Atualização: Ataque à Binance acende alerta para quem guarda criptomoedas; veja como escolher uma carteira ‘fria’
Entenda os riscos após o ataque à Binance e como proteger suas criptomoedas.

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisCarteiras offline reduzem riscos, mas não eliminam golpes e falhas. Entenda como proteger criptomoedas e escolher uma opção mais segura. Foto: Cronislaw/Getty Images Passado o primeiro quarto do século 21, quem vive conectado já teve tempo de se familiarizar com o repertório dos golpes digitais, seja pelas notícias de vazamentos, pelos avisos de senhas comprometidas ou pela experiência de perder dinheiro. Para quem investe em criptomoedas, manter fora da internet as chaves que permitem movimentar o patrimônio – a chamada “ carteira fria ” – parece uma resposta razoável a ameaças que se aproveitam da rede mundial de computadores em que os crimes são perpetrados.
O assunto ganhou urgência nesta quinta-feira (29), quando a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, informou ter sofrido um ataque hacker que resultou no desvio de aproximadamente US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. A plataforma suspendeu temporariamente saques e depósitos e, com o auxílio de outras empresas do setor, conseguiu congelar cerca de US$ 3 bilhões envolvidos na invasão. A corretora prometeu cobrir integralmente as perdas dos clientes.
A origem do ataque ainda é investigada. Uma das hipóteses apresentadas pela Binance é que os criminosos tenham comprometido o notebook de um engenheiro, o que teria permitido realizar saques não autorizados. O episódio expõe os riscos de confiar a guarda das criptomoedas a uma instituição. Assumir essa responsabilidade, porém, também tem suas armadilhas.
Foi essa proteção que buscaram compradores da Coldcard, linha de carteiras físicas de bitcoin produzida pela canadense Coinkite. Em julho, porém, criminosos conseguiram roubar recursos de usuários sem sequer tocar nos aparelhos nem invadi-los pela internet. Uma falha no programa responsável por gerar as chaves havia tornado parte delas previsível, permitindo que os invasores as reconstruíssem.
O prejuízo foi estimado em um relatório de 5 de agosto da TRM Labs, empresa que investiga crimes com criptoativos. O documento citou uma contagem preliminar de cerca de 1.816 bitcoins roubados, equivalentes a US$ 116 milhões naquele levantamento.
A distância da internet pouco ajuda quando o segredo já nasce vulnerável. Outros riscos chegam pelos cadastros de compradores, alvo de vazamentos divulgados em agosto pelas fabricantes Trezor e SafePal.
Apesar do nome, as moedas não são armazenadas em nenhum tipo de carteira. Elas permanecem registradas na blockchain, uma espécie de livro de transações compartilhado entre computadores. O aparelho protege as chaves privadas, que são códigos secretos necessários para autorizar a movimentação dos recursos. Quando o investidor assume a guarda desses códigos, em vez de deixá-la com uma corretora, pratica a chamada autocustódia.
Em uma transferência, o aplicativo no computador ou no celular prepara a operação, e a carteira física mostra os dados para conferência. Depois da aprovação do dono, o aparelho produz uma assinatura digital, a autorização que será enviada à rede. Marcos Antonio Simplicio Junior, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), explica que esse processo ocorre dentro do dispositivo, sem revelar a chave usada para assinar.
Uma carteira pode, portanto, usar cabo USB e manter a chave isolada. Outros modelos trocam os dados por cartão de memória ou QR code. Em qualquer caso, é preciso conferir destinatário e valor na tela do aparelho antes da aprovação.
A proteção depende do hardware, as peças físicas, como chips e tela, e do software, as instruções que fazem o equipamento funcionar. Chamado de firmware, o programa interno participa da criação das chaves, etapa em que surgiu a falha da Coldcard.
Leia também O que é Firmware e por que fazer os updates necessários?
Na configuração, a carteira fornece uma sequência de palavras, chamada frase de recuperação ou frase-semente, que permite recuperar o acesso se o aparelho quebrar ou desaparecer. Essa cópia de segurança, ou backup, exige o mesmo cuidado dedicado às chaves.
