Atualização: O brasileiro vive mais, mas adoece por mais tempo. E a conta chega às empresas
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Consulte formatos e valores disponíveisO brasileiro vive mais, mas adoece por mais tempo. E a conta chega às empresas Levantamento exclusivo da VR, com mais de 309 mil atestados médicos, revela que doenças crônicas deixam trabalhadores fora de suas funções por 13,7 dias e quase dobram o tempo de afastamento Mulheres concentram 65% dos afastamentos por doenças crônicas; Entre os afastamentos por doenças em geral, elas representam 49% dos casos
Última atualização em 31 de outubro de 2026 às 13h36.
Priorizar nos meus resultados Google O brasileiro está vivendo mais, mas não necessariamente com mais saúde. Em média, 12,5 anos da vida são passados com problemas médicos, segundo um estudo recente publicado na revista internacional The Lancet.
Em 1990, eram 10,4 anos. O avanço da longevidade, portanto, traz um desafio: como manter profissionais saudáveis e produtivos por mais tempo no mercado de trabalho?
Um levantamento exclusivo da empresa de benefícios VR, obtido pela EXAME, analisou mais de 309 mil atestados e revelou que doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, câncer, ansiedade e depressão, provocam afastamentos de 13,7 dias, em média, quase o dobro dos 7,1 dias registrados por outras doenças agudas e ocupacionais.
O estudo analisou registros de mais de 1,3 milhão de trabalhadores de empresas clientes da VR entre julho de 2025 e julho de 2026. Nesse período, 154.773 profissionais precisaram se afastar por motivos de saúde, acumulando 309.423 atestados médicos e quase 2,2 milhões de dias de ausência.
Embora representem cerca de 6% dos atestados analisados, as doenças crônicas foram responsáveis por 12% de todos os dias de ausência. Ao todo, foram 18.829 registros relacionados a essas condições, que somaram 257.958 dias fora do trabalho.
Os números mostram como problemas de saúde que exigem acompanhamento contínuo podem ter um peso desproporcional sobre a rotina das empresas. Mais do que a quantidade de profissionais afastados, a duração dessas ausências passa a ser uma questão para a gestão de pessoas.
O cenário tende a ganhar relevância à medida que a população brasileira envelhece.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida ao nascer chegou a 76,6 anos em 2024, um avanço de mais de três décadas em relação aos 45,5 anos registrados em 1940.
O envelhecimento também deve mudar a composição da população. Pelas projeções, a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais, que representava 15,6% da população em 2023, deverá alcançar 37,8% em 2070.
Mas viver mais não significa, necessariamente, viver todos esses anos com saúde.
Na prática, isso significa que parte dos anos adicionais de vida é acompanhada por doenças, limitações ou outras condições de saúde. Esse indicador não representa necessariamente períodos contínuos de incapacidade, mas é um retrato de uma população que vive cada vez mais.
Para as empresas, a mudança impõe uma discussão sobre como conciliar carreiras mais longas, acompanhamento médico, prevenção e condições de trabalho adequadas a profissionais que convivem com doenças crônicas.
"O brasileiro está permanecendo mais tempo no mercado de trabalho. Para ter qualidade, a saúde precisa integrar a gestão do dia a dia, da mesma forma que metas e resultados ", destaca Willian Gil, diretor executivo de Assuntos Jurídicos, Relações Institucionais e Governança Corporativa da VR.
Segundo o executivo, o cuidado com a saúde dos funcionários em diferentes fases da vida também deve fazer parte das estratégias de sustentabilidade dos negócios.
O levantamento da VR também revela que o impacto das doenças crônicas não se distribui igualmente entre os trabalhadores.
Enquanto os afastamentos por doenças em geral apresentam uma divisão relativamente equilibrada entre homens (51%) e mulheres (49%), as trabalhadoras respondem por 65% dos casos relacionados a condições crônicas.
A diferença chama a atenção principalmente porque a maior parte desses registros não está concentrada nas faixas etárias mais avançadas.
De acordo com a pesquisa, 59% dos atestados por doenças crônicas são de profissionais entre 25 e 44 anos, faixa que corresponde a uma parcela importante da população economicamente ativa.
Outros 19% dos registros são de trabalhadores entre 45 e 54 anos. Já os profissionais de 15 a 24 anos respondem por 12% dos casos, enquanto aqueles com 55 anos ou mais representam 9,5%.
O recorte socioeconômico também mostra uma concentração nas classes B e C, responsáveis por 34% e 57% dos casos, respectivamente.
A convivência com doenças crônicas já representa um desafio para trabalhadores em diferentes etapas da carreira, e não apenas para aqueles próximos da aposentadoria.
Embora o envelhecimento da população seja uma tendência de longo prazo, os resultados mostram que as empresas já precisam lidar com a gestão de profissionais que necessitam de tratamentos prolongados e acompanhamento médico contínuo.
Para o diretor da VR, isso exige ambientes de trabalho mais flexíveis, capazes de conciliar as necessidades de saúde dos funcionários com a continuidade de suas atividades.
"Por trás de cada atestado longo existe uma pessoa lidando com uma condição que pede tratamento contínuo, cabendo à empresa criar um ambiente acolhedor, acessível e flexível para que esse trabalhador consiga se cuidar", concluiu.
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