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Atualização: Canal de denúncias sem tratamento adequado vira risco para a governança corporativa

Entretanto, disponibilizar uma ferramenta para receber relatos de irregularidades não garante que as situações sejam tratadas adequadamente.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 22:03
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Atualização: Canal de denúncias sem tratamento adequado vira risco para a governança corporativa
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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A adoção de canais de denúncias tem avançado nas empresas, impulsionada por exigências regulatórias e pela preocupação com a governança corporativa. Entretanto, disponibilizar uma ferramenta para receber relatos de irregularidades não garante que as situações sejam tratadas adequadamente. O principal desafio está no que acontece depois do registro.

Sem procedimentos claros de análise, investigação e acompanhamento, as organizações podem deixar de identificar problemas internos, comprometer a confiança dos colaboradores e ampliar sua exposição a riscos jurídicos e reputacionais.

A gestão dessas informações exige critérios de confidencialidade, independência nas apurações e definição de responsabilidades. O cuidado deve ser ainda maior quando os relatos envolvem lideranças ou situações que possam gerar conflitos de interesse.

“Mais importante do que disponibilizar um espaço para receber relatos é definir como eles serão tratados. Uma condução inadequada, como o encaminhamento equivocado ou a ausência de providências, pode ampliar os riscos para a empresa”, afirma a advogada Luciana Codeço, diretora da Codeço Rocha Advogados.

Além da investigação de casos individuais, os canais podem revelar problemas estruturais. Denúncias recorrentes relacionadas a um mesmo departamento, gestor ou procedimento, por exemplo, podem indicar falhas na cultura organizacional e orientar medidas preventivas.

Nesse cenário, a integração entre recursos humanos, compliance e assessoria jurídica ganha relevância. A atuação conjunta permite avaliar os relatos sob diferentes perspectivas e estabelecer medidas que ultrapassem a resolução de situações pontuais.

“Capacitar as lideranças em seus diferentes níveis é fundamental para prevenir riscos, mitigar problemas e proteger a empresa. O canal de denúncias vai além de receber relatos sobre condutas inadequadas: oferece uma visão mais ampla da organização e ajuda a identificar pontos de atenção antes que se agravem. Por isso, orientar as lideranças é parte essencial desse trabalho. Atender e orientar as lideranças é parte central do nosso trabalho de apoio à empresa no uso dessa solução. Um líder que atua distante da equipe pode não perceber que determinadas práticas ou comportamentos comprometem tanto as pessoas quanto a própria organização”, conta Jorge Ruivo, CEO da Wiabiliza.

A discussão também impulsiona e fortalece o desenvolvimento de modelos de gestão que integram diferentes etapas do tratamento das denúncias. Nesse contexto, o mercado já conta com soluções avançadas e eficazes, capazes de reunir, em um único ecossistema, tecnologia, processos, análise técnica e jurídica, tratamento e acompanhamento dos relatos.

“O tratamento dos relatos precisa integrar escuta, análise e encaminhamento. Conduzir esse processo de forma humanizada e imparcial ajuda a dar clareza às partes envolvidas e a transformar informações em ações concretas, sem ruídos”, finaliza Ruivo.

Mais do que oferecer um espaço para comunicar irregularidades, o desafio das empresas é garantir que as informações recebidas resultem em providências efetivas. A capacidade de identificar falhas, corrigir processos e prevenir novas ocorrências é o que determina a contribuição desses canais para a governança corporativa.

As 100 maiores empresas do agronegócio brasileiro alcançaram receita líquida conjunta de R$ 2,1 trilhões em 2025, crescimento de 13,45% em relação ao levantamento anterior. Desse total, R$ 1,24 trilhão ficou concentrado nas dez maiores companhias, responsáveis por aproximadamente 59% do faturamento do grupo. Os números integram o ranking Agro100, divulgado pela revista Forbes Brasil, e mostram a dimensão econômica das empresas que atuam no processamento, na comercialização e na exportação da produção agropecuária nacional.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo comércio de produtos agrícolas e pela indústria de proteína animal. Entre os sete segmentos acompanhados pelo levantamento, seis registraram crescimento de receita superior à inflação de 2025. A expansão reflete o peso das cadeias de grãos, carnes, alimentos e energia na atividade econômica brasileira, embora o aumento do faturamento não signifique, necessariamente, crescimento equivalente dos lucros.

A liderança permanece com a JBS, que registrou receita líquida de R$ 480,58 bilhões. O valor corresponde a quase 39% do faturamento das dez primeiras colocadas e coloca a companhia em posição bastante superior à das demais empresas do ranking.

