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Em destaque: Ameaças a indígenas após eleição em MS mobilizam PF e três ministérios; entenda

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 22:30
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Em destaque: Ameaças a indígenas após eleição em MS mobilizam PF e três ministérios; entenda
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Ameaças a indígenas após eleição em MS mobilizam PF e três ministérios; entenda Caso de Tacuru, onde servidores sugeriram envenenar água de aldeia Guarani Kaiowá, reacende conflito centenário; ministro visitam região no sábado Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas: força-tarefa federal vai apurar relatos sobre violência política no estado. (Ministério dos Povos Indígenas/Flickr)

Última atualização em 30 de outubro de 2026 às 18h53.

Priorizar nos meus resultados Google Após uma série de denúncias de ameaças e violência contra indígenas Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou uma força-tarefa envolvendo três ministérios para investigar os episódios e identificar os responsáveis.

Nesta sexta-feira, 30, Terena informou que, a pedido do presidente Lula, uma comitiva de três ministros vai visitar no sábado, 31, as aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapiri, em Coronel Sapucaia.

Também seguem para o estado a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

A Polícia Federal apura os casos, enquanto outros órgãos acompanham as investigações e cobram providências.

Um dia depois do segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo, 25, uma conversa entre servidores da prefeitura de Tacuru chegou à PF.

Na gravação, os dois lamentam o resultado das urnas e chamam de "capetas" e "cães" os eleitores que garantiram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na sequência, um deles propõe pôr veneno na água para "matar essas pragas".

Lideranças locais apontam como alvo os moradores da Aldeia Sassoró, comunidade Guarani Kaiowá de um município onde Lula venceu com 62,19% dos votos válidos.

Segundo Rogério Torquetti, prefeito de Tacuru, que confirmou a autenticidade da gravação, o áudio começou a circular no próprio dia da votação.

Ao tomar conhecimento do material, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou os áudios nas redes sociais e, na segunda-feira, 26, levou a denúncia ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI).

Eloy Terena então acionou a PF, e a entidade protocolou também uma representação criminal no Ministério Público Federal (MPF). Em nota técnica, a pasta pediu a apuração da origem e da autenticidade do material, a identificação dos responsáveis e a avaliação de eventual crime.

Em vídeos publicados nas redes sociais na terça-feira, 27, Torquetti descreveu o autor da fala como "excelente servidor", lotado na infraestrutura como motorista de caminhão-caçamba, e anunciou o afastamento e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). E aproveitou para negar também que o servidor atuasse na distribuição de água.

Em uma primeira manifestação, o prefeito sustentou que a gravação não citava grupo algum e atribuiu o episódio à divergência política, a possível consumo de álcool e à dificuldade de aceitar a derrota.

Mais tarde, admitiu que dois funcionários participaram da conversa, disse tê-los repreendido e proibido de frequentar as aldeias, pediu desculpas à comunidade e classificou o caso como mal-entendido.

Em uma nota mais firme divulgada nesta quinta-feira, 29, a prefeitura afirmou repudiar manifestações racistas e prometeu colaborar com a PF e o MPF.

Liderança de Sassoró e vereador em Tacuru, o cacique Ivan Montiel condenou o episódio em vídeo nas redes sociais e declarou que vai buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível.

Ainda na terça-feira, as deputadas federais Sônia Guajajara e Célia Xakriabá, ambas do PSOL, enviaram ofício ao MPF, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aos ministérios da Justiça e dos Povos Indígenas cobrando apuração urgente.

No mesmo dia, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou, em nota, que "não procede a afirmação de ocorrência de genocídio de povos indígenas no Estado" e que as forças de segurança atuam quando acionadas, para preservar a ordem pública e evitar confrontos em áreas rurais.

Na quarta-feira, 28, o MPF informou ter instaurado procedimentos para apurar intimidações contra povos indígenas no estado após a eleição.

A investigação sobre Tacuru está com o 6º Ofício da Procuradoria da República em Dourados, que deu 48 horas para a prefeitura esclarecer autoria, autenticidade e circulação das gravações, além das medidas para manter serviços essenciais nas comunidades.

Na mesma data, em entrevista coletiva no Ministério da Justiça, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, apresentou um balanço nacional de 45 ocorrências de violência política desde a véspera do segundo turno, cinco delas contra povos indígenas.

Até o momento, não há confirmação oficial de mortes com motivação política em Mato Grosso do Sul.

Na tarde de quinta-feira, em publicação nas redes sociais do ministério, Eloy Terena detalhou a força-tarefa interministerial, que reúne o MPI e os ministérios da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e da Cidadania para investigar os casos e responsabilizar os autores.

O grupo chegou a abrir um canal de denúncias por WhatsApp, mas a pasta o desativou depois, em razão do volume de mensagens sem relação com violência contra povos indígenas.

No território, a presença federal se apoia na Força Nacional de Segurança Pública, que já atuava nas aldeias sul-mato-grossenses desde abril de 2024, com autorizações renovadas a cada três meses.

A renovação mais recente saiu no Diário Oficial da União na segunda-feira, 26, um dia depois da votação. Segundo o ministro, os agentes iniciaram patrulhamento em Sassoró e nas comunidades de Taquapery e Limão Verde.

Tacuru tem 10.808 habitantes, cerca de 39% indígenas, segundo o Censo 2022 do IBGE. O município abriga duas terras Guarani Kaiowá, Sassoró, demarcada em 1928, e Jaguapiré, homologada em 1992, e adota o guarani como língua cooficial desde 2010.

Nas urnas, a cidade destoa do estado. Lula liderou ali já no primeiro turno e ampliou a vantagem no segundo. Em Mato Grosso do Sul, Flávio Bolsonaro (PL) somou 59,60% dos votos válidos, contra 40,40% do petista, e venceu em 69 dos 79 municípios.

O retrato repete 2022, quando Jair Bolsonaro obteve 59,49% no estado, e 2018, quando o então candidato do PSL alcançou 55,06% ainda na primeira rodada.

Com 116.346 indígenas, ou 4,22% da população, o Mato Grosso do Sul tem o terceiro maior contingente indígena do país e lidera, há cinco anos, o ranking de violência contra a pessoa indígena do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Sassoró é uma das reservas criadas pelo antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) no início do século 20, como a de Dourados, de 1917.

O modelo concentrou os Guarani Kaiowá em áreas pequenas e abriu caminho para a ocupação agropecuária das terras ao redor. Hoje, as comunidades reivindicam parte desse território, e muitas ocupam fazendas no que chamam de retomadas.

O caso mais simbólico é o de Antônio João, município na fronteira com o Paraguai, a 319 quilômetros de Campo Grande. Ali, a liderança Marçal de Souza foi assassinada em 1983. A Terra Indígena Ñande Ru Marangatu foi homologada em 2005, mas o ato acabou suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 18 de setembro de 2024, Neri da Silva, de 23 anos, morreu baleado durante uma ação da Polícia Militar na área. Uma semana depois, um acordo no STF fixou R$ 146 milhões em indenizações, pagas pela União e pelo estado, para que os fazendeiros deixassem os 9.317 hectares.

No mesmo ano, ataques a retomadas em Douradina e Caarapó levaram o governo federal a reforçar a presença da Força Nacional. O pano de fundo é a Lei 14.701/2023, a do marco temporal, aprovada pelo Congresso depois que o STF rejeitou a tese e contestada pelo MPI.

Os números acompanham a tensão. Segundo o relatório anual do Cimi, divulgado em agosto, 37 indígenas foram assassinados em Mato Grosso do Sul em 2025, terceiro maior número do país, de um total de 258.

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