Atualização: Obras no calçadão de SP derrubam faturamento de comerciantes em até 70%
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Consulte formatos e valores disponíveisVictor Aguiar/Metrópoles As obras de requalificação nos calçadões do centro de São Paulo permanecem em andamento — e, para muita gente, seguem sendo motivo de insatisfação. Iniciadas na região do Quadrilátero Histórico, na República, em julho de 2025, os trabalhos se encontram em diferentes estágios de andamento em cada uma das ruas englobadas — algumas já avançadas, enquanto outras, como a comprida Rua Barão de Itapetininga, praticamente intocadas.
O cenário mais caótico no momento é o da Rua Dom José de Barros, que já havia sido tema de reportagem publicada pelo Metrópoles em setembro do ano passado, pouco menos de três meses após o começo dos trabalhos na via.
De lá para cá, a situação mudou um pouco. Na reportagem anterior, o foco havia sido na parte da rua mais próxima à Avenida São João onde, agora, os trabalhos já foram concluídos. Nesses 12 meses, os trabalhos foram deslocados para a parte mais próxima da Rua 7 de Abril, que conta com bares, restaurantes, uma galeria e uma academia, além de outras lojas.
Entre os comerciantes do local, as opiniões são quase unânimes: o movimento foi duramente afetado, com a grande maioria dos lojistas entrevistados pelo Metrópoles relatando quedas de 30% a 40% no faturamento — “na UTI”, diagnostica um deles, Edson, do restaurante Frigideira, que afirmou ter medo de precisar demitir funcionários caso as obras se arrastem.
Para os bares, o impacto foi ainda maior: a dona de um dos bares presentes na via afirmou ter tido uma queda de 70% no faturamento, agravada, principalmente, pelo fato de não poder colocar mesas na rua que, antes das obras, costumava lotar em toda sua largura — especialmente nas noites de sexta-feira e sábado.
Dona de outros dois estabelecimentos na região, ela, que preferiu não se identificar, conta que tem precisado transferir grande parte de seus ganhos nas outras lojas para conseguir arcar com o aluguel do bar na Dom José de Barros.
Aliás, a questão das mesas é central para empresários do ramo. Alguns, como Paulo, do bar Esquina da 7, chegaram a se arriscar mesmo com as interdições — a ousadia para tentar amenizar os prejuízos rendeu uma multa de R$ 5,9 mil.
Outra unanimidade diz respeito à falta de auxílio: na (única) conversa promovida com os comerciantes do local, a Prefeitura de São Paulo não fez menção a quaisquer tipos de auxílios ou benefícios, como a redução do Imposto Predial e Territorial Urbano ( IPTU ), por exemplo — talvez pela previsão relativamente curta de duração da obra, de 90 dias. Por essa estimativa, os trabalhos na Dom José de Barros deveriam ser finalizados entre novembro e dezembro — previsão que parece deixa espaço para questionamentos, a julgar pelo atual cenário no calçadão.
O fim das obras não significou, para outros comerciantes, o fim da dor de cabeça. É o caso de lojas na Rua Marconi, onde praticamente toda a requalificação já foi concluída, com exceção do cruzamento com a Rua 7 de Abril.
Cícero, gerente do restaurante Marconi, relatou à reportagem que, mesmo após o fim das obras, o movimento ainda não voltou ao normal. “Ficava só um corredor para passagem”, relembra. “Era um canteiro de obras, ninguém vai querer entrar assim.”
O relato é corroborado por José, do restaurante Vitrine, do outro lado da rua, que também lamentou a dificuldade de não ter podido colocar messas para fora do estabelecimento. No fim, optou por abrir o restaurante somente na parte do dia, com uma queda de aproximadamente 30% dos rendimentos no almoço, e de 100% no período da noite.
Indignado, contou conforme apuração dos redatores da Empire Cidades que as contas apertaram tanto que precisou vender um apartamento para conseguir honrar com os pagamentos. Ele também lembra de questões sanitárias causadas pela obra, como o aparecimento mais frequente de ratos e baratas, em função da abertura de tubulações da Sabesp, além de dias em que o canteiro ficava vazio, sem ninguém trabalhando.
Para Marcelo, da lanchonete Central, na esquina com a Rua Barão de Itapetininga, a queda no faturamento foi de 40%. “Já voltou uns 20% [desde o fim das obras, há cerca de dois meses]”, avalia.
“Lembro exatamente do dia em que começaram as obras: 1º de julho de 2025”, conta Marcelo. Ele acrescenta que a previsão inicial dada pela prefeitura, na única comunicação realizada com os comerciantes, era de 90 dias para a conclusão das obras. No fim, os trabalhos na Rua Marconi levaram aproximadamente um ano e dois meses.
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