O PIN, código que desbloqueia o aparelho, não impede o uso dessas palavras em outro dispositivo. Sem uma senha adicional, quem obtiver a frase poderá movimentar o patrimônio. Placas metálicas com as palavras gravadas preservam o backup contra danos, mas não autorizam transações.
Marco Zanini, CEO da DINAMO, empresa de segurança digital, explica que a frase de recuperação precisa ser gerada ao acaso. Com combinações suficientes, descobri-la por tentativas é impraticável. Uma falha que reduza essa variedade deixa ao criminoso menos possibilidades para testar.
No registro público das transações, o invasor pode verificar se as combinações testadas correspondem a endereços com saldo. Se acertar, consegue reconstruir as chaves e transferir os bitcoins. “A carteira pode continuar fisicamente protegida, mas a chave já nasceu previsível”, afirma Zanini.
A Coinkite reconheceu a falha e relacionou os modelos Mk2, Mk3, Mk4, Mk5 e Q em seu aviso, conforme a versão do firmware usada na criação da carteira. O problema exige atenção mesmo depois da instalação do programa corrigido, porque a atualização melhora o funcionamento dali em diante, sem modificar um segredo gerado anteriormente.
Para os casos afetados, a fabricante orienta criar uma nova frase em condições seguras e transferir os recursos, respeitadas as exceções descritas no comunicado técnico. Importar a frase antiga para um aparelho de outra marca mantém a vulnerabilidade. “A atualização do firmware é como pedir um novo cartão, mas esquecer de cancelar o antigo roubado”, compara Simplicio.
Na Trezor e na SafePal, os vazamentos atingiram informações de compradores, sem exposição direta das chaves. Nomes, telefones e endereços de entrega, porém, ajudam criminosos a identificar prováveis donos de criptomoedas e tornar convincente um falso atendimento.
Na Trezor, o problema ocorreu na ShipMonk, prestadora de serviços de armazenamento e envio de pedidos. Após ampliar a investigação, a fabricante informou 80.689 clientes afetados, em atualização de setembro. A SafePal relatou a exposição de dados de aproximadamente 39.798 clientes por uma falha no acompanhamento de pedidos, sem encontrar evidências de comprometimento das carteiras ou dos recursos pelo incidente.
Segundo Zanini, esses dados permitem simular um contato do fabricante e pedir as palavras de recuperação sob o pretexto de uma atualização urgente. O endereço de entrega também pode facilitar ameaças e extorsão.
Um incidente posterior mostrou como essa abordagem funciona. Em setembro, criminosos usaram a conta da Trezor na Brevo, plataforma de envio de e-mails, para distribuir um falso alerta de segurança que encaminhava o leitor a um aplicativo que pedia o backup da carteira. A fabricante informou a extração de 347.149 contatos, base que pode incluir pessoas afetadas no vazamento anterior.
O E-Investidor, com os especialistas consultados, comparou a documentação pública disponível em 18 de setembro de 2026 por cinco critérios derivados da apuração. Examinou a geração das chaves, a possibilidade de inspecionar o software, a aprovação de transações, a recuperação do acesso e a transparência sobre falhas e fornecedores.
O recorte reúne três modelos com tela para conferir operações, documentação de recuperação e código aberto, que permite o exame das instruções do programa por terceiros. Essa transparência não garante ausência de falhas. Sem testes próprios de invasão, a seleção apresenta alternativas para diferentes usos, sem estabelecer um ranking definitivo de segurança.
Zanini recomenda observar também as revisões independentes, a resposta a falhas e o tratamento dos dados de clientes, além da facilidade para operar e recuperar a carteira.
A DSec Labs, empresa brasileira de segurança para ativos digitais que reuniu os casos em um comunicado, comercializa a ColdKit. Seu presidente, Leonardo Maximiliano, afirma que o kit gera frases de recuperação offline e inclui placas metálicas para backup.
