Em destaque: Com Lula reeleito, quais ações sofrem mais na bolsa e quais devem resistir
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Consulte formatos e valores disponíveisCom Lula reeleito, quais ações sofrem mais na bolsa e quais devem resistir Endividadas tendem a sofrer com juros altos; exportadoras e seguradoras resistem Eleições 2026: setores que são sensíveis à taxa de juros devem sair prejudicados com vitória de Lula (Renato Pizzutto/Band)
Priorizar nos meus resultados Google Na contramão do que o mercado precificava, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil — e a expectativa é que a bolsa devolva os ganhos nesta segunda-feira, 26. Do dia seguinte ao primeiro turno, quando o Ibovespa ultrapassou a marca dos 200 mil pontos, até a última sexta-feira, 23, o índice subiu 6,75%, impulsionado pelo otimismo com a liderança de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e pela possibilidade de a oposição promover um ajuste fiscal.
Das 76 ações da carteira do Ibovespa, 68 subiram, algumas bem acima do índice, como Magazine Luiza (MGLU3), que avançou mais de 70%. Já WEG (WEGE3), Usiminas (USIM5), CSN (CSNA3), Embraer (EMBJ3), Bradespar (BRAP4), Suzano (SUZB3), Vibra Energia (VBBR3) e Klabin (KLBN11) recuaram.
A alta foi sustentada pela queda dos juros de longo prazo, diante da expectativa de que Flávio Bolsonaro promovesse um ajuste fiscal. Com isso, empresas ligadas à economia doméstica se beneficiaram. Agora, com a vitória de Lula, os especialistas esperam uma mudança nessa dinâmica.
“Não tem nenhuma sinalização de que o atual governo tenha uma melhora na política fiscal. Pelo contrário. Já tem despesa contratada para o ano que vem, e isso aumenta a percepção de risco Brasil, o que faz nossa curva de juros ficar pressionada por muito tempo”, diz Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.
Para Saravalle, a bolsa pode sofrer uma desvalorização rápida no pregão seguinte à eleição, acompanhada de uma saída de recursos, embora esse movimento possa ser momentâneo. Flávio Conde, head de ações da Inside Research, também prevê uma correção. “A primeira coisa que deve acontecer é a bolsa voltar aos níveis pré-subida com Flávio [Bolsonaro] na dianteira”, afirma.
A expectativa de menor compromisso com o ajuste das contas públicas pode manter os juros de longo prazo elevados, encarecendo o financiamento das empresas e reduzindo o valor que os investidores atribuem aos lucros futuros. Para Conde, o aumento das despesas públicas contratadas para 2027 pode ampliar o déficit fiscal e levar os juros futuros para além de 15% ao ano.
Nesse cenário, companhias com dívidas elevadas tendem a ser mais prejudicadas, pois precisam destinar uma parcela maior de seus recursos ao pagamento de juros. Conde cita Cosan (CSAN3), Simpar (SIMH3), Movida (MOVI3), Localiza (RENT3) e Vamos (VAMO3) entre as empresas que podem sofrer com esse movimento.
O risco também se estende a setores que dependem de financiamentos de longo prazo, como a construção civil. Embora programas habitacionais do governo, como o Minha Casa, Minha Vida, favoreçam empresas como Direcional (DIRR3), Cury (CURY3), Plano&Plano (PLPL3) e MRV (MRVE3), o encarecimento do crédito pode limitar a valorização das ações.
“Nesse cenário de continuidade do governo atual, o investidor deveria procurar o oposto para se proteger: empresas com menor sensibilidade à taxa de juros, menos endividadas, com geração de caixa mais próxima e, sobretudo, boas pagadoras de dividendos”, afirma Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos.
A perspectiva de aumento da percepção de risco fiscal também pode pressionar o real e elevar a cotação do dólar. Para empresas que recebem receitas em moeda estrangeira, a alta cambial pode aumentar o valor convertido para reais e melhorar os resultados. O efeito, porém, depende dos custos, das dívidas e das operações de cada companhia.
Conde destaca Embraer (EMBJ3), WEG (WEGE3) e Suzano (SUZB3) como empresas que podem se beneficiar de um dólar mais alto. O analista projeta que a moeda americana poderia chegar inicialmente a R$ 5,30 e, posteriormente, a R$ 5,50.
Rafael Minotto, gestor da Ciano Investimentos, pondera, porém, que as exportadoras funcionam mais como uma proteção relativa para a carteira do que como uma aposta de valorização. Isso porque a melhora dos resultados em reais pode ser compensada por outros fatores, e o aumento dos juros domésticos também pesa sobre a avaliação das ações.
Em meio à pressão sobre a bolsa, bancos e seguradoras podem apresentar maior resiliência. Juros elevados favorecem a remuneração dos recursos aplicados pelas seguradoras e ajudam a sustentar as receitas financeiras dos bancos. Por outro lado, o crédito mais caro reduz a capacidade de pagamento das famílias, eleva o risco de inadimplência e pode limitar a expansão dos empréstimos.
Conde avalia que BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto Seguro (PSSA3) podem cair menos do que o restante do mercado, por manterem volumes expressivos de recursos aplicados que se beneficiam de juros altos.
Minotto também destaca o Itaú (ITUB4) como uma instituição mais resiliente. Entre os bancos menores, cita o ABC Brasil (ABCB4), mas ressalta que é necessário avaliar a exposição de cada instituição ao endividamento das famílias e à qualidade da carteira de crédito.
A perspectiva de juros elevados por mais tempo pode manter a renda fixa atrativa e reduzir o incentivo para que investidores locais aumentem sua exposição à renda variável. Com isso, o desempenho da bolsa pode depender mais da entrada de recursos estrangeiros, sobretudo em ações de empresas grandes e com maior liquidez.
Para Minotto, esse cenário também tende a prejudicar as ações de empresas menores ( small caps ), mais sensíveis aos juros e ao custo de financiamento. A recomendação, nesse contexto, é observar a capacidade de geração de caixa, o nível de endividamento e a sensibilidade dos negócios aos juros antes de escolher as ações.
Conde projeta que o Ibovespa pode recuar num primeiro momento para a região dos 190 mil pontos e depois cair até os 170 mil pontos, diante de uma possível saída de investidores estrangeiros e da pressão sobre os juros futuros. As projeções, porém, dependem da reação dos investidores e dos sinais que o governo dará sobre a condução das contas públicas.
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