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25.out.2026 às 12h56 Atualizado: 25.out.2026 às 16h07 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Penápolis (SP) e São Paulo A líder opositora María Corina Machado voltou à Venezuela neste domingo (25), após quase um ano fora do país. Vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, ela tenta retomar o protagonismo político em meio às negociações sobre a transição política no país, conduzidas pelo regime interino de Delcy Rodríguez sob a tutela dos Estados Unidos.
"Estou aqui. Com vocês", escreveu María Corina nas redes sociais ao anunciar sua volta.
Ela visitou uma igreja no estado de Lara. O Vente Venezuela, seu partido, publicou uma imagem dela rodeada por apoiadores e outra participando de uma missa, com terços pendurados no pescoço. "Com fé e com Deus ao seu lado, reencontra os venezuelanos e sua terra! Seja bem-vinda", escreveu a conta oficial da legenda.
Edmundo González Urrutia, que concorreu à Presidência com o apoio de María Corina em 2024 depois de ela própria ter sido impedida pela ditadura, também celebrou o retorno. "É com imensa emoção que anuncio a vocês que nossa líder, minha querida María Corina, está em território venezuelano", escreveu. Ele afirmou que pretende se reunir com ela no país em breve.
Ainda não há detalhes de como a opositora conseguiu entrar no país. Segundo Marco Rubio, o chefe da diplomacia americana, as condições que permitiram o retorno seguro da venezuelana são resultado direto das negociações de reconciliação apoiadas pelos EUA.
María Corina deixou a Venezuela em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz, após passar mais de um ano na clandestinidade para evitar a prisão. Proibida pelo chavismo de sair do país desde 2014, ela teve de fazer uma viagem clandestina até Oslo, na Noruega, e sua filha acabou recebendo a láurea na cerimônia. Depois de uma breve passagem pelos EUA, instalou-se na Cidade do Panamá, de onde fez várias tentativas, todas sem sucesso, de retornar a seu país.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Críticos afirmam que o governo de Donald Trump deixou de lado a oposição liderada por María Corina, abandonando as exigências por eleições livres em favor de acordos de petróleo e investimentos com Delcy. A líder da oposição inclusive contestou o acordo de petróleo entre Washington e Caracas.
Até este sábado, María Corina somava ao menos sete tentativas frustradas de retorno à Venezuela, por ar, terra e mar. A primeira, em 26 de junho, terminou com o avião privado que a levava a Curaçao sendo instruído a voltar aos EUA ainda em voo, após uma comunicação americana ao piloto. Dias depois, ela tentou embarcar em um voo comercial da Copa Airlines rumo a Caracas, mas a companhia havia recebido advertência de Caracas sobre possíveis sanções caso a transportasse.
A última tentativa pública de que se tinha notícia ocorreu no mesmo dia em que Trump se encontrou com Delcy, às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de link Cadeado representando um link Copiar link Ícone fechar Carregando... Após os terremotos gêmeos que atingiram a Venezuela em junho, autoridades americanas teriam pedido reservadamente que María Corina adiasse seu retorno e se opuseram às suas tentativas de entrar novamente no país.
O retorno ocorre em um momento de incerteza sobre o calendário eleitoral venezuelano. Após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro, Delcy, ex-vice do ditador, permaneceu no poder e passou a negociar com Washington e setores da oposição mudanças nas instituições eleitorais e judiciais. Trump e Delcy afirmaram que haverá eleições, mas sem citar prazos ou datas.
O Vente Venezuela está fora dessas conversas. A opositora defende que a eleição presidencial ocorra até julho de 2027. A oposição afirma que González venceu o pleito de 2024, cuja apuração completa nunca foi divulgada pelo regime de Maduro.
Na quinta-feira (22), milhares de venezuelanos participaram de protestos em Caracas e outras cidades para exigir eleições livres, um calendário eleitoral e a libertação de presos políticos. Foi a primeira mobilização nacional da oposição em quase dois anos.
O alto escalão do governo americano, incluindo o próprio Trump, vem afirmando que a Venezuela ainda não está pronta para realizar um pleito, afastando as expectativas de uma normalidade democrática. O retorno de María Corina, portanto, aumenta a pressão para que as eleições e uma transição de regime sejam de fato concretizadas.
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