,8%) e Claude (81,2%).

Marina Garrote, diretora de operações e pesquisa do Reglab, defende que é necessário "letramento tecnológico" para evitar que as classes mais baixas "fiquem para trás" no conhecimento sobre IA.

O conhecimento sobre ferramentas de inteligência artificial também cresceu na média da população conectada no geral: passou de 84,7% no primeiro trimestre deste ano para 89,5% no terceiro.

A familiaridade, no entanto, não significa confiança. Segundo o estudo, pessoas que acabaram de conhecer uma ferramenta tendem a avaliá-la com mais cautela do que aquelas que já tinham familiaridade com ela.

A classe social continua sendo o fator que mais diferencia os brasileiros na confiança no ambiente digital, segundo o índice. A classe A registra o maior nível de confiança, seguida pela classe B, C e D/E.

O recorte por idade também apresenta mudanças. No primeiro trimestre de 2026, os brasileiros de 18 a 34 anos confiavam 7,1 pontos a mais em inteligência artificial do que aqueles com 45 anos ou mais. Mas a diferença está diminuindo: foi para 2,5 pontos no segundo trimestre e ficou em 2,6 pontos no terceiro.

A pesquisa aponta que a aproximação ocorreu tanto pelo aumento da confiança entre os mais velhos quanto por uma leve redução entre os mais jovens.

Já na análise das redes sociais, a pesquisa apontou uma peculiaridade dos brasileiros: os usuários confiam nas plataformas, mas não nos conteúdos veiculados nelas.

Na segunda edição do índice, 63% dos entrevistados afirmavam confiar nas redes sociais, enquanto 55% confiavam nos conteúdos publicados nelas. Na terceira edição, os indicadores passaram a 73% e 72%, respectivamente.

O padrão contrasta com o observado nas demais categorias avaliadas, como streaming, inteligência artificial e governo digital, nas quais a confiança na plataforma e no conteúdo apresentam resultados praticamente equivalentes.

Segundo Thais Palanca, pesquisadora e uma das autoras do estudo, a natureza das redes sociais ajuda a explicar essa diferença. Isso porque os conteúdos são publicados sem uma curadoria editorail prévia.

“O problema não é o funcionamento da plataforma, mas a qualidade da informação. As regras de moderação e transparência precisam focar na qualidade do conteúdo que chega ao usuário”, avalia.

A estabilidade do índice de 2026 em relação às duas últimas edições mostra que a maioria dos entrevistados manteve a mesma percepção sobre as plataformas digitais em relação ao trimestre anterior.

Entre os entrevistados que demonstravam menor confiança nas plataformas digitais, 77% permaneceram com a mesma avaliação no terceiro trimestre. Entre aqueles que apresentavam os níveis mais altos de confiança, 70% mantiveram sua posição.

“A confiança no ambiente digital se parece mais com uma característica estável de cada pessoa do que com uma opinião que muda conforme o momento”, afirma o diretor-executivo do Reglab, Pedro Henrique Ramos.

Para o pesquisador, o resultado tem implicações para políticas públicas e para a comunicação das empresas. “Campanhas e episódios pontuais afetam pouco a confiança, porque ela é construída e perdida de forma lenta”, explica.

A continuidade dos resultados ao longo das três edições sugere que mudanças na percepção de segurança digital podem exigir ações persistentes, em vez de iniciativas isoladas.

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