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como revisar sociologia para vestibulares e Enem — Trabalho por aplicativo, redes sociais e Marx

Relacionar situações atuais a conceitos de pensadores como Karl Marx e Émile Durkheim é uma das habilidades cobradas em vestibulares como o da USP, Enem e Unesp

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 08:00
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como revisar sociologia para vestibulares e Enem — Trabalho por aplicativo, redes sociais e Marx
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Como a sociologia ajuda a entender o trabalho por aplicativo, as redes sociais e outros temas do cotidiano? Relacionar situações atuais a conceitos de pensadores como Karl Marx e Émile Durkheim é uma das habilidades cobradas em vestibulares como o da USP, Enem e Unesp.

Com a proximidade dos exames, os candidatos precisam estar atentos à forma como a sociologia é cobrada nas provas. Segundo professores ouvidos pelo g1, as bancas examinadoras esperam mais do que conceitos, exigindo articulação entre teoria sociológica e situações concretas da sociedade.

📅 Anote na agenda: a primeira fase da Fuvest será realizada em 1º de novembro. Já o Enem será aplicado nos dias 15 e 22, e a primeira fase da Unesp, em 22 de novembro.

A educadora do Cursinho Popular Herbert de Souza e mestranda em Sociologia pela Unicamp, Alice Arbex de Souza, destaca que o estudante que vai prestar qualquer prova de sociologia precisa estar atento às notícias e às movimentações que acontecem na vida pública.

Ela ressalta que os vestibulares da USP, Unesp e o Enem têm características próprias nos formatos, mas a presença de temas atuais e a articulação com pensadores clássicos é uma constante nos três vestibulares.

Quais as diferenças entre as provas de sociologia da USP, Unesp e Enem?

As três avaliações (Fuvest, Unesp e Enem) compartilham um caráter fortemente interdisciplinar, apresentando conteúdos de sociologia integrados a questões de história, geografia e até mesmo às obras literárias obrigatórias.

Além disso, todas exigem do candidato atenção constante ao cenário político, à vida pública e aos acontecimentos globais, articulando frequentemente temas da atualidade com conceitos teóricos fundamentais. Veja algumas diferenças:

Fuvest (USP): costuma exigir maior conhecimento específico de conceitos e categorias de autores clássicos e contemporâneos. A prova tende a utilizar diversos artigos acadêmicos; por isso, a melhor maneira de se familiarizar com essa linguagem e compreender a complexidade das questões é resolvendo exames anteriores. Unesp: demanda menor memorização direta de conceitos e aposta na diversificação de linguagens textuais, recorrendo a imagens, gráficos, tirinhas e matérias jornalísticas. Enem: possui perfil predominantemente interpretativo, exigindo leitura atenta e boa compreensão dos textos de apoio, nos quais se baseiam as respostas. A prova aborda temas como exercício da cidadania, democracia e direitos humanos, priorizando a contextualização prática em vez da cobrança estrita de teorias.

Um exemplo citado pela educadora é a leitura de Marx sobre o trabalho mediado por plataformas. Nesse tipo de questão, o candidato deve ir além do 'problema do dia a dia' e entender como se organizam relações econômicas, sociais e de poder.

Outro tema apontado por ela é a fetichização das redes sociais, que costuma ser usada para analisar como as plataformas podem parecer 'independentes', enquanto as estruturas que sustentam esse ambiente ficam invisibilizadas.

“A sociologia problematiza os eventos e olha para sua complexidade. Então, toda análise rasa foge da abordagem sociológica".

O professor de humanidades do Colégio Oficina do Estudante, Bruno Baruffati, destaca cinco eixos de conteúdos de sociologia para revisar às vésperas dos vestibulares.

Cultura e transmissão de saberes: como as sociedades perpetuam comportamentos, valores e conhecimentos. Religião e artes: o papel dessas manifestações na organização da vida social e na construção de identidades. Etnocentrismo: como a hierarquização de culturas pode levar à inferiorização de grupos considerados diferentes. Autores para revisar: Claude Lévi-Strauss, que questionou a oposição entre pensamento primitivo e civilizado, e Ailton Krenak, cujas reflexões criticam concepções eurocêntricas de desenvolvimento.

Sistemas políticos: revise as características que definem regimes como a democracia e o totalitarismo. Legitimidade do poder: entenda como o poder político é justificado e reconhecido socialmente. Nas democracias, a soberania popular é um princípio fundamental. Conceitos-chave: democracia, Estado, poder, soberania, autoritarismo e participação política. Referência para estudar: o Dicionário de Política, organizado por Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, reúne definições de conceitos centrais da área.

Organização e mobilização: como os movimentos sociais articulam participantes em torno de causas comuns. Demandas e reivindicações: quais direitos, mudanças ou políticas públicas esses grupos buscam. Relação com o poder: como interagem com o Estado, as instituições e outros atores sociais. Ponto de atenção: saiba relacionar os conceitos teóricos a exemplos concretos de mobilizações sociais e de participação política.