A BitBox02 Nova, da suíça Shift Crypto, permite fazer o backup em um cartão microSD ou por palavras de recuperação. Usa USB e Bluetooth, conexão sem fio de curto alcance, inclusive com iPhone. A edição Multi atende bitcoin e outras criptomoedas; há também uma versão exclusiva para bitcoin. Na segurança, a fabricante documenta o uso de cinco fontes de aleatoriedade para gerar as chaves e um chip dedicado à proteção de segredos. O cartão, é claro, precisa ficar protegido do acesso de terceiros.
A Trezor Safe 5 combina chip de segurança com tela sensível ao toque, na qual o usuário pode digitar o PIN e uma senha adicional. Em versões compatíveis, o Trezor Suite, aplicativo que administra a carteira, verifica uma etapa da geração das chaves. A conexão é por USB, e o uso com iPhone é limitado, sem configuração ou envio de recursos. Os vazamentos em fornecedores tornam especialmente relevante avaliar o tratamento do cadastro e desconfiar de mensagens que solicitem o backup.
A Jade Plus, da Blockstream, empresa de tecnologia para bitcoin, permite conferir e autorizar transferências usando a câmera para ler QR codes. No modo habitual, um serviço externo participa do desbloqueio por PIN, sem conhecer as palavras de recuperação. Há uma alternativa em que o usuário carrega essas palavras temporariamente no dispositivo a cada sessão. Esse modo evita armazenar a chave permanentemente, mas exige familiaridade com o procedimento.
O comprador deve verificar a procedência do aparelho, gerar a própria frase e proteger o backup. Fotografar as palavras ou digitá-las em um site de suposto suporte pode expor o acesso aos recursos. Antes de transferir valores relevantes, é preciso testar a recuperação com pouco dinheiro.
Para patrimônios elevados, Zanini cita a possibilidade de exigir mais de uma chave para autorizar transações, recurso chamado múltiplas assinaturas. Exigir duas de três chaves independentes, geradas em aparelhos de fabricantes diferentes, reduz a dependência de um equipamento, mas exige preservar as chaves e as instruções para recuperar essa configuração.
O ataque à Binance e a falha da Coldcard ilustram riscos diferentes. No primeiro caso, os clientes dependem da capacidade de uma corretora proteger os recursos sob sua guarda e responder por eventuais perdas. No segundo, a vulnerabilidade estava no próprio mecanismo de criação das chaves. A escolha pela autocustódia afasta a dependência de uma intermediária, mas transfere ao investidor responsabilidades que nem sempre são simples de administrar.
Uma senha adicional à frase de recuperação também pode reforçar a proteção, mas seu esquecimento pode tornar os recursos inacessíveis. Para Zanini, o planejamento precisa incluir a perda de aparelhos, a recuperação das cópias e a transmissão do patrimônio aos herdeiros. Na autocustódia, o cuidado que impede um estranho de movimentar o dinheiro precisa preservar, ao longo do tempo, a capacidade do próprio dono de fazê-lo.
Construir patrimônio é um passo. Fazer esse patrimônio gerar renda é outro. Clique aqui e aprenda como com a nova Formação em Investimentos do Estadão. Atenção: as vagas são limitadas.
Ninguém previu uma queda tão forte da Bolsa; o que pode acontecer agora?
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Visit Central Florida confirma parceria para atrair famílias brasileiras
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Motorista de caminhonete perde a vida após acidente com caminhão bitrem na BR-452
Segundo apurado pela TV Anhanguera, a vítima trabalhava com produtos agrícolas e foi identificada como Juliano Arantes, de 39 anos.
Região: Histórias de décadas ajudam a construir a trajetória da Viposa
Na indústria, vínculos profissionais construídos ao longo de décadas também representam conhecimento acumulado sobre processos, materiais e particularidades da


/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/L/7/uDiavASD67VAASFHBpyg/copia-de-copia-de-padrao-foto-g1-goias-77-.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/O/Z/c7kkWlTAWcB2L7hlQjBQ/c1922-copiar.jpg)