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Em destaque: Ações caíram forte com Lula, mas esse gestor acha que ainda não é hora de comprar

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 08:50
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Em destaque: Ações caíram forte com Lula, mas esse gestor acha que ainda não é hora de comprar
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Ações caíram forte com Lula, mas esse gestor acha que ainda não é hora de comprar Para Daniel Utsch, da Nero Capital, volatilidade eleitoral está longe do fim e tudo vai fazer preço Daniel Utsch: 'não vimos essa queda como oportunidade ainda'

Priorizar nos meus resultados Google A Nero Capital não viu oportunidade no tombo da bolsa após a reeleição de Lula e preferiu proteger a carteira Mercado precificava cerca de 80% de chance de vitória de Flávio Bolsonaro na sexta-feira Para o gestor Daniel Utsch, o cenário é bem diferente de 2022 e o mercado está mais sensível Gestora reduz varejo, consumo e construção e reforça utilities, bancos, telecom e exportadoras A Nero Capital olhou para o derretimento da bolsa nesta segunda-feira, 26, e decidiu não ir às compras. Para Daniel Utsch, gestor de ações da casa, a queda que se seguiu à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva foi proporcional ao tamanho da surpresa nas urnas, e não um exagero que abra espaço para pechinchas.

"A gente, pelo menos por ora, não viu essa queda como oportunidade ainda, porque o cenário é muito incerto", diz Utsch. "Não conseguimos olhar e falar que, com papéis caindo 30%, 40%, é hora zerar o caixa comprando ações."

O Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, na maior perda diária desde março de 2020. No pior momento do pregão, o índice chegou a cair 17,34%, abaixo dos 170 mil pontos, e a B3 acionou o circuit breaker logo na abertura, pela primeira vez em mais de seis anos. O dólar à vista subiu 8,21%, a R$ 5,40, na maior alta diária desde 1999, depois de tocar R$ 5,60 na máxima. No último pregão antes da votação, na sexta-feira, o índice havia fechado aos 205.082 pontos, com o dólar a R$ 4,99. O BTG Pactual projeta que a bolsa pode recuar até a casa dos 170 mil pontos nas próximas semanas. Na mínima desta segunda, o índice chegou a operar abaixo desse patamar. O Morgan Stanley prevê perdas de até 30%.

A queda atingiu 68 das 76 ações do Ibovespa. Entre os bancos, alvos principais da venda, Banco do Brasil (BBAS3) caiu 29,33%, Bradesco (BBDC4) recuou 21,70% e Itaú Unibanco (ITUB4) perdeu 13,66%. Entre as maiores baixas do índice, Magazine Luiza (MGLU3) despencou 58,23%, Vamos (VAMO3) caiu 56,79% e Hapvida (HAPV3) recuou 54,93%, pressionadas também pelo avanço dos juros futuros.

Para o gestor, a turbulência não acabou com a apuração dos votos. "A volatilidade da virada eleitoral está muito longe do fim. Agora tudo vai fazer preço. Qualquer fala do Lula, qualquer nome de ministro, qualquer especulação vai fazer muito preço", afirma.

Utsch atribui a intensidade da reação ao tamanho da quebra de expectativa. Depois do primeiro turno, a chance de vitória de Flávio Bolsonaro chegou a 92% nos mercados de previsão. O número recuou à medida que a campanha de Lula ganhou tração, mas ainda estava em torno de 80% no fechamento de sexta-feira.

"Um negócio que o mercado precificou em 80% de chance de acontecer foi para zero", diz o gestor. Lula venceu com quase quatro pontos percentuais de vantagem, um resultado que, segundo ele, nem as pesquisas mais favoráveis ao PT indicavam. Os melhores cenários para o petista apontavam empate.

A comparação com a eleição anterior ajuda a explicar a diferença de humor. Em 2022, nas contas de Utsch, o mercado atribuía algo como 60% de chance à vitória de Lula, que acabou vencendo Jair Bolsonaro por 1,8 ponto percentual. O resultado foi lido como negativo, mas sem o choque de agora.

Naquela época, havia ainda uma parcela relevante do mercado disposta a apostar num governo de centro, com articulação política próxima do Congresso e nomes como Henrique Meirelles ou Armínio Fraga na equipe econômica. Lula também encontrava algum espaço fiscal para usar e um cenário externo menos hostil.

"Agora seria difícil achar alguém no mercado que estivesse, antes desse segundo turno, animado com o quarto governo Lula", diz. Segundo ele, a preferência dos investidores não era exatamente por Flávio. "A questão era mais não ter reeleição do que ser o Flávio."

