Atualização: Na Corrida Pelo VIP dos VIPs, Delta Investe US$ 1 Bilhão em Nova Classe Executiva
No maior investimento premium da história da aérea, americana renova sua business class com suítes privativas, amenities da grife Missoni, alta gastronomia e lo

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Consulte formatos e valores disponíveisNo mundo das viagens de hoje, todos querem ser o VIP dos VIPs. A batalha para estar associado com a melhor e mais premium experiência, seja ainda em terra ou no ar, segue constante e atinge marcas, bancos e, claro, companhias aéreas.
O que não faltam são exemplos e novidades. Só em Guarulhos, o BTG Pactual tem seu próprio terminal independente, o Itaú abriu este ano sua sala ultra-vip Pedra Preta para clientes de alta renda (clientes Personnalité e Private), e a Mastercard refez um dos seus lounges com cara de “luxo silencioso” para atender os 1% mais ricos. A British recentemente anunciou a maior business class do mundo, com 106 lugares, a Air France renovou as suítes da primeira classe com chaises e cinco janelas por pessoa e a Emirates teve um gasto bilionário no seu programa de vinhos e champanhes raros.
Quem acaba de dar sua cartada nesse jogo de tabuleiro é a Delta Airlines . A companhia americana fez seu maior investimento na história da empresa para dobrar a aposta no segmento premium: investiu US$ 1 bilhão na renovação de sua classe mais exclusiva, a Delta One .
Até o começo do ano que vem, serão 42 aviões Airbus A350-1000 remodelados com a nova configuração executiva, com assentos maiores e melhorias no programa de comida, vinhos e amenities. A novidade já estreia nos voos transoceânicos a partir de Los Angeles no início de novembro, e chega à rede global da aérea – Brasil incluso, especialmente nas rotas em São Paulo – em março de 2027.
“Era fazer isso agora ou ficar obsoleto em três anos. Iríamos perder a onda em um mercado que é tão competitivo. Essa é a aposta do futuro”, diz Maurício Parise , brasileiro que é VP global de customer experiences da Delta, à Forbes Brasil .
Há 29 anos na companhia, o executivo nunca viu tanta demanda pela business class. “ O apetite para a classe executiva, principalmente depois do Covid-19, aumentou muito . A prioridade de onde gastar dinheiro mudou na cabeça das pessoas: agora é viagem, viagem, viagem”.
Mas dentro dessa mudança, não basta qualquer coisa. “O desejo de ter uma experiência melhor no caminho até o destino teve um salto dramático”, afirma Parise. A maior diferença para Parise é o público dos passageiros premium: hoje existe uma quantidade de viajantes a lazer na classe executiva que não se via antes, quando a cabine era dominada pelos engravatados. O novo perfil traz novas demandas: “Quando é pago do seu próprio bolso, e não pela sua empresa, você vai esperar muito mais. A expectativa de entrega é altíssima”.
Para elevar o nível da entrega, o time liderado pelo brasileiro levou pelo menos três anos para desenvolver o design e serviço das novas cabines.
Nos assentos, a maior mudança da Delta na última década : suítes padronizadas, totalmente fechadas e com mais privacidade aos passageiros. As camas 100% planas agora terão dois metros de comprimento e estofado extra, enquanto as telas de entretenimento saltam de 18 para 24 polegadas.
1 / 5 2 / 5 3 / 5 4 / 5 5 / 5 O sono leva um toque de grife também. Os cobertores e travesseiros (sim, no plural, pelo menos dois por passageiro) são assinados pela marca italiana Missoni . Famosa pelos tricôs coloridos e padronagens em ziguezague, seus desenhos estampam as pantufas, meias, nécessaires e tapa olhos da categoria – com novas estampas a cada seis meses, para acompanhar as estações.
Dentro dos kits de amenities, o skincare está garantido com produtos da marca australiana de beleza natural Grown Alchemist . Além dos típicos creme de mãos e balm labial, a aérea incluiu eye patches na sua executiva: um par de adesivos de hidratação para a área dos olhos.
O grande investimento, no entanto, foi na mesa. A companhia reconstruiu do zero seu programa gastronômico e a carta de vinhos. “Nosso objetivo é que a comida a bordo atinja o mesmo nível de referência de excelência dos melhores restaurantes do mundo”, explica o chef e consultor da Delta Simon Hulstone , um dos grandes nomes da cozinha britânica e detentor de uma estrela Michelin há duas décadas no restaurante The Elephant.
Na nova fase, a intenção era não ter firulas no cardápio, mas comida boa, reconhecível e com ótimos ingredientes. Tem hambúrguer de wagyu com queijo e cebola caramelizada, cordeiro braseado com demi-glace de vinho tinto, e robalo assado com molho de shoyu e gengibre, por exemplo. No serviço, para lembrar ao máximo um restaurante em terra firme, os molhos, a partir de agora, serão servidos pelos comissários na hora, direto no prato. Quando o assunto é sobremesas, o já tradicional carrinho de doces da companhia ganha reforço de um sundae montado na hora com calda de chocolate, farofa de pecãs e um beignet de topping.
