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denúncias crescem em 2026 — Assédio eleitoral nas empresas

A pressão pode incluir ameaças, promessas de benefícios e constrangimentos no ambiente profissional.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 19:20
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denúncias crescem em 2026 — Assédio eleitoral nas empresas
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 991 denúncias de assédio eleitoral em todo o país até 4 de outubro. O número representa um aumento de aproximadamente 1.066% em relação a 2022, quando haviam sido registradas 85 denúncias até 30 de setembro. Naquele ano, os registros se intensificaram na reta final da disputa, com 2.639 denúncias recebidas principalmente entre o primeiro e o segundo turno.

Com a corrida pela virada de votos no segundo turno de 2026, o aumento já observado no período pré-eleitoral, somado ao histórico de 2022, acende um alerta para a possibilidade de um volume ainda maior de denúncias até o fim da eleição. Na tentativa de conquistar votos na reta final da campanha, trabalhadores podem ficar mais expostos a pressões políticas no ambiente profissional, especialmente quando lideranças usam sua posição hierárquica para influenciar as escolhas dos funcionários.

O assédio eleitoral nas empresas pode envolver ameaças de demissão, promessas de benefícios e constrangimentos. Além das implicações legais, essas condutas afetam as relações de confiança nas equipes e levantam discussões sobre os limites da manifestação política no ambiente corporativo.

Dados da pesquisa Triângulo do Assédio e a Roda da Mudança Comportamental, realizada pela S2 Consultoria em 2025 com base em mais de 24 mil profissionais, mostram que o abuso de poder continua sendo um dos principais fatores associados a comportamentos abusivos nas organizações. No período eleitoral, esse risco também pode se manifestar por meio de tentativas de influenciar o posicionamento político das equipes.

Para Alessandra Costa, psicóloga e sócia da S2, o contexto das eleições costuma expor desafios que já existem na cultura organizacional. “Quando um líder usa sua posição para pressionar colaboradores, ainda que de forma indireta, ele reforça uma lógica de abuso de poder que compromete a segurança psicológica da equipe. O problema não está em ter opiniões políticas, mas em utilizar a hierarquia para influenciar escolhas que pertencem exclusivamente ao indivíduo”, afirma.

Segundo a especialista, empresas que cultivam ambientes respeitosos durante as eleições tendem a fortalecer a confiança entre líderes e equipes. “As organizações precisam compreender que pluralidade de pensamento faz parte da vida corporativa. O papel da empresa não é direcionar posicionamentos políticos, mas garantir que todos possam exercer seus direitos sem medo de retaliações ou constrangimentos”, diz Alessandra.

A advogada Carolina Ormonde Martins, sócia do TM Associados e especialista em Direito do Trabalho Empresarial, compliance trabalhista e relações sindicais, explica que gestores também possuem liberdade de expressão, mas devem considerar a relação de poder existente no ambiente corporativo.

– Uma opinião pessoal deixa de ser apenas uma manifestação individual quando é acompanhada do peso da autoridade exercida pelo gestor. Ameaças, promessas de benefícios, cobranças sobre posicionamento político ou qualquer sinal de que a escolha eleitoral possa influenciar a vida profissional do empregado podem configurar abuso de poder e assédio eleitoral – explica.

De acordo com a advogada, a legislação protege o pluralismo político, a liberdade de convicção e o sigilo do voto. Por isso, práticas como distribuição de material de campanha, uso de canais corporativos para pedir votos, convocação de reuniões com finalidade eleitoral ou exigência de participação em eventos políticos representam situações de alto risco para as organizações.

– O trabalhador não tem obrigação de revelar em quem pretende votar nem de apoiar qualquer candidatura. Caso se sinta pressionado, deve preservar provas, buscar os canais internos da empresa e, se necessário, recorrer aos órgãos competentes. A proteção legal existe justamente para impedir que a dependência econômica seja utilizada como instrumento de influência política – destaca Carolina.

