Caso Milton Leite: autoridades policiais Civil afasta delegados e diretor de cadeia
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

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Consulte formatos e valores disponíveisAfonso Braga/Câmara Municipal de SP São Paulo — A Polícia Civil paulista afastou, neste sábado (17/10), agentes de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, suspeitos de envolvimento em supostas regalias ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na cadeia pública da cidade, suspeito de envolvimento em um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) com empresas de ônibus. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
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Vereador Milton Leite (União), presidente da Câmara de São Paulo
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o vereador Milton Leite (União Brasil)
Em nota enviada ao Metrópoles , a pasta confirmou o afastamento imediato das funções que exerciam um carcereiro da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, além de três delegados e um investigador que atuam na Seccional da Polícia Civil do município, além de instauração de Inquérito Policial e Procedimento Correicional Disciplinar sem prejuízo da tomada de novas medidas que se façam necessárias.
“A medida foi adotada pela Polícia Civil para garantir a continuidade das apurações sem eventuais interferências, após a tomada dos depoimentos dos cinco servidores, prestados à Corregedoria Geral da corporação neste sábado (17), no âmbito da investigação de suspeitas de favorecimento indevido a presos na Cadeia.”
Ainda conforme a SSP, a Corregedoria Geral da Polícia Civil apoiou a operação do Ministério Público, realizada na sexta-feira (16/10) e determinou correições na Cadeia Pública e no 1º Distrito Policial para verificar os serviços e as rotinas administrativas e operacionais das unidades. “A SSP reafirma seu compromisso e das polícias estaduais com a transparência, a legalidade e a rigorosa apuração dos fatos. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias e individualizar eventuais responsabilidades”, finalizou o texto.
Na sexta-feira (16/10), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou a Operação Custódia (In)Fiel , contra favorecimentos indevidos a Leite, que foi presidente da Câmara Municipal durante o mandato como vereador. Ele nega as suspeitas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a Corregedoria Geral prestou apoio à investigação do MPSP e “determinou correições na Cadeia Pública e no 1° Distrito Policial de Mogi das Cruzes, com o objetivo de verificar a situação dos serviços e rotinas administrativas e operacionais das unidades”. A pasta informou que, caso irregularidades sejam constatadas, as medidas cabíveis serão adotadas, e reafirmou co compromisso com a transparência, legalidade e correta apuração dos fatos.
Em nota, a defesa de Milton Leite negou os supostos favorecimentos. “Milton não recebe nem recebeu nenhum tipo de regalia ou tratamento diferenciado na unidade em que está custodiado. Ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas a todos os demais custodiados, cumprindo as normas do estabelecimento.”
A reportagem contatou novamente a defesa do ex-vereador após a informação do afastamento dos policiais, mas não houve resposta até o momento. O espaço está aberto.
Os advogados de Milton Leite ainda afirmaram que denúncias de favorecimento devem ser apuradas com cautela e que o ex-vereador está à disposição das autoridades para colaborar com a apuração.
Milton Leite teve a prisão preventiva prorrogada por mais 30 dias pela Justiça paulista nesta semana. O político está preso desde o dia 18 de setembro, suspeito de envolvimento no esquema de infiltração do PCC no sistema de transporte público de São Paulo, no âmbito dos contratos públicos com a Transwolff — no qual é acusado de ser o verdadeiro dono da empresa. Ele não foi encontrado casa durante a operação e se entregou para a polícia.
À imprensa, Milton Leite declarou ser inocente e acreditar na Justiça. “Eu não cometi nenhum crime e nada devo. Eu nego todas as acusações e tenho convicção de que sou inocente. Eu acredito na justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito. A gente vai aguardar essa decisão pacientemente. Temos que respeitar as decisões da Justiça. Eu cumpri a decisão, me apresentei conforme prometido, conforme dito. Vim no dia que marquei, estou aqui sem nenhum problema”, disse na delegacia.
O político foi preso em setembro durante a Operação Vectura Corrupta, contra a infiltração do PCC no transporte público do estado. Segundo a investigação, o suposto esquema envolvia empresas, advogados, integrantes do crime organizado e agentes públicos para alcançar os objetivos da facção .
A operação foi um desdobramento de outra operação, deflagrada em agosto de 2024 e batizada de Decúrio . Na ocasião, as autoridades identificaram uma rede de comunicação entre integrantes da PCC e trocas de mensagens sobre a atuação do grupo.
A investigação cita a “contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na Capital e no interior”. No município de São Paulo, ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo seriam, em tese, controladas pelo PCC . Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais .
Os criminosos também utilizariam os sócios formais das concessionárias e empresas de ônibus como “laranjas” para ocultar os verdadeiros proprietários das empresas, que seriam integrantes do PCC. Além disso, o grupo também teria promovido ajustes prévios para direcionar licitações e obter contratos emergenciais em diversos municípios. Há registros de acordos para que as empresas passassem a ser administradas por membros da facção logo após vencerem as licitações, mediante repasse de propinas a agentes públicos .
As facilidades no setor, segundo a investigação, seriam obtidas em troca do financiamento de campanhas eleitorais de candidatos e cooptação de agentes públicos.
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