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Em destaque: A eficiência da Copel termina quando Ratinho Junior termina o discurso? Consumidores continuam pagando a conta

Consumidores continuam pagando a conta apareceu primeiro em O Diário de Maringá.

Por Redatores da Empire Cidades 8 de novembro de 2026 às 15:50
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Em destaque: A eficiência da Copel termina quando Ratinho Junior termina o discurso? Consumidores continuam pagando a conta
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Destaques, Notícias Privatizada em 2023 sob a promessa de modernização e eficiência, companhia enfrenta questionamentos sobre a qualidade do fornecimento. Em Maringá, interrupções e oscilações após o tornado ampliam as cobranças, enquanto relatos de problemas em períodos de tempo bom levantam dúvidas sobre a manutenção da rede.

A Companhia Paranaense de Energia (Copel), que deixou de ser controlada pelo Governo do Paraná em 2023, enfrenta questionamentos sobre a qualidade do fornecimento de energia elétrica. Em Maringá, moradores relatam oscilações e interrupções neste domingo, 8 de novembro, quase uma semana depois do tornado que atingiu a cidade. O problema reacende uma discussão que vai além dos temporais: a privatização realmente trouxe a eficiência prometida pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD)?

A pergunta merece respostas concretas. Afinal, energia elétrica não é um produto que o consumidor pode simplesmente deixar de comprar quando o serviço não funciona. É essencial para residências, hospitais, indústrias, propriedades rurais e estabelecimentos comerciais.

O discurso político sobre eficiência precisa ser confrontado com a realidade de quem depende do fornecimento para trabalhar, produzir e manter suas atividades.

O tornado de segunda-feira, 2 de novembro, provocou danos expressivos à rede elétrica de Maringá. Segundo a Copel, aproximadamente 88 mil unidades consumidoras tiveram o fornecimento interrompido.

No boletim divulgado na manhã de sábado (7), a companhia informou que havia restabelecido a energia para 84,5 mil imóveis, o equivalente a 96,4% dos atingidos. Outros 3,4 mil ainda aguardavam a conclusão dos serviços relacionados ao primeiro evento climático.

Os números demonstram a dimensão dos trabalhos realizados, mas também revelam que milhares de consumidores passaram vários dias sem um serviço essencial.

Além disso, no sábado (7), novas tempestades atingiram o Paraná. Às 17h30, a Copel contabilizava 424 mil unidades consumidoras sem energia no estado, incluindo 7,5 mil em Maringá.

Portanto, é necessário distinguir os danos provocados pelo tornado daqueles decorrentes das novas tempestades.

O esforço dos eletricistas, técnicos e demais profissionais que trabalham na reconstrução da rede merece reconhecimento. A crítica não se dirige a esses trabalhadores, mas à capacidade de planejamento, prevenção, investimento e resposta da companhia.

Esse é um dos pontos que merecem maior atenção.

Consumidores relatam problemas de fornecimento mesmo em períodos de tempo bom. As queixas mencionam bairros de Maringá, Mandaguaçu e outras cidades paranaenses, além de propriedades rurais e condomínios próximos aos rios Paranapanema e Paraná.

São situações diferentes de uma emergência climática. Quando não existe tempestade, a explicação para interrupções recorrentes precisa ser investigada.

O consumidor tem o direito de saber se as falhas estão relacionadas à manutenção, à capacidade dos equipamentos, à vegetação próxima das redes, a defeitos pontuais ou a outras causas técnicas.

Esses relatos precisam ser confrontados com os registros de interrupção da distribuidora e os indicadores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Sem esse levantamento, não é possível afirmar que as falhas aumentaram após a privatização.

Entretanto, também não é razoável que reclamações recorrentes sejam tratadas apenas como inconvenientes passageiros.

Na zona rural, a interrupção de energia pode representar prejuízos que vão muito além do desconforto.

