Atualização: Flávio e Lula se enfrentam no primeiro debate após apoiadores ocuparem as ruas
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Consulte formatos e valores disponíveisBRASÍLIA/SÃO PAULO, 18 Out (Reuters) – Brasileiros foram às ruas neste domingo em manifestações a favor e contra seus candidatos à Presidência, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro se preparavam para seu primeiro debate televisionado, a uma semana do fim da campanha.
Multidões pró-Bolsonaro, vestindo as cores nacionais do Brasil – amarelo, verde e azul –, lotaram a Avenida Paulista, em São Paulo, onde o candidato discursou para os apoiadores.
Apoiadores de Lula, vestidos de vermelho, cor simbólica do Partido dos Trabalhadores, lotaram a praça dos prédios do governo em Brasília, enquanto estudantes que apoiam o presidente protestaram contra Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Apoiadores do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, marcham durante um protesto de estudantes, antes do segundo turno das eleições presidenciais, no Rio de Janeiro, Brasil, 18 de outubro de 2026. REUTERS/Tita Barros As pesquisas mostram uma disputa acirrada para o segundo turno de 25 de outubro, com Flávio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mantendo uma ligeira vantagem após terminar quase 2 pontos percentuais à frente de Lula no primeiro turno da eleição, em 4 de outubro.
Ambos os candidatos esperam conquistar os 33 milhões de eleitores que ficaram em casa no primeiro turno, o que equivale a cerca de um em cada cinco eleitores qualificados.
O debate em São Paulo está marcado para começar às 20h e será transmitido pela emissora Band. O último debate do primeiro turno foi cancelado de última hora, depois que Lula e Flávio desistiram de participar.
Antes um marco da democracia brasileira após o fim da ditadura militar de 21 anos no país, em 1985, os debates presidenciais televisionados perderam relevância à medida que os principais candidatos passaram a optar cada vez mais por não participar.
Leia mais: Eleições: quem não votou no primeiro turno pode participar do segundo
Espera-se que o debate entre Flávio Bolsonaro e Lula seja tenso e marcado por ataques pessoais.
A polarização entre os apoiadores de Jair Bolsonaro e de Lula domina a política brasileira há quase uma década. Muitos bolsonaristas defendem que Lula deveria estar preso pelos escândalos de corrupção que envolveram o PT, enquanto muitos apoiadores de Lula argumentam que a condenação e a prisão do ex-presidente Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado foram justificadas.
“Eu não gosto de bandidos. Fora, Lula!”, disse a manifestante Vera de Sousa, em São Paulo.
No ato em São Paulo, participantes exibiam um grande boneco inflável de Lula vestido com roupa de presidiário. Já em Brasília, manifestantes entoavam gritos de “Bolsonaro na cadeia”, enquanto uma imagem do ex-presidente o retratava com as mãos ensanguentadas.
“Precisamos que o atual governo continue no poder. Se entrar outro governo, estamos, desculpe a expressão, ferrados”, disse a apoiadora de Lula Sonia Maria, durante o ato em Brasília.
Lula passou 580 dias preso entre 2018 e 2019 por uma condenação por corrupção que acabou sendo anulada devido a falhas nas investigações e nos procedimentos judiciais.
Já o ex-presidente Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por conspirar para um golpe de Estado após perder a disputa pela reeleição para Lula em 2022. Ele cumpre a pena em prisão domiciliar por questões de saúde.
O filho de Bolsonaro afirmou que o julgamento do pai foi uma “farsa” e prometeu buscar anistia para ele caso seja eleito presidente.
“Faltam sete dias para livrarmos o Brasil do PT. E vocês verão Jair Messias Bolsonaro colocando a faixa de presidente no filho dele”, disse Flávio à multidão em São Paulo.
Em uma postagem na rede social X, Lula afirmou que quem votasse em seu oponente levaria, de “brinde”, o pai e os irmãos dele.
Uma polêmica sobre se as plataformas da Meta, que incluem o Facebook e o Instagram, trataram os dois candidatos de forma igualitária trouxe nova tensão aos últimos dias da campanha.
A coalizão de Lula afirmou que sua conta no Instagram e suas publicações foram restringidas, e o jornal local Folha de S.Paulo divulgou mensagens internas de funcionários da Meta que admitiam essas restrições e afirmavam que a plataforma havia recomendado o perfil de Flávio e seu canal no WhatsApp aos usuários.
A Meta afirmou ter enfrentado problemas técnicos globais, mas negou qualquer viés político. “Qualquer sugestão de que a Meta favoreça um lado é falsa”, disse a empresa.
Organizações da sociedade civil planejavam realizar um protesto na segunda-feira em frente à sede da Meta em São Paulo contra a “interferência da empresa no processo eleitoral brasileiro”, disseram os organizadores em comunicado.
(Reportagem de Brendan O’Boyle e Luis Nova em Brasília, com reportagem adicional de Letícia Fucuchima e Sebastian Rocandio em São Paulo)
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