Atualização: Lula diz ter mais medo do que no 1º mandato, cita revés de Trump e fala em 'lição para o mundo'
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5.nov.2026 às 19h52 Atualizado: 5.nov.2026 às 20h17 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Mariana Brasil Brasília O presidente Lula ( PT ) afirmou nesta quinta-feira (5), em live com o deputado federal André Janones ( Rede -MG), sentir mais medo de decepcionar o eleitorado neste mandato do que na primeira vez governando o país.
Ele também comentou a vitória do partido Democrata nos Estados Unidos, em derrota para Donald Trump. Afirmou que a eleição dele, a perda de força de Netanyahu em Israel e o pleito americano o deixaram plenamente alegre e deram uma lição para o mundo.
"Agora to com mais medo do que no primeiro mandato. Na primeira vez eu olhava pro teto e pensava 'será que eu vou dar conta?'", disse Lula. "A minha obsessão na época era 'eu não posso errar'. E agora eu penso 'eu não posso trair o imaginário desse povo. Tenho que fazer tudo que prometemos e fazer muito mais, sobretudo tratá-los com respeito, dignidade porque foram eles que foram para rua defender nossa bandeira, nossa cultura, nossas mulheres'."
Lula aproveitou o assunto para criticar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu para os EUA após os resultados da eleição. "Pé-frio. [Foi pra lá] e derrotou o Trump. Chegou nos Estados Unidos e o Trump perdeu. Foi pegar proteção, você vai ver a proteção. Você vai ter que voltar para o Brasil para receber os processos que você tem", disse.
Ainda na fala, o presidente citou a investigação que pesa contra o senador e contra o advogado Willer Tomaz. Uma mansão na ilha de Angra dos Reis (RJ) é objeto de impasse com o jogador da seleção brasileira Richarlison.
"Esses dias nós vamos mostrar o que fez o seu Flávio Bolsonaro e aquele advogado dele que comprou o terreno do pai do neném. Aquele cara comprou vários terrenos, várias ilhas. Ele era um grileiro", disse.
"Na mesma semana que ganhei, [Binyamin] Netanyahu perdeu em Israel e me parece que meu amigo Trump está perdendo nos Estados Unidos. Foi uma lição extraordinária do povo brasileiro, foi uma lição ao mundo. Povo acordou para dizer que o Brasil não aceita ser quintal de ninguém. Minha alegria é plena", disse.
A live estava prevista para a semana passada, mas não pôde ser gravada pela falta de voz dos dois. Após vencer as eleições, Lula passou a enviar áudios e vídeos no "Exército do Lula", canal de criado pelo deputado para mobilizar o eleitorado durante a campanha.
Lula também falou, pela primeira vez desde a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública, que iniciará nesta sexta-feira (6) a primeira discussão de envio da Medida Provisória que cria o Ministério da Segurança Pública. O petista condicionou a criação da nova pasta à aprovação da proposta pelo Congresso Nacional.
A criação de uma pasta específica para a área, separada do Ministério da Justiça, é uma promessa de Lula desde a campanha para o terceiro mandato. Após acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a quem Lula agradeceu nesta noite, a PEC foi aprovada na Casa na última terça (3).
O grupo de mensagens se tornou uma das principais estratégias digitais da campanha, turbinada após o petista ter ficado atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno. Janones era o único responsável por enviar mensagens no canal, com ordens de ações para os apoiadores nas redes, como subir tags no X (ex-Twitter), comentar em publicações e fazer pesquisas específicas que aumentassem engajamento.
Lula reconheceu, na conversa com Janones, que só passou a reconhecer o poder da mobilização digital após ficar atrás no primeiro turno. O deputado questionou se ele teria chegado à essa conclusão se tivesse ganhado na primeira etapa. "Certamente que não. É por isso que eu acho que na minha vida Deus escreve por linhas tortas", disse.
Com o sucesso das ações do canal e a capacidade de mobilização de Janones na segunda fase da eleição, o deputado ganhou destaque na equipe de campanha, e Lula o agradeceu nominalmente nos discursos de vitória após a virada histórica no segundo turno.
Os dois fizeram a última live juntos nas vésperas do segundo turno, por cerca de 1h30. Na conversa entre os dois, houve críticas a Flávio, participação de artistas e a defesa da regulação das redes sociais. "A gente vai derrubar o império digital. A Meta vai ter que ser reinventada", disse Lula.
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