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Atualização: MISSÃO SABER

Aline Bei aborda em romance

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 14:39
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Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Siga Tab no Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× As ausências de uma família podem virar 'presenças' que organizam a vida de quem fica, disse a escritora Aline Bei ao comentar o romance 'Uma Delicada Coleção de Ausências' no Missão Saber , do Canal UOL.

Na entrevista a Murilo Garavello, ela explicou como construiu a falta da personagem Glória, que atravessa a rotina de quatro gerações de mulheres e funciona como motor do mistério do livro.

Eu estudei a ausência da Glória. Primeiro esse nome: ela já chegou com o nome dela. Diferente do título, que demorou o livro todo para aparecer, o nome das personagens veio direto. Quando apareceu Glória, eu achei que esse nome era uma metáfora por si mesma. O fato de justo a mulher que não está nessa casa ter um nome tão luminoso, tão cheio de simbolismos, eu imaginei que tinha alguma coisa muito estranha acontecendo nessa casa, alguma coisa terrível. Foi dessa forma que eu trabalhei essa história dupla que o livro conta. Aline Bei

A autora disse que, na superfície, o romance acompanha a rotina de mulheres de uma mesma família e a chegada da bisavó à casa da menina Laura, que não a conhecia. Já por baixo, outra história vai se revelando aos poucos.

A superfície é a rotina dessas mulheres, com uma ou outra novidade, como a chegada da bisavó na vida da menina, que é uma grande surpresa pra ela. A bisavó é uma aparição também no sentido histórico. Ter bisavó viva, morando na casa e não ter mãe, torna a Laura numa experiência familiar muito atípica. Aline Bei

Para a escritora, a mãe ausente não some do texto: ela é 'materializada' tanto pelo efeito emocional nas personagens quanto pela forma do próprio livro, que tenta naturalizar a ausência como parte do cotidiano.

A mãe é essa ausência: ela não volta, ela não aparece, mas ela é uma presença materializada no livro. Seja pelo modo como ela faz falta pra menina e também pra Margarida, mas também plasticamente. Essas ausências são presenças mesmo. Eu quis trabalhar um pouco isso no texto. Aline Bei

Bei também explicou que escreveu pela primeira vez um romance mais longo em terceira pessoa e que isso exigiu um narrador capaz de se infiltrar no pensamento das personagens sem perder a leveza.

O narrador da Delicada observa e se infiltra no pensamento, ele é poroso. Quando ele está muito interessado em uma personagem, ele adentra o pensamento dela e a gente tem um monólogo interior. Essa técnica eu estudei muito para fazer de forma sutil, porque esse trânsito entre a cabeça de uma personagem, a vida de fora e a vida de dentro não é fácil fazer com leveza. Aline Bei

Siga Tab no Aline Bei: 'Violência contra a mulher é de estrutura' Na entrevista, a autora comentou a presença de personagens masculinos que causam desconforto e afirmou que o livro se ancora em situações reconhecíveis, que aparecem em relatos e estatísticas e se repetem em diferentes gerações.

Quando a gente começa a ver que é uma questão de estrutura e não de indivíduo, a gente começa a ver que tem uma estrutura permissiva que promove esse tipo de atitude, uma violência que é naturalizada e que às vezes se estabelece num grau que a gente reconhece como algo quase sutil, banal. Não é uma coisa que eu estou inventando. Essa estrutura proporciona uma certa liberdade para que esse masculino faça o que faz, sem nada que impeça. Aline Bei

Bei disse que, no romance, o objetivo não é 'imobilizar' o que homens podem ser, mas expor como certas atitudes aparecem com naturalidade no cotidiano.

Seja um menino pedir para uma menina uma coisa, fazer uma lista das meninas mais bonitas da escola. Quem nunca passou por uma coisa dessa? Às vezes até revistas e mídias faziam essas escalas. Violências que estão absolutamente naturalizadas na mídia. Aline Bei

Ela lembrou que, em outros livros, escreveu personagens masculinos com outras funções na trama, como figuras de confiança e apoio. Para a autora, isso reforça que a escolha, aqui, tem relação com a história específica que quis contar.

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