Atualização: 'É melhor pagar mais funcionários do que fechar a loja', diz Lásaro do Carmo sobre fim da escala 6x1
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Consulte formatos e valores disponíveis'É melhor pagar mais funcionários do que fechar a loja', diz Lásaro do Carmo sobre fim da escala 6x1 Empresário alerta para o impacto da redução da jornada em negócios com margens apertadas, especialmente no varejo, e explica como calcular novas contratações Lásaro do Carmo Junior: empresário defende que lojas avaliem a perda de faturamento antes de reduzir o horário de funcionamento (Marcelo Campos/Exame)
Publicado em 16 de outubro de 2026 às 17h20 .
Última atualização em 16 de outubro de 2026 às 17h21 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + O empresário Lásaro do Carmo Junior afirma que o fim da escala 6x1, com jornada semanal de 44 para 40 horas, pode elevar em pelo menos 10% a folha das operações afetadas. Para o ex-vice-presidente do Grupo Silvio Santos, varejistas e restaurantes devem comparar o custo de novas contratações com a receita perdida ao reduzir o horário.
Fechar a loja mais cedo pode parecer a saída mais barata para enfrentar o fim da escala 6x1. Mas, para empresas que dependem de cada hora de venda para fechar as contas, a economia com funcionários pode sair cara.
É esse o alerta do empresário Lásaro do Carmo Junior , ex-vice-presidente do Grupo Silvio Santos e mentor do reality show Choque de Gestão, da EXAME. Na avaliação dele, o varejo é um dos setores que mais deve sofrer com a redução da jornada de trabalho.
Com a discussão sobre a passagem de 44 para 40 horas semanais, Carmo estima que o impacto possa representar pelo menos 10% da folha de pagamento nas operações afetadas. O problema será maior para negócios com margens apertadas, independentemente do tamanho da empresa.
“É melhor pagar mais funcionário do que fechar a loja, reduzir o horário de funcionamento. Quanto custa não vender?”, diz Lásaro do Carmo Jr.
Para enfrentar o aumento de custos, o empresário defende uma revisão das escalas, das despesas e dos contratos com fornecedores . Antes de contratar ou diminuir o expediente, porém, recomenda calcular quantas pessoas são necessárias para manter a operação funcionando e quanto cada hora de atendimento contribui para o faturamento.
A redução do horário de funcionamento pode parecer uma alternativa para evitar novas contratações. Carmo, porém, considera que a medida pode provocar uma perda de faturamento maior do que a economia obtida com a folha de pagamento.
“Vou reduzir o horário de funcionamento e faturar menos? É melhor você pagar mais funcionários, aumentar a folha do que reduzir o horário de funcionamento", diz o empresário.
A decisão depende do movimento de cada estabelecimento. Uma loja que concentra boa parte das vendas no início da noite, por exemplo, pode perder dinheiro ao antecipar o fechamento . Por outro lado, se o movimento for baixo e a receita não cobrir os custos de funcionamento, reduzir o expediente pode fazer sentido.
Para o empresário, o erro está em olhar apenas para o aumento das despesas trabalhistas, sem considerar o resultado das vendas que deixarão de acontecer.
Uma pequena sorveteria, por exemplo, pode ter mais condições de absorver o aumento dos custos trabalhistas do que uma grande rede varejista. Tudo depende de quanto sobra depois de pagar as contas.
“Não é o tamanho do empresário, é a margem que ele trabalha”, diz Carmo.
Empresas com margens de lucro maiores conseguem acomodar parte das despesas adicionais. Já negócios que dependem de grandes volumes de venda e trabalham com margens apertadas terão menos espaço para absorver o aumento da folha. “O varejo que já tá espremido e vai sofrer mais ainda”, diz.
Restaurantes também estão entre os setores mais expostos, especialmente aqueles que funcionam do café da manhã ao jantar e precisam manter equipes durante vários turnos. A necessidade de cobrir folgas, fins de semana e horários noturnos pode elevar ainda mais os custos.
