Conheça a Cientista Eleita Personalidade do Ano Pela Câmara Britânica — Do Piauí a Oxford
Única brasileira no laboratório de um Nobel de Medicina, Joanna Lima lidera pesquisas sobre câncer na USP e auxilia jovens a estudarem no exterior O post Do Pia

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Consulte formatos e valores disponíveisA pesquisadora piauiense Joanna Lima foi eleita Personalidade do Ano de 2026 pela Britcham (Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil), principal fórum da comunidade empresarial e governamental Brasil-Reino Unido.
A cientista foi reconhecida por sua trajetória acadêmica até a Universidade de Oxford. Filha de mãe solo, Joanna foi a primeira de sua família a ingressar no ensino superior e a concluir mestrado e doutorado. “Tenho familiares, por exemplo, que entram na taxa de analfabetismo, que não sabem ler nem escrever”, disse em entrevista à Forbes Brasil.
Formada em ciências biológicas pela UFPI (Universidade Federal do Piauí), ela concluiu o mestrado e o doutorado na USP (Universidade de São Paulo). Por meio de bolsas de estudo, passou um período nos Estados Unidos antes de chegar a Oxford, na Inglaterra, em 2018.
Na universidade britânica, entre 2021 e 2026, foi a única pesquisadora brasileira a integrar o laboratório de Peter Ratcliffe, vencedor do Nobel de Medicina de 2019. Seu foco foi a pesquisa da oncogênese relacionada à perda do supressor tumoral VHL.
“Depois de um ano estudando lá com bolsa, fui contratada pela universidade e morei na Inglaterra por oito anos. Foi em Oxford que atingi o ápice da minha produção científica”, conta.
Joanna voltou ao Brasil em março deste ano para montar seu próprio grupo de pesquisa, com financiamento público. Atualmente, atua como pesquisadora e orientadora na Faculdade de Medicina da USP, desenvolvendo estudos sobre câncer renal.
Além do trabalho no laboratório, a pesquisadora criou o projeto “Aplique no Alvo”, que já orientou mais de 50 brasileiros no processo de admissão em algumas das instituições mais renomadas do mundo, como Oxford e Cambridge. “Meu foco não é só na parte laboratorial, mas também no lado social de ajudar alunos a irem para o exterior. Tento conscientizá-los sobre a necessidade não apenas da fuga de cérebros, mas do retorno desses talentos para o Brasil.”
Joanna também atua no Projeto Esperança, voltado para jovens em situação de vulnerabilidade, ensinando ciência, técnicas de estudo e inglês. “Enquanto cientista, sempre me senti culpada por estar, muitas vezes, distante da sociedade, mas acho que aos poucos estamos quebrando isso.”
A cerimônia de entrega do prêmio da Britcham está prevista para o dia 26 de novembro, no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro. Ao comentar o reconhecimento, Joanna reforça a importância de abrir mais caminhos para as mulheres na ciência.
“Diferentemente de antigamente, as mulheres hoje fazem parte da Academia, mas quando olhamos para os altos cargos, ainda somos minoria”, diz ela, que trabalha para mudar esse cenário. “Espero que essa conquista ajude outras meninas a enxergarem essa possibilidade, se sintam pertencentes ao mundo educacional e acadêmico, e vejam que também podem chegar mais longe.”
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