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Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 31 de outubro de 2026 às 13:15
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Flamengo e Fluminense estamparam em suas camisas frase em protesto contra o veto às bets Imagem: Gilvan de Souza / Flamengo Ouvir na voz do colunista 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) atribuiu à proibição das bets o crescimento de 6,5% nas vendas do varejo alimentar entre 5 e 11 de outubro. Os números foram publicados em reportagem do UOL no dia 28, quarta-feira.

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) divulgou nota questionando os números propagados pela ABRAS. O blog confirmou que eles não comprovam que a proibição das apostas tenha provocado o aumento das compras de alimentos.

De fato, levantamentos da própria entidade que reúne os supermercados mostram que o setor já avançava antes da medida. Entre 14 e 20 de setembro, as vendas em valor cresceram 7,9% em relação à semana correspondente de 2025.

A MP foi publicada em 25 de setembro e a retirada das plataformas legalizadas do ar em 6 de outubro. O crescimento, portanto, já ocorria antes da medida do governo, que mal explorou esses índices, a ele favoráveis, na campanha pela reeleição do presidente Lula.

O percentual de 7,9% está na página 2 do Monitoramento Semanal NielsenIQ e ABRAS da semana 38. Trata-se de aumento das vendas em dinheiro, sem descontar a inflação, e não necessariamente de maior quantidade de produtos comprados.

Há evidência de crescimento real anterior à proibição. No indicador de Consumo nos Lares referente a agosto, a própria ABRAS informa alta de 2,69% sobre agosto de 2025 e de 2,71% no acumulado do ano, descontada a inflação. Ou seja, a expansão das compras já aparecia quando as bets legalizadas ainda operavam!

A cronologia é importante. Segundo o calendário divulgado pela Câmara dos Deputados, novos depósitos foram proibidos em 25 de setembro. O prazo para saques voluntários terminou em 5 de outubro, e o bloqueio dos sites e aplicativos foi estabelecido para o dia seguinte.

São datas distintas, que precisam ser consideradas ao avaliar eventuais efeitos sobre o orçamento das famílias. Para a semana de 5 a 11 de outubro a página 2 do monitoramento ABRAS/NIQ da semana 41 registra alta de 7,4% nas vendas em valor.

O fato de as vendas crescerem antes do veto às bets não demonstra que a proibição deixou de produzir algum efeito adicional. Ao mesmo tempo, também impede que se apresente a expansão posterior como prova suficiente do sucesso da medida.

A redução das transferências via PIX também não significa, obrigatória e isoladamente, que o dinheiro antes destinado às apostas chegou aos supermercados. Seria preciso identificar quanto deixou de ser apostado e qual foi o destino dos recursos.

E não se deve ignorar a presença das bets piratas. Sem as legalizadas o mercado ficou à disposição delas, consequentemente ainda mais fortes após a proibição das casas de apostas que haviam sido autorizadas pelo governo.

Como escrevi nesta coluna em 28 de setembro, extinguir as autorizações não elimina automaticamente a atividade. Como previsto, operadores clandestinos continuam captando clientes por novos endereços e outros canais.

A pergunta permanece: quantos brasileiros deixaram de jogar e quantos migraram para plataformas ilegais? Essa migração envolve perda de controle sobre identificação de apostadores, acesso de menores e mecanismos de auto-exclusão.

O Estado também perdeu arrecadação e informações úteis à fiscalização, enquanto os custos sociais e de saúde associados às apostas continuam existindo. Os danos da ludopatia e do endividamento exigem políticas eficazes e avaliações rigorosas.

Se a Associação Brasileira de Supermercados sustenta que a proibição aumentou as compras de alimentos, deveria comprovar qual parcela do crescimento decorreu dela. Contudo, os documentos da própria entidade mostram que o consumo já avançava antes da MP e da data determinada para a retirada das plataformas do ar.

Atribuir à proibição o resultado apresentado exige mais do que constatar que os mercados associados à ABRAS estão vendendo mais. No entanto, como diz o jornalista Lucio de Castro, "sob tortura os números dizem qualquer coisa".

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

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