Criança falece após passar por vários atendimento no PA do Maria Isabel; família denuncia negligência
Asaph Nathan Santos Teodoro chegou ao Hospital Regional no colo da mãe, já em parada cardiorrespiratória.

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Consulte formatos e valores disponíveisUma criança de 3 anos morreu na manhã desta segunda-feira, dia 26 de outubro, em Assis, após passar por diversos atendimentos médicos ao longo de cinco dias, sempre com a mesma queixa de dor abdominal e vômitos. Asaph Nathan Santos Teodoro chegou ao Hospital Regional no colo da mãe, já em parada cardiorrespiratória. A equipe tentou reanimá-lo, mas ele não resistiu e não chegou a ser internado. A família afirma que, nas três idas ao Pronto Atendimento do Maria Isabel, o menino foi liberado com diagnóstico de virose e acusa os médicos que o atenderam na unidade de negligência.
Em entrevista ao Portal AssisCity, o padrasto, Thainan Júnior de Oliveira, relatou que os sintomas começaram na quarta-feira, dia 21, com uma dor na barriga. Na quinta-feira, 22, a criança vomitou, e os pais a levaram ao PA do Maria Isabel pela primeira vez. Segundo ele, o primeiro médico falou em virose, citou um surto da doença entre crianças na cidade e prescreveu medicação para náusea e gases. O menino voltou para casa, mas não quis comer e só aceitava líquidos.
Na sexta-feira, dia 23, à noite, o vômito voltou. Os pais levaram a criança novamente ao PA do Maria Isabel e apresentaram o prontuário da consulta anterior. De acordo com Thainan, o segundo médico manteve o diagnóstico de virose e fez apenas exame físico, pelo toque. O padrasto afirma que alertou sobre o inchaço da barriga e pediu um raio-X ou ultrassom, mas o pedido não foi atendido. Ele diz que o médico respondeu que não seria necessário e que “não ia dar em nada”.
Thainan relata ainda que percebeu sinais de desidratação severa e pediu que o soro fosse aplicado na veia, no próprio atendimento. A medicação intravenosa, com soro e vitaminas, foi feita sem intercorrências, e o menino apresentou melhora no sábado, dia 24.
No domingo, 25, a criança ficou com uma babá enquanto os pais trabalhavam. Por volta das 11h da manhã, a babá ligou avisando que ele havia vomitado de novo. A mãe, Midian de Paula, buscou o filho e o levou mais uma vez ao PA do Maria Isabel. Segundo Thainan, ele recebeu medicação por via oral e almoçou bem, mas o inchaço abdominal persistia. Em casa, a criança não conseguia sentar e queria ficar deitada. Os pais, que moram perto do PA, pensaram em levar a criança direto a um hospital caso o quadro não melhorasse, porque acreditavam que Asaph precisaria ser internado.
Ainda de acordo com o padrasto, por volta da meia-noite o menino acordou choramingando, com a barriga “muito inchada”. A família tentou massagens e ofereceu líquidos até a madrugada. Na manhã de segunda-feira houve uma melhora breve. Perto do meio-dia, segundo Thainan, o abdômen ficou tão distendido que a pele “brilhava”. Quando os pais se preparavam para ir ao hospital, a criança teve uma convulsão e vomitou um líquido escuro. Um vizinho levou a família ao Hospital Regional. A criança chegou em parada cardiorrespiratória, e a equipe tentou a reanimação por cerca de 40 minutos antes de confirmar a morte.
O laudo oficial ainda não foi entregue, e a informação não foi confirmada por fonte oficial, mas a família relatou ao Portal AssisCity que, no Instituto Médico Legal (IML) de Assis, foi informada verbalmente de que a causa da morte foi obstrução intestinal associada a uma gastrite infecciosa, com sinais de inflamação e vermelhidão na parede do intestino.
“ Se o médico tivesse encaminhado ele para algum hospital ou internado ele logo na primeira vez que buscamos atendimento, ou depois das três vezes que ele foi lá, nada disso teria acontecido ”, disse o padrasto, que afirma que a família pretende fazer uma denúncia formal e pede esclarecimentos sobre os atendimentos.
O velório de Assaph está sendo realizado nesta segunda-feira, às 23h, na sala 7 do São Vicente Prever. A data e o horário do sepultamento, no Cemitério Municipal de Assis, ainda serão definidos.
O Portal AssisCity entrou em contato com a Prefeitura de Assis, com a Secretaria Municipal de Saúde e coordenação do PA do Maria Izabel para questionar quantos atendimentos a criança recebeu, quais exames foram realizados e quais critérios foram usados para a liberação. Até a publicação, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.
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