Na segunda posição aparece a MBRF, com R$ 163,96 bilhões, seguida pela Cargill Alimentos, com R$ 115,29 bilhões. Juntas, as três primeiras colocadas somaram aproximadamente R$ 760 bilhões, evidenciando a concentração de receitas nas cadeias de carnes e comercialização de alimentos.

O comércio de produtos agrícolas apresentou o maior crescimento percentual entre os segmentos avaliados, com expansão de 23,51%. O grupo reúne empresas que compram, armazenam, processam e comercializam commodities, especialmente soja e milho, além de operar na exportação de produtos brasileiros.

Para o produtor rural, a atuação dessas companhias tem influência direta sobre o escoamento das safras. Tradings e cooperativas participam da formação dos canais de comercialização, do financiamento de operações e da logística que liga as propriedades aos mercados consumidores. O crescimento dessas empresas amplia a dimensão econômica da cadeia, mas também reforça a importância da concorrência e da transparência nas relações comerciais.

O segmento de proteína animal registrou aumento de 16,37% na receita, segundo maior avanço do levantamento. O desempenho acompanha a importância da indústria frigorífica brasileira, que transforma a produção pecuária em alimentos destinados ao mercado interno e às exportações.

Além da JBS e da MBRF, a Minerva integra o grupo das dez maiores empresas, com faturamento de R$ 54,83 bilhões. As três companhias de proteína animal presentes na lista somaram aproximadamente R$ 699 bilhões, o equivalente a mais da metade da receita das dez líderes.

A concentração de receitas na indústria de carnes demonstra o tamanho da estrutura necessária para abate, processamento, distribuição e exportação. Também evidencia a dependência econômica entre frigoríficos e pecuaristas, uma relação em que os preços pagos pelos animais, os custos industriais e as condições de acesso aos mercados internacionais influenciam os resultados de toda a cadeia.

A agroenergia apresentou crescimento de 13,37%, impulsionada pelas atividades ligadas à produção de etanol e outros biocombustíveis. A Raízen Energia aparece na quinta posição do ranking, com receita de R$ 87,7 bilhões. O desempenho do segmento reforça a importância da transformação de matérias-primas agrícolas em energia, atividade que amplia a demanda por produtos como cana-de-açúcar e milho.

As empresas de alimentos e bebidas registraram expansão de 7,2%. Nesse grupo estão Cargill Alimentos, Ambev e Bunge Alimentos, que ocupam, respectivamente, a terceira, quarta e sexta posições. O segmento reúne operações de processamento e industrialização que agregam valor à produção agropecuária antes de sua chegada ao consumidor.

A celulose apresentou o desempenho mais fraco entre os sete setores acompanhados. A redução das cotações internacionais da matéria-prima pressionou as receitas das companhias, em um mercado sujeito às oscilações da demanda global e dos preços industriais. Mesmo nesse ambiente, a Suzano permaneceu entre as dez maiores empresas do agronegócio, com receita de R$ 50,12 bilhões.

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Fonte: Ranking Agro100, Forbes Brasil. Receitas líquidas referentes a 2025.

A presença de companhias de diferentes segmentos entre as líderes demonstra que o peso econômico do agronegócio vai muito além da produção dentro das propriedades. A atividade movimenta indústrias, sistemas de armazenagem, transporte, comércio exterior, processamento de alimentos e produção de energia.

O crescimento das receitas, entretanto, não permite concluir que todos os participantes dessas cadeias tenham registrado melhora equivalente de rentabilidade. O produtor rural continua sujeito às oscilações dos preços das commodities, aos custos dos insumos, às condições climáticas e às despesas financeiras, fatores que podem reduzir suas margens mesmo quando o faturamento das grandes empresas aumenta.

O levantamento também evidencia a importância de investimentos em infraestrutura e capacidade industrial. Com a produção brasileira de grãos projetada em aproximadamente 367 milhões de toneladas na safra 2026/27, a expansão da atividade agropecuária exigirá estruturas capazes de armazenar, transportar e transformar volumes cada vez maiores.

Os R$ 2,1 trilhões registrados pelas cem maiores empresas representam, portanto, a dimensão de uma cadeia econômica que se estende da propriedade rural ao mercado internacional. O desafio para os próximos anos será fazer com que o crescimento dessa estrutura também se traduza em maior eficiência, competitividade e oportunidades de renda para quem produz.

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