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Consulte formatos e valores disponíveisO crescimento do consumo de energia no Paraguai, que já vem reduzindo o excedente da hidrelétrica binacional de Itaipu destinado ao Brasil, poderá ganhar uma nova demanda com a instalação de um data center anunciado nesta semana pelo governo dos Estados Unidos.
O empreendimento começará a operar em 2027 e poderá alcançar 280 MW no longo prazo, potência que, se utilizada continuamente, equivaleria a quase 25% da energia da parcela paraguaia recebida pelo Brasil em 2025.
O projeto se insere em um movimento já considerado nos estudos de planejamento energético brasileiro. A usina binacional, que tem 14 mil MW de potência instalados, tem a geração de energia dividida de forma igual entre Brasil e Paraguai. O país vizinho, porém, historicamente não utiliza toda a capacidade disponível, e o Brasil é obrigado a comprar o excedente por um preço acordado entre as alas diplomáticas de seus respectivos governos.
Após décadas de estagnação, o consumo de eletricidade no Paraguai tem crescido, ancorado, principalmente, na chegada de data centers voltados para mineração de criptomoedas, atraídos pelo baixo preço da energia. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME), entre 2023 e 2025, o fornecimento de Itaipu ao Paraguai aumentou 32%, enquanto a energia da parcela paraguaia destinada ao Brasil caiu 53%.
O anúncio feito pelo governo dos Estados Unidos marca um novo momento dessa expansão do consumo de energia do Paraguai. A americana Crusoe divulgou nesta quinta-feira, 22 de outubro, detalhes da parceria com a paraguaia Araico para desenvolver o empreendimento.
A primeira etapa deverá entrar em operação em meados de 2027, com expansão até 106 MW de capacidade de tecnologia da informação (TI), cerca de 10% da energia excedente de Itaipu enviada ao Brasil ano passado. No longo prazo, a empresa prevê a possibilidade de ampliação até os cerca de 280 MW, ou 23,5% do total exportado em 2025.
“Esse montante é pequeno, mas pode ser o começo de um novo negócio para Itaipu, o que, naturalmente, pode aumentar a utilização pelo Paraguai dessa energia, com implicações para o Brasil”, disse Luiz Barroso, CEO da PSR, à MegaWhat.
Para Barroso, a atração de novos data centers poderá, no longo prazo, levar o Paraguai a utilizar toda a sua parcela da produção de Itaipu, eliminando o excedente atualmente destinado ao Brasil.
Segundo dados do MME, o volume de energia da parcela paraguaia comercializado no Brasil caiu de 22,203 milhões de MWh em 2023 para 12,973 milhões de MWh em 2024 e 10,455 milhões de MWh em 2025.
No mesmo período, o fornecimento de Itaipu ao Paraguai aumentou de 19,515 milhões de MWh para 25,768 milhões de MWh. A geração total da hidrelétrica passou de 83,879 milhões de MWh em 2023 para 72,879 milhões de MWh em 2025.
Segundo o presidente da EPE, Thiago Prado, a redução do excedente destinado ao Brasil já é considerada nos estudos de planejamento. Ele citou como exemplo a decisão de revitalizar inicialmente apenas um dos dois bipolos do sistema de transmissão em corrente contínua que transporta a energia de Itaipu entre Foz do Iguaçu (PR) e Ibiúna (SP).
A modernização completa das conversoras do Bipolo 1 foi priorizada, enquanto a decisão sobre uma intervenção equivalente no Bipolo 2 ficou condicionada à evolução da demanda paraguaia e à disponibilidade de energia para o Brasil.
Embora o Brasil hoje tenha uma sobra estrutural de energia, a eletricidade de Itaipu contribui com o atendimento dos picos de consumo, no fim do dia, quando não há geração solar. Por isso, a redução do envio de eletricidade do Paraguai contribuiu com a contratação do leilão de reserva de capacidade (LRCap) de março, voltado para termelétricas e hidrelétricas, e também vai ter reflexos na demanda do certame de baterias previsto para dezembro.
Pelo Tratado de Itaipu, assinado em 1973, Brasil e Paraguai têm direito a metade da energia produzida pela hidrelétrica. A legislação brasileira, por sua vez, determina que a energia seja destinada às distribuidoras das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
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