As consequências para empresas e gestores podem ir muito além de conflitos internos. Dependendo da gravidade do caso, podem surgir responsabilizações nas esferas trabalhista, civil, eleitoral e até criminal. Entre as possíveis penalidades estão indenizações por danos morais, ações civis públicas, investigações do Ministério Público do Trabalho, reintegração de empregados dispensados de forma discriminatória e sanções previstas na legislação eleitoral.

Para evitar problemas, as especialistas recomendam que as organizações adotem uma postura institucional neutra durante as eleições, reforçando que a liberdade política dos colaboradores será respeitada. Treinamentos sobre assédio eleitoral, orientação específica para lideranças, canais seguros de denúncia e regras claras sobre o uso de recursos corporativos são medidas que ajudam a reduzir riscos.

Como parte das ações de conscientização sobre o tema, a S2 Consultoria realizou, em setembro, a Semana da Microdecisão, com a disponibilização gratuita do PIR Microdecisões – Assédio Eleitoral, uma ferramenta interativa com situações-problema relacionadas à pressão política e à liberdade de escolha no ambiente de trabalho. Com base nas respostas coletadas de forma anônima e analisadas de maneira agregada, a consultoria desenvolverá a pesquisa “Panorama Comportamental do Assédio Eleitoral 2026”, que buscará identificar situações de pressão eleitoral nas organizações e compreender como as pessoas se posicionam diante desses dilemas.

– Nem toda conversa sobre política precisa ser proibida. O diálogo respeitoso entre colegas pode acontecer naturalmente. O limite é o constrangimento, a discriminação ou qualquer tentativa de impor uma visão por meio da hierarquia ou do poder econômico – afirma Alessandra.

Alessandra reforça que muitas situações problemáticas não envolvem ameaças explícitas. “Existe um equívoco comum de acreditar que o assédio eleitoral só ocorre quando alguém diz claramente ‘vote em determinado candidato ou será demitido’. Na prática, a pressão costuma aparecer de forma indireta, por meio de comentários sobre possíveis demissões, perdas financeiras ou dificuldades futuras associadas ao resultado das eleições”, ressalta.

Fundada em 2014, a S2 Consultoria é referência nacional em ciência comportamental aplicada ao ambiente corporativo e na promoção de culturas éticas e transparentes. Seu trabalho se organiza em três pilares estratégicos: Prevenir, com a aplicação do PIR (Potencial de Integridade Resiliente) e outras ferramentas para mapear riscos e alinhar valores; Restabelecer, por meio de investigações corporativas conduzidas de forma técnica e imparcial, ajudando organizações a reconstruir ambientes íntegros; e Educar, com treinamentos, palestras e conteúdos que disseminam conhecimento e fortalecem lideranças.

Ao longo de sua trajetória, a S2 já atendeu companhias como Embraer, CSN, Vale, VLI, MRV, Votorantim, Brookfield, Gol, MRN, Localiza, Libbs, Tegra, Ypê, entre outras, consolidando-se como parceira estratégica na construção de organizações mais seguras e confiáveis.

Mais informações: https://s2consultoria.com.br.

O TM Associados é um escritório de advocacia empresarial que atua de forma estratégica e multidisciplinar para apoiar empresas em todas as etapas do seu desenvolvimento, da estruturação dos negócios à prevenção e solução de conflitos. Com forte atuação consultiva, o escritório reúne especialistas em Direito Societário, Tributário, Trabalhista, M&A, Contratual, Empresarial, Franquia e Franchising, Propriedade Intelectual, Imobiliário, Governança Corporativa, LGPD e Compliance, oferecendo assessoria jurídica integrada para empresas de diferentes portes e segmentos. Com sede em Jundiaí (SP) e atuação em todo o Brasil, o TM Associados tem como propósito transformar o jurídico em um instrumento de segurança, crescimento e geração de valor para seus clientes, atuando de forma próxima ao negócio e orientada à tomada de decisões estratégicas. Mais informações: https://tmassociados.com.br/

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