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Atualização: Copom Mantém Selic em 13,75% Diante de Incertezas Fiscais após Eleição

Banco Central interrompe ciclo de flexibilização monetária em meio à reprecificação dos ativos brasileiros e às incertezas sobre a política fiscal do governo Lu

Por Redatores da Empire Cidades 4 de novembro de 2026 às 22:30
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Atualização: Copom Mantém Selic em 13,75% Diante de Incertezas Fiscais após Eleição
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano na penúltima reunião do ano. A decisão interrompe o ciclo de flexibilização monetária iniciado em março, quando a autoridade monetária começou a reduzir os juros após mantê-los em 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas, desde junho de 2025.

Na reunião anterior, em setembro, o Comitê havia promovido um corte de 0,25 ponto percentual. A mudança de trajetória ocorre em meio ao aumento das incertezas sobre o cenário econômico e fiscal, intensificado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reação dos investidores ao resultado eleitoral provocou uma reprecificação dos ativos brasileiros, pressionou o câmbio e alterou as expectativas para os próximos passos da política monetária.

O comunicado divulgado após a decisão trouxe um diagnóstico mais pessimista sobre o ambiente econômico. No exterior, o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, com impactos sobre os preços do petróleo e seus derivados, e a perspectiva de condições monetárias mais restritivas nas economias avançadas ampliam os riscos para os mercados emergentes. A avaliação do Banco Central aponta para um cenário de maior volatilidade e de possíveis pressões adicionais sobre os preços, especialmente por meio do câmbio e das commodities.

No Brasil, o quadro é contraditório. Embora a atividade econômica apresente sinais de desaceleração mais acentuada, sobretudo nos setores mais sensíveis aos juros, a inflação voltou a ganhar força. As medidas de inflação subjacente também aceleraram, enquanto as expectativas para os próximos anos se afastaram ainda mais da meta. Na prática, o enfraquecimento da economia ainda não se traduziu em alívio suficiente sobre os preços, o que reduz o espaço para a continuidade dos cortes da Selic.

A deterioração das perspectivas inflacionária s foi um dos pontos de maior preocupação do Comitê. As projeções do mercado para 2026 e 2027 chegaram a 5,2% e 4,8%, respectivamente, segundo o Boletim Focus. Já a estimativa do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária, subiu para 3,5%. O distanciamento das expectativas em relação à meta preocupa porque pode contaminar a formação de preços e salários, tornando mais difícil e custoso o processo de desinflação.

O Banco Central também alertou para a possibilidade de os choques de oferta se espalharem pela economia. Além do petróleo, os efeitos climáticos sobre a produção agrícola e os custos de energia podem pressionar alimentos e outros preços. A persistência da inflação de serviços, uma eventual desvalorização cambial prolongada e estímulos ao consumo que mantenham a demanda aquecida completam o quadro de riscos.

As incertezas fiscais acrescentam outra camada de preocupação. O Copom afirmou que acompanha os efeitos da política econômica doméstica sobre a inflação e os ativos financeiros. A sinalização ocorre em meio às dúvidas dos investidores sobre a trajetória das contas públicas após a reeleição de Lula, com o mercado à espera de definições sobre o próximo ministro da Fazenda e os planos de ajuste fiscal. Até a eleição, os agentes financeiros trabalhavam com a continuidade da flexibilização monetária. Depois do resultado, passaram a considerar uma pausa no ciclo de cortes.

O conjunto das avaliações indica uma mudança importante no balanço de riscos do Banco Central. Se, por um lado, a perda de fôlego da atividade poderia favorecer juros menores, por outro, a combinação de pressões externas, expectativas inflacionárias desancoradas e incertezas fiscais torna a redução da taxa mais arriscada. O comunicado reforça, assim, uma postura de maior cautela e sugere que a retomada dos cortes dependerá de sinais mais consistentes de melhora no cenário inflacionário.

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