Para a harmonização, os esforços também foram superlativos. A nova seleção, feita por Andrea Robinson – que atua há 20 anos como executiva da empresa e fez história como uma das primeiras mulheres a conquistar o título de Master Sommelier nos Estados Unidos –, foca em rótulos de pedigree. “Esse é o investimento mais significativo no programa de vinhos que já presenciei. Redirecionamos nosso foco para ícones clássicos da Califórnia, mergulhando profundamente em Napa Valley”, explica ela.
A seleção final inclui pesos-pesados como rótulos da vinícola californiana Silver Oak e safras especiais de Paul Hobbs. Na taça, a parceria da Delta com o champanhe Taittinger foi ampliada para os brindes antes da decolagem, e coquetéis como Hugo Spritz e Paloma passarão a ser servidos a bordo na versão com ou sem álcool. O clássico Blanton’s, o primeiro bourbon single barrel à venda no mundo, também entra na nova carta.
A média de uma passagem Delta One, só de ida, gira em torno de R$ 17 mil.
Mas não basta só ter luxos a 30 mil pés; hoje, o investimento da aérea também é altíssimo no solo. As ground experiences atingem seu ápice nos lounges Delta One em grandes hubs dos EUA, abertos desde 2024: Nova York (no JFK), Los Angeles, Seattle, Boston e, em breve, em Atlanta – a base da companhia e o aeroporto com maior volume de passageiros do mundo.
A Forbes Brasil experimentou os serviços no JFK, a começar com uma área dedicada de check-in e segurança. Nada de filas ou estresse no raio-X ou na imigração, tudo é feito separado.
Uma vez dentro do lounge, passageiros têm a difícil tarefa de escolher o que fazer primeiro: uma massagem no centro de wellness ou um jantar de três passos no restaurante . A repórter que vos escreve, por exemplo, fez uma massagem facial (com produtos Grown Alchemist) e aproveitou 30 minutos em poltronas high-tech e zero-gravidade de massagem, em uma sala reservada e escura, ao som do tranquilizante barulhinho de água corrente e movimentos relaxantes por todo o corpo.
Por agendamento (e sem custos adicionais), você também pode fazer tratamentos focados na área do pescoço e das costas ou uma massagem corporal completa com um profissional especializado. Até botas de compressão, usadas por atletas para recuperação muscular, estão disponíveis. Quem quiser tomar banho antes de voar tem à disposição suítes com chuveiro, roupões, pantufas e até um armário com vaporizador, para passar suas roupas a vapor.
Renovada, é a vez de escolher o menu no restaurante principal, estilo brasserie . Com 140 lugares, a operação impressiona, quase a ponto de se esquecer que estamos no aeroporto. No menu de inspiração francesa, as opções incluem tartar de salmão, salada niçoise, ratatouille de legumes, mexilhões cozidos no vapor, New York Strip com batatas, souflé de chocolate e Paris-Brest. Aos mais indulgentes, o serviço de caviar não falha: 30 gramas de esturjão siberiano podem ser adicionados à refeição e harmonizados com champanhe.
Quem estiver com pressa pode se servir direto do farto buffet, com estações de gyro (sanduíche típico grego, no pão pita), massas, pizza, saladas, padaria e doces.
Com os serviços nos últimos dois anos, a Delta já viu mudanças e mais atração de clientes. “Já vi passageiros que pensaram: ‘Vou tentar uma vez de Delta para ver se é tudo isso mesmo’. E trocaram de companhia aérea não apenas pelo que acontece no ar, mas pelos nossos lounges”, diz Parise.
Para a americana, o mercado brasileiro é hoje uma peça indispensável – e com perspectivas claras de expansão. A visão da companhia para o país é de longo prazo: “ O Brasil só vai continuar crescendo. Queremos mais voos e aviões maiores “, garante Parise.
O grande desafio atual da empresa, no entanto, é se consolidar como uma marca top of mind entre os passageiros de luxo por aqui. “Nos Estados Unidos, a Delta é a empresa mais respeitada. No Brasil ainda não é o caso, então tem muito lugar para crescer”, reconhece o executivo. A principal barreira é geográfica: a companhia concentra suas operações em seus mega hubs de Atlanta e Nova York e não tem voos diretos para Miami. Essa ausência na rota que é a grande “queridinha” do turismo brasileiro resultou, por muito tempo, em um menor conhecimento da marca pelo público geral.
A estratégia para virar esse jogo e conquistar a mente (e o bolso) do viajante nacional passa pela aposta na experiência premium e pela joint venture firmada com a Latam. Ao compartilhar rotas e malha aérea, a Delta consegue colocar os clientes frequentes da parceira sul-americana dentro de seus aviões e lounges.
Uma vez dentro desse ecossistema, a aposta é usar a qualidade da Delta One e de suas salas VIPs para romper o hábito automático do brasileiro de voar com a concorrência.
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