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'É mais sensato postergar' — Artur Grynbaum, do Grupo Boticário, defende adiar reforma tributária

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 31 de outubro de 2026 às 16:50
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'É mais sensato postergar' — Artur Grynbaum, do Grupo Boticário, defende adiar reforma tributária
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Artur Grynbaum, do Grupo Boticário, defende adiar reforma tributária: 'É mais sensato postergar' Artur Grynbaum critica falta de clareza nas regras e defende adiar implementação para 2028; pesquisa da ABF mostra que carga tributária é a principal preocupação das franquias Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário: “É mais sensato postergar a implementação da reforma tributária para 2028” ( Keiny Andrade/Divulgação)

Última atualização em 31 de outubro de 2026 às 13h38.

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, companhia com mais de 4 mil pontos de venda, defendeu postergar a reforma tributária para 2028, a pouco mais de dois meses do início da implementação. O executivo cita falta de clareza nas regras; pesquisa da ABF e do Sebrae mostra que 55% dos franqueadores apontam a carga tributária como principal desafio.

A pouco mais de dois meses do início da implementação da reforma tributária, empresas ainda enfrentam incertezas sobre as alíquotas e as regras que vão orientar a cobrança dos novos impostos. A falta de definições preocupa o setor e dificulta o planejamento para 2027.

“É mais sensato postergar a implementação para 2028”, afirma Artur Grynbaum, vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, durante entrevista coletiva na ABF Con, conveção que reúne as maiores franquias do Brasil.

Embora concorde com os princípios que deram origem à reforma, como a simplificação do sistema, Grynbaum questiona a falta de clareza sobre pontos que afetam diretamente a operação das companhias.

Um prazo maior, segundo ele, daria às empresas mais condições de se preparar e reduziria o risco de erros e disputas sobre a interpretação das regras.

A preocupação não é isolada. Um estudo realizado pela ABF em parceria com o Sebrae mostra que a carga tributária é o principal desafio apontado pelos franqueadores para os próximos 12 meses. O tema foi citado por 55% dos entrevistados, à frente de mão de obra, juros e acesso a crédito e inflação.

Um dos principais problemas apontados por Grynbaum é a falta de clareza sobre como as novas regras vão funcionar na prática. Sem definições sobre o cálculo de créditos e débitos tributários, as empresas têm dificuldade para estimar os efeitos da mudança sobre custos e rentabilidade.

A incerteza também chega à formação de preços. O executivo questiona como as companhias podem definir a precificação dos produtos sem saber exatamente quais regras tributárias deverão seguir.

Para uma operação da dimensão do Grupo Boticário, que conta com mais de 4 mil pontos de venda e GMV de R$ 38,1 bilhões, a adaptação envolve ainda sistemas, processos internos, controles de estoque e rotinas fiscais.

A companhia já mobilizou equipes para acompanhar a reforma e preparar a operação. Mesmo assim, Grynbaum vê dificuldades na transição, especialmente diante da possibilidade de trabalhar simultaneamente com dois sistemas tributários. Na avaliação dele, isso representa mais complexidade e custos para os negócios.

A preocupação vai além do Grupo Boticário e também se reflete nas decisões de investimento das redes de franquias. Nas entrevistas qualitativas da pesquisa da ABF e do Sebrae, franqueadores relataram que investidores têm adiado decisões à espera de definições sobre a reforma tributária.

A preocupação é ainda maior entre redes de médio e grande porte. Nesse grupo, 61% apontaram a tributação como um dos principais desafios para os próximos 12 meses, ante 44% das micro e pequenas empresas.

O estudo também aponta outros fatores de pressão sobre os negócios, como os juros altos, o aumento de custos, a compressão das margens e a sensibilidade dos consumidores aos preços.

O fim da escala 6x1 também preocupa o Grupo Boticário. Grynbaum chamou a atenção para o impacto que a mudança pode ter sobre lojas com equipes reduzidas.

