Em destaque: Centrão sente baque com derrota de Flávio Bolsonaro, mas já projeta participação no governo Lula 4
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26.out.2026 às 13h04 Diminuir fonte Aumentar fonte Augusto Tenório Raphael Di Cunto Brasília O centrão sentiu um baque com a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial deste domingo, mas partidos desse grupo político já vislumbram participação no próximo governo Lula ( PT ).
Uma aposta repetida em diferentes partidos do centrão é a de que o petista não levará partidos inteiros para a sua base de apoio, mas buscará alianças com grupos para garantir a governabilidade. Ele deve lotear ministérios para favorecer alas das legendas com as quais possui mais proximidade, sem garantia de votos de toda a bancada, já que há grupos fortemente alinhados à direita dentro dessas siglas.
Uma das divisões do centrão que sai na frente para a participação nos ministérios é a dos diretórios do Norte e Nordeste, que fizeram campanha por Lula. O MDB continua fortalecido no Senado, com os diretórios do Amazonas, Pará e Alagoas à frente. No PSD, a ala mais lulista é a da Bahia, enquanto o PP e o Republicanos da Paraíba encamparam a campanha de Lula e têm expectativa de maior espaço.
O partido do centrão mais empolgado com a vitória do presidente Lula é o PSD. A legenda de Gilberto Kassab foi a única do grupo a manter neutralidade no segundo turno, apesar da avalanche de apoios a Flávio após o candidato do PL sair na frente do petista no primeiro turno. Dirigentes ouvidos sob reserva pela Folha dizem esperar espaços melhores na Esplanada a partir de 2027.
O Republicanos, um dos partidos que apoiou Flávio no segundo turno, prevê uma dificuldade inicial de diálogo com o governo reeleito.
Apesar disso, o partido considera que há espaço para conversar, principalmente porque a base minoritária do PT no Congresso obrigará o Planalto a estender o leque de alianças. O presidente da sigla, Marcos Pereira, foi um dos primeiros a reconhecer a vitória e afirmou que Lula terá "a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro".
A expectativa é que o MDB, que foi privilegiado no atual governo com os ministérios das Cidades, do Planejamento e dos Transportes, tenha dificuldade. Uma ala majoritária do partido declarou apoio a Flávio Bolsonaro, num movimento que surpreendeu petistas.
A federação União Brasil- PP é a mais consternada com a derrota de Flávio Bolsonaro. Os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, são próximos ao candidato do PL, e fizeram campanha mais intensamente pela eleição dele no segundo turno.
Aliados reconhecem que a proximidade das legendas ao bolsonarismo vai dificultar o diálogo sobre composições, mas também acreditam que o Planalto precisará construir pontes com o campo das legendas que tem proximidade com o PT.
O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, divulgou uma mensagem nesta segunda (26) reconhecendo o resultado e parabenizando Lula.
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Bolsonaristas miram a presidência do Senado para promover o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre barrou a tramitação dos pedidos de afastamento de magistrados, enquanto o PL cobra a saída, pelo menos, do ministro Alexandre de Moraes.
O partido de Flávio e Jair Bolsonaro elegeu 19 senadores neste ano e assegurou a maior bancada da Casa, com 29 congressistas. É a maior bancada partidária ao início de uma legislatura, desde a promulgação da Constituição de 1988, segundo o Senado. O recorde era do MDB, que em 1999 tinha 27 cadeiras.
Para garantir a eleição do presidente da Casa, são necessários 41 votos. A votação ocorrerá em fevereiro de 2027, com a posse dos novos congressistas. O PL trabalha para eleger o coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (RN), e tem a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como opção.
Para uma ala do centrão, Alcolumbre se fortaleceu com a eleição de Lula. O grupo avalia que o Senado precisará de uma opção de equilíbrio e diálogo com o Planalto, sem extremismo. Tereza era vista como alternativa ideal do grupo num cenário de Flávio Bolsonaro eleito.
Nesse sentido, o Republicanos também avalia que vai se reaproximar naturalmente do governo com a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) na Câmara. O PL conquistou a maior bancada na Casa e ensaiou um movimento para derrubar o atual chefe dos deputados.
Motta reagiu e angariou apoio de partidos do centrão e contará com o apoio do governo, largando com vantagem para se reeleger no comando da Câmara. O movimento isolou o PL na Casa.
No governo Lula 3, o petista contemplou PSD, União Brasil e MDB com três ministérios cada. Apesar disso, eles jamais integraram a base de apoio do petista formalmente. Em 2026, a federação União-PP rompeu relações com a gestão petista, mas ministros mantiveram seus cargos.
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