Em destaque: Algoritmos das big techs viram o novo campo de batalha da eleição
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Consulte formatos e valores disponíveisAlgoritmos das big techs viram o novo campo de batalha da eleição A campanha petista acusa a Meta de impor restrições, ao mesmo tempo que mecanismos da empresa ampliariam a visibilidade do adversário
Mensagens internas da companhia obtidas pelo jornal Folha de S.Paulo registram funcionários discutindo problemas que afetaram contas de Lula e a recomendação indevida de perfis ligados a Flávio .
Em outra frente, um relatório do Sleeping Giants Brasil aponta que vídeos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) alcançam, em média, mais visualizações do que publicações de celebridades internacionais como Selena Gomez, Kim Kardashian e Beyoncé.
Na quinta-feira 16, CartaCapital mostrou que a inteligência artificial da Meta, integrada ao WhatsApp , recusou a criação de cartazes com o nome de Lula e o número 13, mas gerou imagens para Flávio, com o número 22, e para Augusto Cury (Avante), com o número 70. Representantes da big tech reuniram-se com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, para discutir o assunto.
Uma liminar do ministro Marco Aurélio Bellizze também proibiu a Meta de aplicar qualquer medida de redução de alcance, exclusão de recomendação ou restrição de busca contra os dois postulantes ao Palácio do Planalto.
Em 9 de outubro, a campanha petista ficou quase 24 horas impedida de impulsionar publicações já feitas no feed de Lula. A equipe do presidente ainda conseguia veicular anúncios que não apareciam no perfil público, os chamados dark posts , e manter campanhas anteriores em circulação, mas não podia pagar para ampliar o alcance dos conteúdos existentes. Segundo a estimativa da campanha, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios durante o período.
Nos diálogos revelados pela Folha de S.Paulo , um funcionário da Meta afirma que a conta de Lula estava “limitada” em comparação com a de Flávio e menciona o risco de uma ação judicial. Os registros também mostram funcionários questionando a demora na resolução do problema e pedindo que o incidente recebesse uma classificação interna de gravidade.
Outro episódio ocorreu no sistema de buscas do Instagram . No início de outubro, o perfil do filho de Jair Bolsonaro (PL) aparecia entre as sugestões de pesquisa, enquanto o de Lula não era exibido nem quando o nome do presidente era digitado, apontam as mensagens obtidas pelo jornal. Funcionários reconheceram que a recomendação do perfil do senador não deveria ocorrer e trataram o caso como um erro.
Ao periódico paulista, a empresa justificou que os episódios devem-se a problemas técnicos e à aplicação de suas regras, negou favorecer ou prejudicar candidatos e afirmou que algumas falhas atingiram contas e anunciantes em diferentes países.
Pela legislação brasileira, big techs não podem recomendar perfis e canais oficiais de candidatos por meio de seus algoritmos. O impulsionamento pago, contratado pelas próprias campanhas, é uma das formas permitidas de ampliar o alcance da propaganda eleitoral na internet. CartaCapital enviou questionamentos à Meta sobre o tema nesta tarde e aguarda retorno. O espaço segue aberto.
A discussão sobre o alcance das publicações não se limita às contas oficiais dos candidatos. Um relatório do Sleeping Giants Brasil , organização criada para combater a desinformação no ambiente digital, identificou uma diferença expressiva entre o desempenho dos vídeos de Nikolas Ferreira e o de personalidades brasileiras e internacionais com milhões de seguidores.
O levantamento analisou os 10 vídeos mais recentes de 30 contas do Instagram , divididas entre deputados federais com mais seguidores, personalidades brasileiras e pessoas mais seguidas no mundo.
Nikolas, que tem 23,3 milhões de seguidores e foi reeleito no primeiro turno com votação expressiva, registrou média de 41,05 milhões de visualizações por vídeo. Os 10 conteúdos somaram 410,5 milhões de visualizações — e cada um deles superou o número total de seguidores do parlamentar bolsonarista.
Selena Gomez , com 402 milhões de seguidores, teve média de 31,38 milhões de visualizações por vídeo. Kylie Jenner registrou 22,36 milhões; Kim Kardashian , 14,35 milhões; Beyoncé , 12,98 milhões; e Ariana Grande , 9,36 milhões. Entre os brasileiros analisados, Virginia Fonseca teve média de 34,32 milhões de visualizações, enquanto a cantora Anitta registrou 12,13 milhões.
Na comparação com outros parlamentares, a distância também foi significativa. Os 90 vídeos dos outros nove deputados incluídos no estudo somaram 141 milhões de visualizações, pouco mais de um terço do total alcançado pelos dez vídeos de Nikolas.
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), por exemplo, teve média de 6,34 milhões por publicação, enquanto Pastor Marco Feliciano (PL-SP) registrou 80 mil.
De acordo com o relatório, a conta do congressista mineiro não impulsiona publicações desde 2022 — ou seja, não paga para ampliar o alcance das postagens. A organização diz que pretende encaminhar os achados do levantamento ao Ministério Público Eleitoral para que a Meta informe quais os mecanismos de distribuição de conteúdo da plataforma.
Wendal Carmo Repórter do site de CartaCapital no Nordeste
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