Atualização: Justiça determina bloqueio de R$ 327 milhões ligados ao Comando Vermelho por esquema ilegal de venda de gás
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Consulte formatos e valores disponíveisMinistério Público do Rio de Janeiro denunciou 12 suspeitos de integrar organização criminosa que controlava a comercialização de botijões em comunidades por meio de ameaças e extorsões
Rio de Janeiro (RJ) – A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em recursos vinculados a integrantes do Comando Vermelho (CV) e empresas suspeitas de participação em um esquema de controle ilegal da venda de gás de cozinha em comunidades da Região Metropolitana do Rio.
A medida foi obtida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que denunciou, nesta quarta-feira (28), 12 pessoas apontadas como integrantes da facção criminosa.
Segundo as investigações, o grupo utilizava ameaças, extorsões e imposição de regras comerciais para controlar a distribuição de botijões de gás em diferentes localidades.
A decisão de bloqueio financeiro foi expedida pela 2ª Vara Criminal Especializada da Capital e alcança valores associados aos denunciados e às empresas que, conforme o Ministério Público, teriam sido utilizadas na operação do esquema.
As apurações identificaram uma estrutura organizada, com divisão de funções e comunicação constante entre os envolvidos.
De acordo com o MPRJ, comerciantes eram obrigados a adquirir botijões de uma distribuidora determinada pela organização criminosa. Em outros casos, precisavam pagar taxas mensais ao tráfico de drogas para continuar exercendo suas atividades.
O objetivo, segundo a denúncia, era impedir a concorrência, controlar os preços e garantir o recebimento periódico de recursos pela facção.
Moradores das comunidades afetadas também sofriam as consequências do esquema, pois eram obrigados a comprar gás nos estabelecimentos indicados pelos criminosos, mesmo quando os produtos eram comercializados por valores superiores aos praticados no mercado.
Entre os 12 denunciados está Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, ele exerceria influência sobre as atividades da facção no Complexo do Alemão e em outras áreas controladas pela organização.
Equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) foram responsáveis pelo cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão relacionados à investigação.
O caso começou a ser investigado após o proprietário de um depósito de gás localizado na comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, procurar a polícia para denunciar ameaças de morte e sequestro.
A partir do relato, os investigadores identificaram indícios de um sistema de extorsão e controle comercial que teria funcionado entre 2024 e 2025.
As práticas investigadas ocorreram em comunidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e da capital fluminense.
Conforme o Ministério Público, as ameaças eram utilizadas para afastar concorrentes, impor condições de comercialização e assegurar pagamentos regulares à organização criminosa.
O bloqueio dos recursos integra as medidas judiciais adotadas no âmbito da investigação. Os denunciados responderão às acusações conforme o andamento do processo criminal.
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