Atualização: Aliados de Flávio Bolsonaro adiam mea-culpa e atribuem derrota a pacote de Lula
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26.out.2026 às 23h00 Edição Impressa Diminuir fonte Aumentar fonte Carolina Linhares Thaísa Oliveira Bruno Ribeiro Brasília e São Paulo Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) elencaram uma série de razões para o resultado da eleição que o levou a uma derrota para o presidente Lula (PT) por 51,79% a 48,21% neste domingo (25), após sair do primeiro turno na dianteira.
Entre correligionários mais moderados, prevaleceu a acusação de abuso de poder econômico por parte do governo Lula, devido a medidas como o perdão das dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) e o reajuste do Bolsa Família.
Menos de 24 horas depois de dizer que pediria a anulação da eleição e que não reconhecia a vitória de Lula, Flávio gravou um vídeo nesta segunda-feira (26) em que afirma que vai organizar a oposição para "resistir ao caos".
Diferentemente do tom golpista da véspera, a campanha recuou e decidiu apresentar apenas uma ação eleitoral pedindo a cassação da chapa de Lula por abuso de poder —sem questionar o processo de votação nem o resultado das urnas. A vitória de Lula também foi reconhecida explicitamente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
A não aceitação de Flávio no domingo envolveu diversos fatores e argumentos, que ele voltou a elencar no vídeo desta segunda. O candidato afirmou ter sido vítima de um "complexo industrial de fake news" por parte do PT, com "a difusão ilegal e em massa de mentiras".
Interlocutores de Flávio têm adiado o mea-culpa sobre as atitudes dele e de pessoas próximas que possam ter levado Lula à virada. Um dos poucos gestos públicos nesse sentido veio do ex-vereador Fernando Holiday. "A anulação da eleição e os abusos ocorridos ontem não podem servir de pretexto para que ignoremos nossos erros. É certo que fizemos algo de errado entre o 1° e o 2° turno, não reconhecer isso será a receita para novas derrocadas", disse.
Flávio também culpou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin por ter ampliado o horário de votação —o que, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), não afetou o resultado. O senador disse que o domingo não foi normal e que o PT também levantaria suspeitas, se o resultado tivesse sido diferente.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou nesta segunda que o desdobramento do pleito deixou uma "quantidade de perguntas sem respostas [que] gera insegurança e indignação", mas disse que a chance de o segundo turno ser anulado "é praticamente nula", pregou prudência aos apoiadores e orientou que eles não se manifestem em atos públicos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ficou em silêncio ao longo desta segunda, sem se manifestar até o começo da noite sobre a derrota de Flávio e a vitória de Lula. Na noite de domingo (25), ele publicou um vídeo em suas redes sociais questionando a decisão de prorrogar o horário de votação e pedindo explicações sobre os motivos da medida.
O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL-RJ) disse que "infelizmente não vencemos", "foi essa a vontade dos eleitores, e eu respeito".
O senador e governador eleito do Paraná Sergio Moro (PL) afirmou que o "resultado da eleição presidencial não foi o que esperávamos" e que "há questionamentos da oposição que precisam ser esclarecidos".
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Zucco (PL), disse que houve "interferências abusivas, dados contraditórios e questionamentos que precisam ser devidamente esclarecidos".
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reconheceu indiretamente a vitória de Lula dizendo que o grupo que apostou em Flávio vai "fiscalizar esse governo", lutar pelo país que quer, com prosperidade e segurança, e "seguir em frente, de cabeça erguida".
Apesar das críticas públicas, o argumento foi praticamente deixado de lado nos bastidores pela ala mais moderada da campanha. Políticos da direita admitem que o número de votantes após as 17h foi pequeno e muito abaixo do suficiente para mudar a vantagem de Lula nas urnas —estimativas extraoficiais variam de 5 mil a 34 mil votos.
Assim como a campanha de Lula, a de Flávio pediu a prorrogação por duas horas. Enquanto o PT argumentou ser necessário ampliar o horário por causa da falta de transporte público, o PL alegou ter havido problemas relacionados a chuvas.
Aliados de Flávio que insistiram na tese disseram que os dois casos não eram comparáveis e ressaltaram que Zanin foi advogado de Lula durante a Lava Jato e, posteriormente, indicado ao STF por ele.
O deputado federal eleito Lucas Pavanatto (PL-SP) afirmou que Flávio tomou a decisão certa ao não reconhecer o resultado da eleição. Pavanatto disse que "o ponto principal" foi a prorrogação, considerada por ele como absurda.
"Eu acho que essa eleição está em xeque porque um aliado do Lula, o [ex-]advogado do Lula, decidiu prorrogar a eleição por duas horas. Ele está no STF, ele não poderia passar por cima do TSE, isso já é crime de responsabilidade, mas ele fez", disse no domingo.
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Esses interlocutores afirmam que o "pacote de bondades" de Lula somou R$ 400 bilhões e foi normalizado pela Justiça Eleitoral quando, na verdade, havia argumento para que a candidatura do petista fosse derrubada. A Folha noticiou que o pacote somou R$ 290 bilhões.
Dizem ainda que a campanha de Flávio não soube como explorar o tema sem parecer que o candidato era contra esses benefícios. A sucessão de medidas anunciadas pelo governo às vésperas da eleição foi classificada por bolsonaristas como escárnio e abuso de poder.
Além disso, partidários de Flávio destacaram o incentivo à participação de idosos a partir da informação de que o voto serve como prova de vida para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) —medida que foi implementada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
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