Voltar para a página inicial

Em destaque: Carpinejar mergulha na nostalgia no livro ‘No Meu Tempo, Eu Era Melhor’

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 11:00
54.426 visualizações
Em destaque: Carpinejar mergulha na nostalgia no livro ‘No Meu Tempo, Eu Era Melhor’
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Priorize VEJA no Google Ler Resumo Fabrício Carpinejar lança “No Meu Tempo, Eu Era Melhor”, seu novo livro de crônicas, onde ele revisita a infância analógica e memórias pessoais. O autor usa sua vulnerabilidade para provocar reflexões sobre o passado e o presente, abordando a estafa digital e a geração “sanduíche”, sempre incentivando a autoaceitação. Este resumo foi útil?

“Quando eu me sentei no divã, não estava fazendo terapia só por mim, mas pelos meus pais e meus avós, que nunca fizeram”, escreve o autor gaúcho Fabrício Carpinejar, 54 anos, em seu novo livro de crônicas, No Meu Tempo, Eu Era Melhor, que chega às livrarias na segunda-feira 2. Na obra de capítulos curtos, ele reflete sobre o passado, resgatando a infância analógica e dissecando memórias pessoais — como o bullying sofrido na juventude, ou quando sua mãe, para salvá-­lo da possibilidade de uma rejeição dolorosa, comprou a maior parte das edições de seu primeiro livro, As Solas do Sol, lançado quando ele tinha 25 anos, em 1998. Hoje, essa preocupação não existe. Carpinejar tem 56 livros publicados e mais de 1 milhão de cópias vendidas.

Transitando principalmente no TikTok. O autor recusa, contudo, a fama de guru da autoajuda. “O que eu busco com meus livros — que têm humor, esperança e sentimentos — não é persuadir ou convencer ninguém do que eu acredito”, disse em entrevista a VEJA. “Quero provocar reflexões, fazer com que as pessoas descubram quem são por si só”, completou.

No novo livro, essa ideia se manifesta a partir de um olhar para o passado que flerta com o saudosismo, mas trazendo ponderações sobre o presente. Ao abordar detalhes do cotidiano das décadas de 1970 e 1980, ele enxerga uma presença maior das pessoas nas relações e mais intencionalidade nas atitudes: em uma era analógica, sem celulares à mesa, não havia um mundo virtual para onde fugir. “Quis escrever sobre a saudade. O tempo era físico, era palpável. A gente tinha o direito ao tédio, ao inesperado, ao improviso”, analisa. O gosto se vê em seus perfis on-line: Carpinejar publica fotos de versos escritos à mão em guardanapos, como pílulas de sabedoria de bar. “A cicatriz revela o quanto você é capaz de se curar”, diz um de seus aforismos recentes.

Filho dos poetas Carlos Nejar e Maria Carpi — sobrenomes que, unidos, lhe renderam a alcunha famosa —, Carpinejar cresceu cercado de livros e encontrou na escrita uma forma de autoaceitação e compreensão do mundo. Fez das experiências pessoais sua matéria-prima, tecendo pensamentos sobre a solidão, o medo, a coragem e o amor. Nos últimos anos, dedicou-se especialmente a falar sobre o luto — tema aflorado na época da pandemia — e sobre as crises de meia-idade —, um subtexto presente no novo livro. Em No Meu Tempo, Eu Era Melhor, ele discute os conflitos típicos da sua geração, apelidada de “sanduíche”, aquela que, agora, cuida dos pais e dos filhos ao mesmo tempo.

A estafa digital é um dilema comum que aflige a todos. “Vivemos sob o império de um ‘Alzheimer digital’, em que fomos treinados para a simultaneidade, mas nos tornamos incapazes de fixar os acontecimentos”, afirma. Carpinejar sugere que até a soberania sobre o próprio corpo vem se perdendo com o excesso de telas. “Já não escolhemos o momento em que vamos dormir; simplesmente desmaiamos de exaustão com o celular na mão ou a televisão ligada”, lamenta.

Em busca de colocar em palavras o que pensa, até mesmo as memórias mais dolorosas, ele resgata episódios duros da infância, como o diagnóstico de “retardo mental” quando tinha apenas 6 anos, por causa da dificuldade de aprendizado — sua mãe recusou a sentença médica e passou a alfabetizá-lo em casa. Mesmo sabendo que não tem culpa pelo que viveu na infância, ele ensina que crescer exige perdoar as próprias versões anteriores — ou, ao menos, abraçá-las. “Os rótulos nunca me serviram”, conta. Sem oferecer respostas mágicas para os problemas, o autor se coloca no divã — e convida o leitor a desacelerar e fazer o mesmo.

#Cultura
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas