Atualização: Quintais Ecológicos, Meio Ambiente e Agricultura Familiar Urbana
A mensagem central compartilhada pelas autoridades ambientais internacionais destaca que: “Os quintais produtivos e […] O post Quintais Ecológicos, Meio Ambient

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Consulte formatos e valores disponíveisA Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), junto a outras agências ambientais globais, defende ativamente o papel estratégico dos quintais agroecológicos (comumente chamados nos relatórios internacionais de home gardens ou quintais agroflorestais).
A mensagem central compartilhada pelas autoridades ambientais internacionais destaca que: “Os quintais produtivos e familiares não são apenas uma herança cultural, mas sim ecossistemas fundamentais para a resiliência climática, a salvaguarda da agrobiodiversidade e a garantia da soberania alimentar frente às crises globais”.
Já a Agência Europeia do Ambiente (EEA) destaca três pilares fundamentais que justificam a promoção desses espaços: 1) Biodiversidade Conectada: a Agência Europeia do Ambiente (EEA) reforça diretamente em suas campanhas: “Traga a natureza para a sua casa! Os quintais residenciais são essenciais para os polinizadores, para a saúde do solo e para a biodiversidade”; 2) Mitigação Climática: conforme estudos destacados pela ONU e publicados na Nature Climate Change, pequenos sistemas agroflorestais e quintais integrados são reconhecidos hoje como uma das maiores contribuições do setor agrícola para o clima, com potencial de sequestro de carbono comparável ao de grandes reflorestamentos; e 3) Sustentabilidade Urbana:
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) defende a urgência de “trazer a natureza de volta para as cidades”. Transformar quintais urbanos subutilizados em áreas microprodutivas diminui as ilhas de calor, em vez de áreas cimentadas e impermeabilizadas; esses quintais ecológicos gerenciam melhor o escoamento da água e criam resiliência econômica comunitária, evitando alagamentos e desastres ambientais tão comuns nas áreas urbanas totalmente impermeabilizadas.
É importante situar os Quintais Ecológicos/Produtivos no contexto da ecologia integral, com destaque para a agricultura urbana e a arborização urbana. Esta última tem duas dimensões. Uma delas é a arborização dos espaços públicos, como calçadas, praças, ilhas centrais de grandes avenidas, pátios de edifícios públicos como escolas, creches, unidades de saúde e outros mais.
Cabe também mencionar ou enfatizar que os quintais ecológicos fazem parte da agricultura urbana, cumprindo inúmeras funções socioambientais, principalmente porque tanto o Brasil quanto a grande maioria dos países têm passado por um processo intenso e acelerado de urbanização.
Atualmente, a taxa de urbanização, ou seja, o percentual da população vivendo nas cidades no mundo, em 2025, foi de 58%, o que equivale a mais de 4,8 bilhões de pessoas. O Brasil tem uma taxa de urbanização bem superior à média mundial: em 2025, conforme dados do IBGE, era de 87,5% da população total do país, ou seja, mais de 185 milhões de pessoas vivem nas cidades em nosso país. Mais da metade deste contingente representa boa parte dos pobres e excluídos, morando nas periferias urbanas, onde a agricultura urbana e os quintais ecológicos poderiam fazer parte de um grande projeto nacional de inclusão socioambiental e econômica, evitando ou reduzindo o assistencialismo manipulador.
Diante da crise alimentar mundial, a agricultura urbana e periurbana é responsável por cerca de 15% a 20% do abastecimento global de alimentos, com destaque para a produção de hortaliças, verduras, frutas frescas, ovos e outras proteínas animais.
No Brasil, o potencial da agricultura urbana e dos quintais ecológicos é enorme, podendo atingir mais de 40% da produção dos alimentos consumidos pela população urbana, principalmente produtos hortifrutigranjeiros e boa parte da proteína animal, por meio da criação de pequenos animais, dentro de normas sanitárias regulamentadas.
Assim, os quintais ecológicos são uma das manifestações mais comuns e acessíveis da agricultura urbana, pois envolvem o cultivo de alimentos, plantas medicinais e a criação de pequenos animais em espaços residenciais inseridos no perímetro urbano ou periurbano.
Nesse sentido, a FAO também enfatiza a importância da agricultura urbana, tanto no modelo de economia solidária, por exemplo as hortas comunitárias, quanto nas iniciativas no modelo de agricultura familiar, neste caso, urbana.
Por isso, a FAO define e promove a Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) como um conjunto essencial de práticas de produção, transformação, distribuição e reciclagem de alimentos e produtos agrícolas realizadas dentro ou no entorno das cidades.
É importante destacarmos os aspectos enfatizados e defendidos pela FAO para promover tanto a Agricultura Urbana e Periurbana em geral quanto os quintais ecológicos, entre os quais podemos mencionar: segurança alimentar e nutricional; geração de emprego e renda; sustentabilidade e resiliência climática; cidades mais verdes e com melhor qualidade de vida.
Mesmo diante da importância e de tantos benefícios produzidos pela agricultura urbana e pelos quintais ecológicos, a FAO nos alerta que esses modelos produtivos ainda enfrentam desafios como a falta de inclusão no uso do solo urbano e a ausência de políticas públicas nacionais, estaduais e municipais estruturadas na maioria dos países pesquisados, inclusive no Brasil.
Em praticamente todas as cidades existem muitos espaços privados e públicos totalmente desocupados, sem uso produtivo, incluindo verdadeiros latifúndios urbanos. Essas áreas podem muito bem ser aproveitadas racionalmente como os Quintais das casas/residências, principalmente nas periferias urbanas ou periurbanas, onde existem mais espaços livres ou até mesmo áreas internas dos edifícios, ou seja, são espaços privados.
A agricultura urbana e os quintais ecológicos também podem estar inseridos na luta por arborização urbana. No caso da arborização dos espaços públicos, é fundamental que as Prefeituras elaborem e enviem para aprovação da Câmara de Vereadores e depois seja sancionada pelo Prefeito uma Lei Complementar que passará a ser o Plano Diretor Municipal de Arborização Urbana, PDAU.
Sem o PDAU, a arborização feita por moradores ou organizações não governamentais, de forma voluntária e sem a existência de critérios técnicos, que devem estar contidos no PDAU, pode ser em vão ou até mesmo equivocada em relação aos tipos de árvores a serem plantadas, que podem danificar as calçadas ou ser plantas invasoras.
Sem o PDAU, não há como disciplinar o plantio em relação à largura das calçadas e às podas e outros cuidados técnicos necessários para uma arborização correta.
Já a arborização dos Quintais, como os espaços são privados, há mais liberdade, mas desde que obedeça às boas normas legais em relação à vizinhança, como distanciamento dos muros e divisas entre as propriedades e outros critérios a serem regulamentados em Lei Municipal.
Todavia, ocupar racionalmente os espaços privados, as áreas não construídas, evitando acúmulo de matagal, lixo e o problema de animais peçonhentos é importante e necessário, pois a arborização desses espaços ajuda a melhorar o clima, já que as árvores de grande porte como as mangueiras, abacateiros, jaboticabeiras, jaqueiras, pitombeiras, acerolas, cajueiros contribuem significativamente para o sequestro de carbono e outros gases de efeito estufa, além do sombreamento, que reduz as ilhas de calor e dá mais umidade — enfim, melhorando o clima.
Além disso, as árvores frutíferas, até mesmo as de ciclo anual como o mamoeiro, produzem frutas que são alimentos tanto para as pessoas quanto para os animais e pássaros, contribuindo para o equilíbrio da biodiversidade animal e vegetal, aspecto tão importante para a ecologia integral.
Além das árvores frutíferas, os Quintais Ecológicos/Produtivos podem também reservar espaços para plantas medicinais, hortas domésticas, ou, no caso de espaços em edificações públicas, hortas comunitárias, plantio de tubérculos como mandioca, batata, inhame e outros mais.
Associado aos Quintais Ecológicos/Produtivos, outro aspecto importante é a produção de mudas, a partir de bancos de sementes, para serem doadas às famílias e serem transplantadas e cuidadas pelas mesmas.
Como podemos perceber, este é um esforço coletivo, e quanto mais gente, pessoas, famílias estiverem envolvidas, os resultados serão mais significativos, principalmente a médio e longo prazo. A preocupação com as futuras gerações é fundamental, é um aspecto muito importante na defesa da ecologia integral, em que os Quintais Ecológicos/Produtivos podem cumprir um papel fundamental, como já mencionado.
Por exemplo, mesmo não tendo um quintal grande, em minha casa cultivo várias plantas, inclusive maracujá, mamão, acerola, e também, ao longo dos dois últimos anos, tenho produzido mudas de plantas frutíferas como caju, abacate e outras mais. Mesmo sendo de forma “artesanal”, já produzi mais de 200 mudas.
Há pouco mais de um mês, utilizando caixas de leite ou de suco e terra preta, consegui plantar mais de 120 sementes de caju, que atualmente já estão se transformando em belas mudas, gerando novas vidas e contribuindo para o cuidado com nossa Casa Comum.
Isto é ação concreta individual que não substitui a luta coletiva exigindo que a Prefeitura (no caso, Cuiabá) tome providências para que o PDAU seja uma realidade e para tantas outras lutas na forma de uma mobilização profética.
É importante que as Prefeituras definam e implementem políticas e programas para estimular o desenvolvimento da agricultura urbana e dos quintais ecológicos. Cabe ressaltar que o governo federal já possui o Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP), instituído pelo Decreto nº 11.700/2023, cabendo aos Estados e Municípios integrar-se a este esforço nacional.
Em relação à Igreja, consoante a opção preferencial pelos pobres e a defesa da ecologia integral, como parte das Diretrizes da Ação Evangelizadora no Brasil para o período de 2026 a 2032, precisamos fortalecer as pastorais sociais na dimensão de uma pastoral de conjunto e colocar todas as nossas ações também nos contextos da conversão ecológica e de uma educação ecológica/ambiental libertadora, reforçando a economia solidária, a chamada Economia de Francisco e Clara, como proposta pelo Papa Francisco e abraçada pelo Papa Leão XIV. Esta é a dimensão sociotransformadora de uma Igreja Sinodal, em saída e profética.
Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral. E-mail: [email protected]. Instagram: @profjuacy. WhatsApp: 65 9 9272-0052.
Emagrecer mais nem sempre significa emagrecer melhor. Em tempos de canetas emagrecedoras, essa diferença precisa ocupar o centro da conversa. Os medicamentos ampliaram as possibilidades de tratamento da obesidade, mas sua popularização também exige uma reflexão sobre limites, acompanhamento e expectativas. O objetivo de um tratamento deve ser melhorar a saúde. A busca por um corpo cada vez menor pode se afastar desse propósito.
Na cirurgia plástica, essa transformação já aparece no perfil de quem procura atendimento. Houve, no meu consultório, um crescimento da demanda de pacientes que, depois de perdas expressivas de peso com medicamentos, buscam corrigir flacidez, excesso de pele e perda de volume corporal. São questões que passaram a ganhar mais espaço também nos encontros científicos da especialidade.
A mudança ajuda a explicar por que o resultado na balança nem sempre corresponde à expectativa diante do espelho. A gordura diminui, mas a pele pode não acompanhar essa redução. Abdômen, mamas, braços e coxas podem apresentar sobras de tecido. Isso pode acontecer após grandes emagrecimentos por diferentes métodos, inclusive quando o tratamento foi bem conduzido. Não significa, por si só, que houve uso inadequado do medicamento.
É preciso reconhecer o avanço que medicamentos como a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, representam quando bem indicados. A obesidade é uma doença crônica e merece tratamento. No Brasil, a indicação aprovada para controle do peso contempla adultos com obesidade ou sobrepeso associado a determinadas condições de saúde, em conjunto com alimentação e atividade física. A decisão de usar exige avaliação clínica.
A preocupação surge quando a potência dessas ferramentas alimenta a ideia de que sempre é possível e desejável perder mais alguns quilos. Precisamos questionar a banalização do uso para atender a pressões estéticas e a transformação do emagrecimento em uma meta sem fim. O sucesso de um tratamento não pode ser medido apenas pela velocidade com que o número na balança cai.
Parte dessa perda pode envolver massa muscular. Por isso, preservar força, capacidade física e uma alimentação adequada precisa fazer parte do plano desde o início. O treino de força, como a musculação, associado à ingestão suficiente de proteínas e ao acompanhamento nutricional, ajuda a reduzir a perda muscular durante o emagrecimento.
Comer cada vez menos, sem avaliar a qualidade e a quantidade do que se consome, pode comprometer o resultado de saúde que se pretende alcançar.
Na cirurgia plástica, isso tem uma consequência prática: atingir determinado peso não basta para estar pronto para operar. É necessário avaliar estabilidade do peso, condições nutricionais, saúde geral e expectativas. A retirada de pele exige planejamento, envolve cicatrizes e tem riscos. Em alguns casos, o cuidado mais responsável será adiar o procedimento até que o paciente esteja em melhores condições.
Também precisamos olhar com atenção para a relação de cada pessoa com o próprio corpo. Como princípio de cuidado, considero indispensável acolher quem permanece insatisfeito, mesmo depois de uma grande transformação, e compreender o que sustenta o desejo de continuar emagrecendo. A aparência, isoladamente, não permite diagnosticar um transtorno. Mas o sofrimento com a imagem corporal merece escuta e, quando necessário, avaliação de profissionais de saúde mental.
Essa conversa deve acontecer sem julgamento. Quem enfrenta obesidade precisa de acesso a tratamento, e quem sofre com excesso de pele merece ter sua queixa levada a sério. Ao mesmo tempo, cabe ao médico estabelecer limites quando a expectativa ameaça a segurança. Nem toda insatisfação será resolvida com uma nova dose ou uma nova cirurgia.
Há ainda uma distinção fundamental: continuar o tratamento para manter o peso perdido é diferente de buscar emagrecer indefinidamente. A manutenção deve fazer parte do cuidado de uma doença crônica. Ajustar ou interromper a medicação exige uma decisão compartilhada com o médico responsável.
As canetas emagrecedoras ampliaram as possibilidades da medicina. Nossa responsabilidade é fazer com que essa evolução se traduza em saúde, autonomia e qualidade de vida. O melhor resultado precisa preservar a pessoa por inteiro. Isso inclui saber quando emagrecer, quando manter e quando deixar de perseguir um número menor.
Eduardo Sauter é cirurgião plástico em Mato Grosso e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
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