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Atualização: Com 60 milhões de votos, Flávio Bolsonaro encolheu num enredo de comédia

Aliados refutaram sua teoria de fraude e reconheceram a vitória de Lula

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 11:00
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Atualização: Com 60 milhões de votos, Flávio Bolsonaro encolheu num enredo de comédia
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Priorize VEJA no Google Ler Resumo Flávio Bolsonaro renegou a derrota eleitoral e fugiu para os Estados Unidos após insinuar fraude sem provas, jogando pela janela 60 milhões de votos. Autoproclamou-se “líder da oposição”, depois “verdadeiro presidente eleito”, em texto repleto de vacilações e erros, isolando-se politicamente e abrindo espaço para Tarcísio de Freitas liderar a oposição. Este resumo foi útil?

Flávio Bolsonaro levou dez meses para convencer eleitores a apostar na sua honestidade e inteligência como candidato à presidência. Recebeu quase 60 milhões de votos, e jogou tudo pela janela nas 72 horas seguintes.

Rejeitou a derrota nas urnas. Depois, anunciou uma ação judicial para anular a eleição perdida para Lula por uma diferença de 4,4 milhões de votos. Insinuou fraude no processo eleitoral sem apresentar uma única prova. Num vídeo, se autoproclamou “líder da oposição”.

A essa altura, já havia conseguido turvar sua principal conquista em 24 anos na política — os quase 60 milhões de votos. Mas, resolveu ir além: na noite de terça-feira fugiu para os Estados Unidos.

Sob proteção do governo Donald Trump, vai ficar isento dos efeitos das investigações em curso sobre corrupção e lavagem de dinheiro durante o mandato de senador pelo Partido Liberal do Rio, que termina em janeiro.

Uma delas é o inquérito sobre o destino dos 61 milhões de reais que ele confessou ter recebido do antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias no mercado financeiro.

Nesta quarta-feira (28/10), Flávio Bolsonaro se tornou mais um entre os seis milhões de residentes na área metropolitana de Miami, a terceira maior e mais rica cidade dos Estados Unidos. Desembarcou do jato privado e divulgou uma carta “ao povo brasileiro e à comunidade internacional”.

Nela, o autoproclamado “líder da oposição” do dia anterior apresentou-se “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” sob o brasão dos Estados Unidos do Brazil — a versão usada entre a fundação (1889) e o fim da República Velha (1930), quando Brazil virou Brasil.

O nome do país permaneceu intocado por 78 anos até a ditadura militar mudá-lo para República Federativa, num laivo nacionalista para dissociá-lo dos Estados Unidos da América. Alertado para o erro, Flávio Bolsonaro reeditou a carta substituindo o antigo brasão pelo símbolo da República usado nos últimos 59 anos.

Depois disso, ainda fez ao menos quatro versões do texto. Numa delas, refugou a autoproclamação como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Suprimiu “eleito”. Em outra, decidiu mudar a expressão “verdadeiro presidente do Brasil”. No lugar, escreveu “líder do Brasil”. Na sequência, substituiu “líder” pela afirmação “eu sou o presidente eleito”. Então, trocou de novo: “Eu sou o líder…”

O conjunto de mil palavras, em tom golpista e recheado de vacilações, sugeriu uma crise de identidade pós-fracasso eleitoral. Ficou ainda mais isolado, porque passou a ser visto como um político radioativo. Aliados expuseram discordâncias, refutando em público as insinuações sobre fraude eleitoral e reconhecendo a vitória de Lula. Foi o caso do coordenador da sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), provável líder da oposição e virtual candidato à presidência em 2030.

Flávio Bolsonaro talvez apareça no rodapé dos livros de história como o candidato que encolheu, apenas 72 horas depois de conseguir quase 60 milhões de votos para a presidência.

O enredo de comédia já lhe garantiu um lugar nas páginas de humor político. Como a que apresenta a realidade paralela dos Estados Unidos do Brazil: “O governo legítimo de um país que votou em outra pessoa. Presidente: Flávio Bolsonaro, autoproclamado e eleito por unanimidade por ele mesmo. Capital provisória: Miami, a uns 6 mil km das urnas que não reconhece — Adeus, pátria e família”.

Quem quiser pode até emitir pelo site a sua “Certidão de Exilado Brazileiro”, que não serve “para viajar, votar, pedir asilo nem tomar posse”.

#Brasil#Vitória
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