Uma propriedade que depende de refrigeração, ordenha mecanizada, irrigação ou equipamentos elétricos não pode simplesmente interromper suas atividades sem consequências.

Na produção de leite, por exemplo, a falta de energia pode comprometer o resfriamento e a conservação do produto. Na avicultura, a paralisação de sistemas de ventilação pode colocar animais em risco.

Comerciantes também enfrentam problemas. Açougues, supermercados, restaurantes, padarias e estabelecimentos que dependem de equipamentos de refrigeração ficam expostos à perda de mercadorias.

Já as indústrias podem sofrer paralisações, atrasos na produção e custos adicionais para retomar suas operações.

Esses prejuízos são riscos concretos associados à falta de energia. Para quantificar perdas efetivamente ocorridas em Maringá e na região, porém, é necessário reunir depoimentos identificados, documentos e valores comprovados.

Outro ponto que merece investigação envolve condomínios e áreas de lazer próximas aos rios Paraná e Paranapanema.

Segundo os relatos apresentados à reportagem, a instabilidade do fornecimento não se limita aos períodos de tempestade. Há reclamações relacionadas a épocas de maior ocupação, especialmente nas festas de fim de ano.

Nessas localidades, o aumento do consumo pode exigir maior capacidade da rede elétrica. Cabe à distribuidora explicar se a infraestrutura existente atende adequadamente à demanda e quais investimentos foram realizados para acompanhar o crescimento da ocupação.

Afinal, se os períodos de maior consumo são previsíveis, a preparação também deveria ser.

O problema não afeta somente quem utiliza os imóveis para lazer. Restaurantes, mercados, prestadores de serviços e outros empreendimentos que atendem essas comunidades dependem de energia para funcionar.

A identificação dos condomínios afetados, a frequência das interrupções e eventuais prejuízos ainda exigem documentação específica.

A privatização da Copel, realizada em 2023 durante o governo Ratinho Junior, alterou o controle acionário da companhia.

A defesa da desestatização esteve associada à expectativa de maior capacidade de investimento, modernização e eficiência empresarial.

Contudo, a eficiência de uma distribuidora de energia não pode ser medida apenas pelo desempenho financeiro.

É necessário verificar quanto tempo o consumidor permanece sem energia, quantas interrupções enfrenta, como a empresa responde às ocorrências e quais investimentos efetivamente melhoram o serviço.

A Aneel disponibiliza indicadores que permitem avaliar esses aspectos. Entre eles estão o DEC, que mede a duração média das interrupções, e o FEC, que mede sua frequência média. A base pública possui informações históricas desde 2010. Agência Nacional de Energia Elétrica

Esses dados permitem comparar períodos anteriores e posteriores à privatização. A comparação precisa considerar também a intensidade dos eventos climáticos e as características das redes atendidas.

Sem essa análise, tanto a afirmação de que a privatização resolveu os problemas quanto a de que ela piorou o fornecimento permanecem sem demonstração estatística suficiente.

Os resultados financeiros da companhia mostram que a Copel continua movimentando cifras expressivas.

Esses números mostram que a empresa registra lucros e realiza investimentos relevantes. Portanto, seria incorreto afirmar que a Copel deixou de investir após a privatização.

Mas os investimentos estão chegando aos locais onde os consumidores enfrentam interrupções frequentes? A manutenção preventiva é suficiente? As equipes disponíveis conseguem atender às ocorrências dentro de prazos adequados?

São perguntas que precisam de respostas técnicas, não apenas de apresentações financeiras.

Uma empresa pode apresentar resultados positivos aos acionistas e, ao mesmo tempo, enfrentar problemas localizados na prestação dos serviços.

A discussão não deve ser se a Copel pode obter lucro. Deve ser se a busca por rentabilidade está sendo acompanhada de investimentos suficientes para garantir qualidade ao consumidor.

Durante visita a Maringá, na quarta-feira (4), o governador Ratinho Junior elogiou publicamente o trabalho da companhia na recuperação da rede elétrica.