O gestor lista uma série de fatores que se deterioraram ao mesmo tempo. A rentabilidade do agronegócio piorou, a inadimplência bate recorde, famílias e empresas estão mais alavancadas e os pedidos de recuperação judicial e extrajudicial se multiplicam. No exterior, os juros de 10 anos dos Estados Unidos estão nas máximas em mais de duas décadas, o petróleo opera na casa de US$ 112 com a guerra no Irã sem solução e o dólar voltou a se fortalecer no mundo.

Nesse contexto, e com as contas públicas sem margem, Utsch avalia que o mercado está muito mais sensível. "Na nossa visão, ele não dá mais nenhum benefício da dúvida", afirma.

Para o gestor, Lula não terá tempo nem tranquilidade para defender a tese de que um fiscal mais alavancado vai gerar crescimento e, com ele, reduzir a dívida. A reação viria rápido pelo câmbio, que pressiona a inflação, e pelos juros longos, que secam o crédito.

"Se fosse uma situação mais tranquila, talvez a economia aguentasse mais desaforo, mas a gente já está numa situação muito delicada. Não tem muita margem de erro neste momento."

Utsch vê a próxima reunião do Copom como difícil para qualquer continuidade no ciclo de cortes da Selic. Só a disparada do dólar, segundo ele, já pode levar o Banco Central a revisar o balanço de riscos e manter os juros. O gestor não descarta até a necessidade de uma alta mais à frente.

Ele cita ainda a Petrobras, que já operava com defasagem relevante nos preços de diesel e gasolina. Com o petróleo mais caro e o câmbio mais alto, a diferença aumenta e pressiona a inflação ou o prêmio de risco, caso o reajuste não seja feito.

A composição do ministério é o próximo ponto de atenção. Para o gestor, nomes como Camilo Santana ou Geraldo Alckmin na Fazenda poderiam ser mais bem recebidos e ajudar a estancar o excesso de pessimismo, ainda que sem trazer o mercado para o lado do governo.

Ele lembra que o oposto do que ocorreu em 2022 também é possível, com um mercado ultrapessimista sendo surpreendido por uma equipe mais alinhada.

Há ainda o fator institucional. O eleitor colocou um Congresso mais à direita, sobretudo no Senado, e reelegeu um presidente de esquerda que terá cinco indicações ao STF no novo mandato. "Essa instabilidade política institucional também vai fazer preço nas próximas semanas e meses", diz.

A estratégia da gestora é recalibrar o risco dentro dos mesmos nomes, sem uma virada brusca de carteira. A Nero vem reduzindo posições em setores domésticos e cíclicos, como varejo, consumo, educação, saúde, transportes e construção civil.

Na parcela exposta ao mercado interno, a preferência migra para segmentos menos cíclicos, como utilities, bancos e telecom. Ao mesmo tempo, a casa reforça exportadoras de mineração, siderurgia, petróleo e proteína, além de industriais ligadas à economia global.

"É o momento de ajustar risco, permanecer no jogo e olhar para a preservação de capital e o longo prazo", afirma Utsch.

A composição mais recente divulgada do Nero Long Biased, fundo de ações gerido por Utsch, anterior ao segundo turno, ajuda a mostrar onde esses movimentos acontecem. A maior posição é Copasa (CSMG3), com 3,44% da carteira, num bloco de utilities que inclui Sabesp (SBSP3), Copel (CPLE3), Eneva (ENEV3) e Isa Energia (ISAE4). No financeiro, o fundo tem BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e posições em Porto Seguro (PSSA3) e IRB (IRBR3).

Do lado exportador e global, a carteira tem Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4), Usiminas (USIM5) e Brava (BRAV3), além de posições em Embraer (EMBJ3) e WEG (WEGE3). Foram justamente as exportadoras que seguraram a ponta positiva do Ibovespa nesta segunda, beneficiadas pela disparada do dólar. Embraer subiu 8,89%, WEG avançou 4,21% e Vale teve alta de 4,01%. A maior alta do dia foi de Suzano (SUZB3), com ganho de 10,08%.

Entre os cíclicos domésticos, grupo que a gestora indica estar reduzindo, estão Lojas Renner (LREN3), Assaí (ASAI3) e Ambev (ABEV3) no consumo, Cury (CURY3) e Tenda (TEND3) na construção, além de Smart Fit (SMFT3), e Hidrovias do Brasil (HBSA3).

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