Atualização: Como está a economia da Argentina no governo Javier Milei? Entenda em dados
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Consulte formatos e valores disponíveisComo está a economia da Argentina no governo Javier Milei? Entenda em dados Após o país atingir pico de 52,9% no índice de pobreza no primeiro semestre de seu governo, Milei conseguiu melhorar os dados econômicos do país em 2025, mas volta a enfrentar pioras em 2026 Javier Milei: governo do presidente argentino se tornou ponto de discussão nas eleições brasileiras de 2026 (Sebastián Granata/EFE)
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 14h33 .
Priorizar nos meus resultados Google A economia argentina entrou no debate eleitoral brasileiro como referência para as propostas de Flávio Bolsonaro (PL). Durante o confronto com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo, 18, o senador foi questionado sobre sua proximidade com o presidente Javier Milei e sobre a possibilidade de reproduzir no Brasil a política econômica adotada pelo país vizinho.
A experiência do país passou a integrar o discurso econômico da campanha do bolsonarista. No mês passado, a coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, afirmou que o plano de governo do senador se inspira nas mudanças implementadas por Milei.
“Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina”, disse Marques durante evento do Esfera Brasil. Segundo ela, o presidente argentino é um “ótimo exemplo” na capacidade de atrair investimentos, reduzir a burocracia e diminuir impostos.
A coordenadora afirmou que um eventual governo Flávio Bolsonaro pretende mapear e revogar mais de mil normas infralegais, incluindo obrigações acessórias e regulamentos. A proposta, segundo Marques, é simplificar regras e reverter medidas que aumentaram a tributação por meio de normas governamentais.
Com as afirmações, a experiência argentina passou a ser uma referência para o debate sobre os rumos da economia brasileira.
Os resultados da gestão Milei, porém, vão além da redução da hiperinflação, que chegou a seu ápice no início do governo do libertário, e do discurso de corte de gastos. O país enfrenta dificuldades para crescer economicamente e indicadores como pobreza e desemprego têm apresentado altas importantes.
A pobreza é um dos principais desafios econômicos enfrentados pela Argentina. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), a proporção da população abaixo da linha da pobreza passou de 4,7% no primeiro semestre de 2013 , durante o governo de Cristina Kirchner, para 52,9% no primeiro semestre de 2024 , no início do governo Milei, quando atingiu o maior patamar da série recente .
Depois do pico, o indicador recuou para 38,1% no segundo semestre de 2024 e continuou em queda em 2025 , quando ficou em 31,6% no primeiro semestre e 28,2% no segundo , menor taxa desde 2018, época do governo de Mauricio Macri.
A melhora, porém, perdeu força em 2026 . No primeiro semestre, a taxa voltou a subir, para 32,3% .
O levantamento mais recente abrange 31 aglomerados urbanos e indica que 9,7 milhões de argentinos viviam na pobreza no primeiro semestre de 2026 .
A extrema pobreza , chamada "indigencia" nos índices argentinos, também avançou. A proporção de pessoas nessa situação passou de 6,3% no segundo semestre de 2025 para 7,5% no primeiro semestre de 2026 , o equivalente a cerca de 2,2 milhões de pessoas . Durante o ápice da pobreza em 2024 , a taxa foi de 18,1% da população .
Pelos critérios do Indec, são consideradas extremamente pobres as pessoas cuja renda não é suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de suprir as necessidades diárias de energia e proteína.
A trajetória da pobreza é um dos pontos de pressão sobre o governo de Javier Milei , segundo a mídia argentina. A r edução da inflação em 2025 foi inicialmente acompanhada de melhora nesse indicador , mas o avanço recente mostra que a desaceleração dos preços não se traduziu em uma recuperação contínua das condições de vida da população .
A economia argentina voltou a crescer em 2025, depois de registrar retração por dois anos consecutivos. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 1,86% em 2023 , último ano do governo de Alberto Fernández, e 1,34% em 2024 , mas avançou 4,37% em 2025 , segundo dados do Banco Mundial.
Em 2020 , durante a pandemia de covid-19, o PIB encolheu 9,9% sob a administração de Fernández. Nos dois anos seguintes, , época de recuperação econômica após a pandemia, cresceu 10,44% e 6,02% , respectivamente, antes de voltar a registrar contrações em 2023 e 2024.
Em 2026, a atividade voltou a apresentar sinais de fraqueza . A economia argentina recuou 0,6% no segundo trimestre , e uma nova queda no terceiro trimestre caracterizaria uma recessão técnica. A expectativa de crescimento para o ano é de cerca de 1,5%, abaixo das projeções que investidores tinham no início de 2026.
A desaceleração da inflação é um dos principais resultados econômicos associados ao governo de Javier Milei. A variação dos preços acumulada em 12 meses atingiu 211,4% em dezembro de 2023 , quando Milei foi eleito com a promessa de um ajuste econômico radical na Argentina governada pelo peronista Fernández.
Porém, ela continuou acelerando nos meses seguintes, até chegar a 289,4% em abril de 2024 , no primeiro trimestre de governo libertário, segundo o Indec.
A partir daquele pico, o indicador passou a recuar . A inflação acumulada em 12 meses caiu para 117,8% em dezembro de 2024 e encerrou 2025 em 31,5% . Em setembro de 2026, estava em 33,4% .
O resultado representa uma mudança expressiva em comparação com o período de aceleração dos preços, embora a inflação anual continue elevada em relação à registrada no Brasil.
Para conter a alta dos preços, Milei adotou uma política econômica baseada em austeridade fiscal, restrição monetária e valorização cambial. O ajuste buscou reduzir a pressão sobre os preços e as contas públicas, mas seus efeitos sobre a atividade econômica e o consumo têm sido motivo de preocupação.
A redução da inflação também não significa que os preços tenham voltado aos níveis anteriores à crise . A taxa acumulada em 12 meses mede quanto os preços aumentaram em relação ao mesmo período do ano anterior; quando esse indicador cai, significa que os preços estão subindo em ritmo menor, não necessariamente que ficaram mais baratos .
A taxa de desemprego na Argentina chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026 , ante 7,6% no mesmo período de 2025 , segundo o Indec. Embora represente uma piora anual, o indicador não está distante dos patamares observados em diferentes momentos da última década, marcada por oscilações no mercado de trabalho.
Desde 2016, a taxa variou em meio a períodos de desaceleração econômica, recessão e recuperação. O desemprego aumentou durante a crise de 2018 e 2019 e voltou a subir com a pandemia de covid-19, em 2020 .
Depois, recuou com a retomada da atividade , mas voltou a oscilar nos anos seguintes. Em 2022 e 2023, as médias anuais foram de 6,81% e 6,14%, respectivamente; em 2025, chegaram a 7,15%.
No segundo trimestre de 2026, a taxa de atividade — proporção da população que trabalha ou procura emprego — ficou em 48,9%, enquanto a taxa de emprego foi de 45%. A subocupação atingiu 11,5%. Além disso, quase metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade, sem vínculo formal de emprego.
O enfraquecimento do mercado de trabalho afeta o consumo e as empresas. Com menor poder de compra, as famílias reduzem despesas, enquanto produtores locais enfrentam dificuldades para competir com produtos importados.
Segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), as importações de bens de consumo cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2023. No mesmo intervalo, a produção industrial argentina caiu 12%. Dados da União Industrial Argentina e da Confederação Argentina da Média Empresa também apontam que os custos elevados e o endividamento das famílias limitam o consumo e o desempenho dos negócios locais.
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