Sociedade em rede: compreenda como as tecnologias digitais transformam a comunicação, o acesso à informação e as relações sociais. Uberização do trabalho: revise as mudanças nas relações trabalhistas associadas às plataformas digitais, incluindo a flexibilidade, a precarização e os debates sobre direitos e proteção social. Tecnologia e desigualdade: reflita sobre como o acesso às ferramentas digitais e a circulação de informações podem reproduzir ou ampliar desigualdades. Autores para revisar: Manuel Castells, com o conceito de sociedade em rede, e Tom Slee, que analisa criticamente a economia das plataformas e o discurso do compartilhamento.

Desigualdades sociais: entenda como raça, classe e gênero podem se combinar e produzir diferentes experiências de discriminação e exclusão. Racialização: revise como a raça é construída socialmente e utilizada para classificar grupos, influenciando relações de poder e desigualdades. Lugar de fala: compreenda como a posição social e as experiências de determinados grupos influenciam suas perspectivas e possibilidades de expressão no debate público. Autoras e autores para revisar: Lélia Gonzalez e Frantz Fanon, para refletir sobre racismo e relações sociais; Angela Davis e Djamila Ribeiro, para aprofundar as discussões sobre interseccionalidade, desigualdade e lugar de fala.

Leia o enunciado e identifique o tema central Conecte com um autor do repertório (Marx, Durkheim etc.) Use a referência para avaliar a alternativa correta Evite senso comum (que simplifica e culpa o indivíduo) Fuja de preconceitos, imediatismo e naturalização Mantenha um olhar crítico sobre o tema

Alice alerta que uma armadilha frequente nas questões de sociologia é oferecer alternativas que apontam a raiz e a solução de problemas sociais como algo restrito à responsabilidade individual, desconsiderando processos macroestruturais.

Ela cita que, em temas ligados ao desemprego, por exemplo, algumas opções podem responsabilizar a pessoa de forma isolada, e muitos alunos escolhem essas alternativas por não perceberem como a sociologia trata essas questões.

“Percebo que muitos alunos assinalam essas alternativas, porque não percebem que esse não é o modo pelo qual a sociologia aborda e trata problemas sociais".

Um dos exemplos de questões que promovem tensão e diálogo entre teorias sociológicas e temas atuais é a questão 45 da Fuvest de 2023, presente no modelo de prova K. “Esta questão relaciona (Max) Weber com as milícias do Rio (de Janeiro) e é um exemplo pelo claro dessa tendência dos vestibulares”, comenta a socióloga.

(Fuvest 2023) “Em nossa época, entretanto, devemos conceber o Estado contemporâneo como uma comunidade humana que, dentro dos limites de determinado território (...) reivindica o monopólio do uso legítimo da violência física. É, com efeito, próprio de nossa época não reconhecer, em relação a qualquer outro grupo ou aos indivíduos, o direito de fazer uso da violência, a não ser nos casos em que o Estado o tolere: o Estado se transforma, portanto, na única fonte do ‘direito’ à violência”. WEBER, Max. Ciência e Política: duas vocações. São Paulo: Cultrix, 1970.

“Com a entrada das milícias na disputa por territórios no Rio de Janeiro, elas passaram a se digladiar pelo domínio geográfico das comunidades cariocas e fluminenses (...). Embora as milícias também comandem a comunidade com tirania e sua autoridade se mantenha à base de ameaças, como fazem os traficantes, e aqueles que contestam seu poder possam perder a vida e sofrer torturas, ao contrário do tráfico, os milicianos se vendem como fiadores de mercadorias valiosíssimas: ordem, estabilidade e possibilidade de planejar o futuro, aliança política com o Estado e a polícia. (...) O lado impopular desse modelo é que a maior parte das receitas para bancar o negócio vem da extorsão dos habitantes”. PAES MANSO, Bruno. A república das milícias. São Paulo: Todavia, 2020.

A partir da definição de Estado proposta por Max Weber e de acordo com a citação de Paes Manso, como é possível analisar a atuação das milícias no Rio de Janeiro?

A) As milícias, assim como o Estado, controlam a população e mantêm a ordem em determinado território com o uso ilegal da violência, da ameaça e da extorsão. B) As milícias contribuem para o exercício do monopólio do uso legítimo da violência pelo Estado, pois garantem a imposição da ordem e o controle do tráfico nos territórios que dominam. C) As milícias desafiam o monopólio do uso legítimo da violência física do Estado ao utilizar a violência ilegalmente para controlar determinados territórios. D) As milícias diferenciam-se dos traficantes ao atuar pacificamente em resposta à reivindicação popular por maior estabilidade e ordem nos territórios em que atuam. E) As milícias e os traficantes, assim como o Estado, possuem autonomia e legitimidade para usar a violência e controlar territórios.

#Belém#Geral#Educação
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