"As operações menores são as mais afetadas. O impacto para lojas com dois ou três funcionários chega a 50%", diz o executivo.

O efeito, porém, varia conforme o modelo de negócio e o tamanho da operação. Para redes que dependem de atendimento presencial e funcionam aos fins de semana, a mudança pode exigir novas contratações ou redistribuição das equipes.

A preocupação encontra eco em um estudo de impacto realizado pela ABF em março de 2026. A entidade avaliou diferentes modelos de negócio, estruturas de funcionários e formatos de contratação e identificou um potencial aumento de 20% no custo da folha em determinados modelos, como restaurantes e outros segmentos analisados.

A pesquisa da ABF e do Sebrae também mostra que a mão de obra já é uma preocupação relevante para o franchising. 55% das redes relataram dificuldade grande ou muito grande para contratar e reter funcionários.

As mudanças regulatórias chegam em um momento de cautela para o varejo. Grynbaum avalia que o próximo ano deve ser desafiador para as empresas, em um ambiente marcado por juros elevados, pressão sobre a renda das famílias e consumidores mais atentos aos gastos.

“O cenário do varejo está mega desafiador”, diz Grynbaum. Uma das dificuldades apontadas por ele é a redução do fluxo de consumidores nas lojas físicas.

O custo do crédito também pesa sobre as decisões de investimento. Juros elevados tornam mais cara a expansão das operações e aumentam a concorrência entre investir em um negócio ou manter o capital aplicado em ativos financeiros. No franchising, esse cenário afeta tanto as redes que buscam crescer quanto os candidatos a franqueados que avaliam abrir uma unidade.

No Grupo Boticário, a estratégia para enfrentar as mudanças no comportamento do consumidor também passa por fortalecer a experiência nas lojas. A companhia tem investido em serviços que vão além da venda de produtos, como maquiagem, cuidados com a pele e cabelo e experiências de perfumaria. A ideia é aumentar o fluxo de clientes, estimular novas visitas e fazer com que a loja física tenha um papel que não se limite à transação comercial.

Para Grynbaum, o tamanho da operação não elimina a necessidade de se preparar para um ambiente em transformação. Entre a reforma tributária, a reorganização das jornadas de trabalho e um cenário econômico mais desafiador, o planejamento das empresas dependerá cada vez mais de previsibilidade e eficiência.

'Perguntas frequentes' Por que Artur Grynbaum defende adiar a reforma tributária para 2028? + Artur Grynbaum afirma que a falta de definições sobre alíquotas, créditos e débitos tributários dificulta o planejamento das empresas. Segundo o vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário, um prazo maior reduziria o risco de erros e disputas sobre a interpretação das regras.

A adaptação do Grupo Boticário envolve sistemas, processos internos, controles de estoque e rotinas fiscais em uma operação com mais de 4 mil pontos de venda e GMV de R$ 38,1 bilhões. Na avaliação de Artur Grynbaum, a convivência entre dois sistemas tributários deve elevar a complexidade e os custos.

A carga tributária é o principal desafio dos franqueadores para os próximos 12 meses, citada por 55% dos entrevistados em pesquisa da ABF com o Sebrae. Entre as redes de médio e grande porte, o percentual chega a 61%, ante 44% das micro e pequenas empresas.

Sim. Nas entrevistas qualitativas da pesquisa da ABF e do Sebrae, franqueadores relataram que investidores adiaram decisões enquanto aguardam definições sobre a reforma tributária.

Artur Grynbaum afirma que o impacto pode chegar a 50% em lojas com dois ou três funcionários. Um estudo da ABF de março de 2026 identificou potencial aumento de 20% no custo da folha em determinados modelos, como restaurantes.

Segundo Artur Grynbaum, juros elevados, pressão sobre a renda das famílias e consumidores mais cautelosos devem dificultar o próximo ano. O executivo também aponta a redução do fluxo nas lojas físicas e o encarecimento do crédito para expansão.

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