“A Copel tem feito um trabalho fantástico nesse momento emergencial.”

O reconhecimento ao trabalho emergencial não elimina a necessidade de fiscalização e cobrança.

O governo estadual defendeu a transformação da Copel em uma corporação de capital disperso, concluída em agosto de 2023. Com a operação, o Estado deixou de exercer o controle acionário da companhia.

A partir dessa decisão, a administração passou a responder à estrutura de governança da companhia, enquanto a distribuição de energia permanece submetida à regulação e fiscalização da Aneel.

Ratinho Junior não administra diretamente a operação cotidiana da Copel. Entretanto, como principal liderança política da privatização, pode ser cobrado pelos resultados da mudança que seu governo promoveu.

A questão é simples: se a privatização foi defendida como caminho para melhorar a eficiência, quais indicadores comprovam que o consumidor passou a receber um serviço melhor?

A defesa de um Estado menor costuma apresentar a iniciativa privada como alternativa para reduzir custos, eliminar estruturas consideradas desnecessárias e aumentar a eficiência.

Esse argumento, entretanto, precisa enfrentar uma particularidade do setor elétrico.

O consumidor residencial não pode escolher livremente outra distribuidora para substituir a Copel quando fica insatisfeito com o fornecimento.

Por isso, a fiscalização pública continua indispensável, independentemente de quem controla a empresa.

Se a companhia reduz custos, mas o consumidor enfrenta interrupções recorrentes, é necessário investigar se a economia empresarial está sendo acompanhada de melhoria operacional.

Também é preciso avaliar se os investimentos acompanham o crescimento das cidades, da atividade industrial e da produção rural.

Privatizar não significa eliminar a responsabilidade pelo serviço público concedido.

A Copel sustenta que mantém investimentos para ampliar e modernizar a rede elétrica.

Segundo suas demonstrações financeiras, a distribuidora investiu aproximadamente R$ 2,96 bilhões em 2025, acima dos R$ 2,20 bilhões registrados em 2024.

A empresa também informa que esses recursos contemplam novas subestações, redes de distribuição, modernização de equipamentos e melhorias no atendimento rural. FinancialFilings

Em relação ao tornado de Maringá, a companhia informou que mobilizou aproximadamente 1.100 profissionais para a recuperação do sistema e que havia restabelecido 96,4% das unidades afetadas até a manhã de sábado (7).

A empresa atribuiu os desligamentos aos danos provocados pelo fenômeno climático e informou que manteria as equipes mobilizadas até a conclusão dos serviços. Portal da Cidade Canção+1

Essas são as informações públicas da companhia consultadas para esta matéria. Não foi realizada, nesta apuração, uma solicitação específica de manifestação sobre os relatos de interrupções em períodos de tempo bom, os condomínios mencionados e as críticas à privatização.

É possível reconhecer a gravidade de um tornado, o trabalho dos eletricistas e os investimentos realizados pela Copel sem abrir mão de questionar a qualidade do fornecimento.

A recuperação de uma cidade depois de um desastre exige tempo, recursos e segurança. Mas a discussão sobre interrupções em dias de tempo bom é outra e precisa ser tratada com a mesma seriedade.

Produtores rurais, empresários e moradores não podem depender apenas de promessas de modernização. Precisam de fornecimento estável, manutenção adequada e respostas quando enfrentam prejuízos.

O governo Ratinho Junior defendeu a privatização como uma transformação positiva para o Paraná. Agora, os resultados precisam ser demonstrados também na ponta da rede, onde estão os consumidores.

Porque, quando o governador termina seu discurso, a vida continua. O produtor precisa manter seus equipamentos funcionando, o empresário precisa abrir as portas e as famílias precisam de energia em casa.

A eficiência da Copel não deve ser medida pelo volume dos aplausos ao governador, mas pela qualidade da energia que chega à tomada do consumidor.

#Cidades#Maringá
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