Atualização: O despertar dos pacificadores
A reitoria e o MP se manifestaram sobre o conflito político-eleitoral na UFRN, protagonizado por ativistas de direita e esquerda.

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Consulte formatos e valores disponíveisAlex Medeiros Jornalista [Instagram @alexmedeiros1959]
E de repente testemunhamos uma súbita descoberta nos ambientes das autoridades acadêmicas e institucionais. A reitoria e o MP se manifestaram sobre o conflito político-eleitoral na UFRN, protagonizado por ativistas de direita e esquerda.
Durante décadas, os campi brasileiros viveram uma experiência singular. Consolidou-se uma curiosa concepção de pluralismo ideológico, onde todos podiam falar e erguer punhos, desde que concordassem.
Faixas, assembleias, manifestações, palavras de ordem e ocupações eram celebradas como expressões vibrantes da democracia, desde que apontassem invariavelmente para o mesmo lado do espectro ideológico. O estudante conservador, liberal ou simplesmente discordante existia como uma espécie de personagem folclórico. Quando muito, era tolerado como quem observa um animal raro num zoológico intelectual.
Quando ousava manifestar suas ideias, recebia como boas-vindas uma chuva pedagógica de rótulos: fascista, reacionário, extremista, inimigo da ciência, agente do atraso histórico e outras delicadezas sociológicas.
Durante anos, os corredores universitários (e também nos IFs) funcionaram como pequenas repúblicas autônomas do pensamento único. Não era um problema. Não havia notas alarmadas. Não surgiam manifestos comovidos sobre a necessidade de proteger a convivência democrática.
Mas algo perturbador aconteceu segunda-feira em Natal. Estudantes decidiram expressar publicamente uma posição divergente. De repente, o impossível ocorreu: apareceu oposição dentro da fortaleza e os alarmes tocaram.
A reitoria descobriu a importância da pacificação. O MP percebeu a necessidade de investigar tensões ideológicas. Parlamentares passaram a demonstrar enorme preocupação com o clima político universitário. Que coincidência extraordinária. O pluralismo tornou-se uma causa nobre exatamente quando o contraditório resolveu bater à porta de Humanas. O mais curioso é que os discursos atuais são irrepreensíveis na teoria.
Fala-se em diálogo, respeito, tolerância e convivência democrática como valores indispensáveis. A pergunta é apenas uma: onde estavam esses princípios quando uma só corrente política dominava a universidade?
Afinal, defender liberdade de expressão para quem concorda conosco é tarefa elementar. O teste democrático sempre será outro, que é aceitar a presença de quem pensa diferente. E é aí que algumas instituições são reprovadas.
Agora, diante da estreia de vozes dissidentes na antiga casamata do gramscismo e das ortodoxias identitárias, surgem apelos à paz, à moderação e ao respeito mútuo. Melhor tarde do que nunca, né mesmo?
Mas permanece a impressão de que certos árbitros só resolveram entrar em campo quando perceberam que o jogo, pela primeira vez, teria dois times. Antes, assistiam tudo com serenidade de monges tibetanos.
Nunca houve uma nota enérgica quando a fonte da violência vinha da esquerda. Até os casos de assédio sexual nas salas de aula e corredores jamais foram combatidos como deveriam; seguem no posta-restante.
Nenhuma convocação urgente em defesa da boa conduta, da convivência democrática. Nenhuma preocupação visível com o eventual constrangimento das vítimas ou de quem pensava diferente nos assuntos políticos.
A paz reinava absoluta. Mas sempre foi a paz produzida na ausência do contraditório. E que agora apareceu, peitando os fanáticos e rasgando as máscaras de quem por anos só protegia a choldra parasita.
Tremeu Está mais que evidente o medo do PT num desgaste maior de Lula no debate da Globo. A única estratégia encontrada até agora foi a ridícula e risível ameaça de não ir ao debate se Flávio não abrir seu sigilo fiscal e bancário.
Complicou Após tantos resultados do tracking diário, o marketing da campanha do Stalinácio depara-se com um problema complicado. Já não é mais prioridade virar o voto na reta final, mas inverter a rejeição, coisa praticamente impossível.
Nordeste Para complicar mais, os índices das últimas pesquisas apontam mais perda de Lula nos estados nordestinos e um crescimento de Flávio em algumas capitais e não apenas em Maceió, onde surpreendeu vencendo no primeiro turno.
Lulinha E a reta final da campanha terá sobre Lula a sombra tenebrosa da Polícia Federal investigando seu filho, principalmente após as denúncias da lobista Roberta Luchsinger. A PF pediu mais tempo para descobrir os “esquemas”.
Propaganda Falta um assunto relevante no debate dos problemas da Meta com as campanhas de Flávio e Lula. Por que nas últimas eleições os partidos podem torrar milhões nas big techs e não podem anunciar em sites e blogs nacionais?
Bomba Todo mundo já sabe e já viu o estrago que Nikolas Ferreira, Pablo Marçal e Lucas Pavanato estão fazendo no PT, onde seus views superam ídolos mundiais. E agora Marçal promete publicar um vídeo bombástico no sábado.
Cinema A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo tem um capítulo especial até terça-feira no Solar Fábio Prado (Av. Faria Lima, 2705). Desde ontem até lá, haverá os lançamentos de diversos livros com a temática da sétima arte.
Poesia Do poeta Alberto Caieiro, uma das personas de Pessoa, e aquele que mais explorou o arcadismo como contracorrente do barroco: “Que triste não saber florir / ter que pôr verso sobre verso / como quem constrói um muro”.
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