O cenário é diferente para empresas de serviços, como escritórios de advocacia, contabilidade e consultorias, que já operam de segunda a sexta-feira, com jornadas compatíveis com o limite proposto. Nesses casos, a adaptação tende a ser menor.
A primeira conta é a redução das horas disponíveis . Uma empresa com dez funcionários contratados para cumprir 44 horas semanais dispõe de 440 horas de trabalho. Com a jornada de 40 horas, passaria a ter 400 horas, uma diferença de 40 horas por semana.
“Se você fizer bastante escala, o impacto vai ser de pelo menos 10% da folha”, diz Carmo.
Para dimensionar a equipe, ele recomenda somar as horas de funcionamento do estabelecimento e dividir pela nova jornada semanal . Uma loja de shopping aberta das 10h às 22h, todos os dias, por exemplo, funciona 84 horas por semana.
Com jornadas de 40 horas, seriam necessárias pelo menos 2,1 jornadas completas para manter um único posto de atendimento coberto.
Essa é apenas a conta inicial. O empresário também precisa considerar intervalos, folgas, férias e a quantidade de funcionários necessária em cada turno.
“Antes de você fazer escala, você tem que chegar no número de colaboradores. Aí depois você adequa a escala”, diz Carmo.
Nos negócios com apenas um ou dois funcionários, a saída pode exigir maior participação do proprietário no atendimento ou a contratação de reforços. “Aí talvez o dono vai ter que trabalhar mais, ou então vai ter que contratar mais um”, diz.
Além de reorganizar as equipes, o empresário recomenda que os empresários revisem despesas e busquem espaço no orçamento para absorver o aumento dos custos trabalhistas.
“Essa margem que ele perdeu, ele vai ter que tirar de algum lugar. Ele tem que reorganizar, cortar despesa e negociar com forncedor para essa margem voltar”, diz.
Entre as medidas estão renegociar contratos, revisar despesas fixas e variáveis e melhorar o ciclo de caixa , ou seja, o intervalo entre o pagamento aos fornecedores e o recebimento das vendas. Na prática, isso significa tentar receber dos clientes em prazos menores e negociar mais tempo para quitar as compras.
A preparação precisa começar antes de qualquer mudança entrar em vigor. O risco é esperar a nova jornada chegar para descobrir que a empresa precisa de mais funcionários, mas não tem margem para contratá-los.
O impacto pode chegar a pelo menos 10% da folha de pagamento nas operações afetadas, segundo Lásaro do Carmo Junior. O custo efetivo dependerá do número de empregados, da jornada atual, dos horários de funcionamento e da quantidade de pessoas necessárias em cada turno.
Varejistas e restaurantes estão entre os negócios mais expostos, segundo Lásaro do Carmo Junior, porque dependem de equipes por longos períodos, inclusive aos sábados, domingos e feriados. Empresas com margens de lucro apertadas terão menos espaço para absorver o aumento dos custos.
O empresário deve calcular quantas horas semanais o estabelecimento permanece aberto e quantos postos precisam de cobertura simultânea. Uma loja aberta 84 horas por semana exige 2,1 jornadas de 40 horas para cobrir apenas um posto, sem considerar intervalos, folgas, férias e horários de maior movimento.
Contratar pode ser mais vantajoso quando a perda de faturamento causada pelo fechamento supera o custo adicional da folha, afirma Lásaro do Carmo Junior. Em horários de pouco movimento, porém, reduzir o expediente pode fazer sentido se a receita não cobrir os custos de funcionamento.
O proprietário pode precisar assumir parte do atendimento ou contratar outra pessoa para cobrir os períodos descobertos, segundo Lásaro do Carmo Junior. A escolha dependerá do horário de funcionamento, da capacidade financeira e do número de pessoas necessárias na operação.
Lásaro do Carmo Junior recomenda reorganizar escalas, renegociar contratos com fornecedores e revisar despesas fixas e variáveis. O empresário também orienta melhorar o ciclo de caixa, com recebimentos em prazos menores e pagamentos mais longos aos fornecedores.
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