como a Valora usa IA no crédito — Uma década de dados em cada análise
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Consulte formatos e valores disponíveisNa Valora Investimentos, a análise de um desvio de inadimplência pode recorrer a uma década de dados. O uso de IA no crédito permite examinar séries históricas mais extensas e identificar quando o comportamento de um fundo se afasta de seu padrão. Assim, a equipe ganha contexto para acompanhar o risco das operações.
“Alimentamos a inteligência artificial com nosso banco de dados proprietário, que acompanha mais de 50 índices de mais de 150 FIDCs. Em vez de olhar um cenário de 18 a 24 meses, a IA nos permite olhar uma planilha em 10 anos”, afirma Daniel Pegorini, CEO e fundador da gestora.
Com R$ 36 bilhões sob gestão e 20 anos de atuação, a Valora reuniu seu histórico em um data lake para alimentar suas aplicações de inteligência artificial. Os dados acumulados se tornaram matéria-prima para aprimorar o acompanhamento de investimentos que podem permanecer nas carteiras por anos.
Os fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDCs, fazem parte dessa trajetória. Os primeiros investimentos da casa nesses veículos datam de 2008 e 2009, quando ainda havia poucos produtos disponíveis. Desde então, a Valora acompanhou a diversificação do mercado e acumulou informações sobre o desempenho dos fundos.
Pegorini detalhou esse uso da tecnologia a Clara Sodré, analista de fundos da XP, no Espresso Outliers InfoMoney. A visita ao escritório integra a série de encontros com gestoras premiadas, no aquecimento para o Prêmio Outliers de 2027.
Neste ano, a Valora esteve entre os destaques da edição de 2026 da Premiação Outliers InfoMoney. A gestora conquistou dois troféus: 1º lugar em FI-Agro , além da 2ª colocação em FII Papel .
A terceira edição da premiação será realizada em 28 de janeiro de 2027 , no Teatro B32, na Faria Lima, em São Paulo (SP). Confira os detalhes da próxima cerimônia.
A inadimplência é um dos indicadores observados. Ao analisar o histórico de um fundo, o agente identifica movimentos fora do padrão e os aponta à equipe. Dessa forma, a avaliação do dado mais recente ganha a referência do comportamento daquele veículo ao longo do tempo.
Na renda fixa, a Valora aplica uma lógica semelhante às debêntures. O agente examina o comportamento de um título nos últimos 180 dias e sinaliza movimentos fora dos parâmetros definidos pelos gestores. Em seguida, esses alertas entram na reunião semanal de gestão, na qual a equipe analisa os casos.
A relação com um investimento de crédito estruturado pode durar vários anos. Por isso, concluir a estruturação é apenas uma etapa do trabalho. Depois, a gestora precisa acompanhar a operação, os pagamentos e as condições que sustentaram a decisão de investir.
“Em ativos estruturados, você corre uma maratona para chegar na linha de largada: depois de estruturar o produto, você vai viver dentro dele por 4 ou 5 anos. Nossa dinâmica de negócio não é de trade, é de buy and hold”, afirma Pegorini.
O uso dos FIDCs também atravessa diferentes atividades. Na entrevista, Pegorini descreve a expansão dos veículos para segmentos como cartões, crédito à pessoa física, consignado e agronegócio. A escolha do instrumento, segundo ele, parte das características da operação e da área de negócio que a origina.
Para desenvolver ferramentas adequadas a cada mercado, a Valora distribuiu os profissionais de dados entre suas cinco áreas: renda fixa, renda fixa estruturada, imobiliário, agro e infraestrutura. Cada uma tem duas ou três pessoas dedicadas à ciência de dados e à programação.
A estrutura segue uma escolha anterior da gestora, que mantém equipes operacionais próprias em cada área. Embora possa custar mais que uma operação centralizada, o modelo permite que cada negócio estabeleça suas prioridades. Assim, as ferramentas de IA no crédito são desenvolvidas perto de quem acompanha os investimentos.
Ao mesmo tempo, compliance, risco e ESG supervisionam o uso da tecnologia de forma centralizada. O trabalho inclui verificar a adequação das ferramentas e os cuidados com dados pessoais. Os desenvolvimentos vão da coleta de informações em diferentes fontes à criação de painéis e relatórios.
Na avaliação de Pegorini, os gastos devem ser comparados ao custo de obter aquelas informações de outra forma. A gestora incentiva a experimentação e considera que a tecnologia permite operar com uma equipe menor do que seria necessária sem ela. Segundo o executivo, a adoção não levou a demissões.
A tecnologia também reduziu de dois dias para 15 minutos a produção das lâminas dos fundos. Em outra aplicação, Pegorini recorreu ao Claude para sugerir o nome Safeguard a um fundo em preparação.
Entre as oportunidades de crescimento, Pegorini destaca agro e infraestrutura, embora ainda não sejam as maiores áreas da Valora. Ele vê espaço para o mercado de capitais ampliar o financiamento de atividades que dependiam mais dos bancos oficiais, com instrumentos adequados a prazos longos.
No agronegócio, a gestora começou financiando distribuidoras e cooperativas e ampliou a atuação com produtores rurais. As estruturas incluem garantias reais, como terras, mas também recebíveis e fluxos de pagamento. Dessa maneira, combinam patrimônio em garantia com recursos para realizar a operação ao longo do tempo.
“A gente gosta de trabalhar com garantias reais, sim, mas a gente não gosta de ser fazendeiro”, diz Pegorini. Além dos FIDCs, ele cita os certificados de recebíveis do agronegócio, os CRAs, e os Fiagros entre os veículos usados nessas operações.
A escolha das garantias e do veículo faz parte da estruturação. O acompanhamento segue pelos anos seguintes, quando os dados de desempenho passam a alimentar a análise da gestora. “A gente tem muito trabalho de acompanhamento, e nisso as inteligências artificiais ajudam muito”, afirma.
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