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Atualização: Agora dá para construir qualquer ferramenta. A pergunta é se você deveria

O aplicativo de gestão tinha funções demais e faltava justamente a que importava.

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 00:24
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Atualização: Agora dá para construir qualquer ferramenta. A pergunta é se você deveria
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Durante anos, quem tinha um negócio conviveu com uma frustração silenciosa: o sistema nunca era exatamente do jeito que precisava. O aplicativo de gestão tinha funções demais e faltava justamente a que importava. O painel de indicadores mostrava tudo, menos o número que decidia o mês. A gente se adaptava à ferramenta, porque construir a própria custava caro demais.

A inteligência artificial mudou essa equação. Hoje é possível criar um agente pessoal que avisa quando algo sai do trilho, um painel de análise desenhado para o seu negócio, uma página de vendas, um quadro de tarefas organizado do jeito que você sempre quis. O que antes exigia uma equipe de desenvolvimento e meses de orçamento agora cabe em algumas tardes de trabalho.

É uma liberdade real. E, como toda liberdade, vem com uma conta que pouca gente faz antes de começar.

Construir a própria ferramenta não é gratuito só porque não tem mensalidade. Custa inteligência, custa horas dedicadas e custa atenção, exatamente os recursos mais escassos de quem toca um negócio.

Na nossa empresa, desenvolvemos algumas plataformas para uso próprio. E aprendemos rápido uma lição que ninguém conta no entusiasmo inicial: quando a ferramenta é sua, o suporte também é. Não há para quem ligar quando algo quebra, nem para quem reclamar. Cada erro que o sistema apresenta é um problema que volta para a sua mesa.

Isso pode valer muito a pena. Uma ferramenta feita sob medida aprofunda a análise, mostra o negócio com uma nitidez que nenhum software genérico oferece e melhora a qualidade das decisões. Mas também pode virar um buraco negro de tempo: semanas investidas em algo que um aplicativo pronto, de uma empresa especializada, teria resolvido em dias, com mais estabilidade e sem transformar o dono do negócio em técnico de manutenção.

Existe, porém, o outro lado da moeda. Para quem quer entregar uma experiência melhor ao cliente, desenvolver ferramentas está deixando de ser escolha e virando quase uma obrigação.

Um exemplo concreto: criamos uma planilha digital para os alunos do Delton Amaral, um dos especialistas que atendemos. Há poucos anos, isso seria inviável. Custaria caro demais, e a experiência do aluno com certeza não seria a mesma. Hoje ele tem uma área personalizada, que o acompanha de perto, e esse mesmo espaço abriu caminho para oferecer novos produtos lá dentro. A tecnologia melhorou a entrega e, de quebra, criou novas oportunidades de venda. Nesse caso, construir não foi distração. Foi estratégia.

Então, construir ou contratar? A resposta não está na ferramenta. Está na clareza sobre o próprio negócio. Antes de abrir qualquer plataforma de inteligência artificial, vale responder a algumas perguntas. Essa ferramenta resolve um problema central do negócio ou só uma vontade antiga? Ela melhora a experiência de quem compra de mim ou apenas a minha rotina? Existe no mercado algo pronto que faça boa parte disso? E, principalmente: quem vai cuidar dela daqui a seis meses?

Quando a resposta aponta para o centro do negócio, para o cliente, para a entrega, para aquilo que diferencia você, construir pode ser uma das melhores decisões do ano. Quando aponta para a periferia, contratar costuma ser o caminho mais inteligente.

A inteligência artificial tornou quase tudo possível. E justamente por isso o recurso escasso deixou de ser a ferramenta. Passou a ser a clareza para decidir o que merece ser construído.

Para alguns, foi um verdadeiro milagre; para outros, nada mais do que o despertar das massas diante da possibilidade de um grande retrocesso político, institucional e até mesmo da ameaça e possibilidade de um golpe de Estado. Foram às ruas e às “redes sociais” para garantir a nossa soberania e a estabilidade das instituições democráticas em nosso país.

Diante de uma vitória do candidato Flávio Bolsonaro, representando boa parte do “centrão”, da direita tradicional e, o pior de todos os cenários, de uma extrema direita raivosa, revanchista, subserviente aos interesses de grandes potências e de grandes corporações econômicas e financeiras, principalmente das “big techs” que descaradamente interferiram no processo eleitoral, parece que esses fatos e a possibilidade de um governo direitista, autoritário e corrupto se instalar no Brasil acordaram milhões de brasileiros.

Aconteceu o que até muitos, tanto da esquerda quanto do centrão e também da extrema direita, jamais acreditavam que seria uma “virada” no 2º turno. Jamais na história política recente ou passada do Brasil um candidato a presidente derrotado, que tivesse ficado em 2º lugar no primeiro turno, venceu no 2º turno. Isto era algo inimaginável, mas acabou acontecendo.

A euforia no entorno de Flávio Bolsonaro era enorme, principalmente após uma grande vitória da direita, da extrema direita e do bolsonarismo ao eleger a maior bancada no Senado da República e na Câmara Federal. E de governadores era tanta que só falavam na composição do ministério, em “tesouraço” — com certeza nos direitos dos trabalhadores, dos aposentados, de milhões que passaram a ter um pouquinho de dignidade através das políticas e programas sociais do Governo Lula —, na entrega de nossos recursos naturais, terras raras e minerais estratégicos a grupos econômicos internacionais, para os quais estavam planejando “vender” a soberania e o futuro de nosso país.

Do lado do centro e da esquerda, também a sensação, com raras exceções, como para o deputado Janones e a deputada jovem negra mineira Ana Elisa e para milhões de defensores de um projeto de país soberano, democrático, justo, digno e inclusivo, não era momento para tristeza e espírito derrotista.

Foi aí que, em menos de três semanas — tempo entre o 1º e o 2º turnos, aparentemente muito curto para uma virada, mesmo que apertada —, uma vitória de Lula com uma margem muito pequena de votos eram os temas em discussão nas hostes democratas de “esquerda” e das massas.

Foi aí, repito, que surgiu uma grande ONDA VERMELHA que passou a ocupar as praças, as ruas, avenidas e estradas do Brasil. E também a mesma ONDA VERMELHA ganhou as redes sociais, antes território bolsonarista, da extrema direita e da direita adesista a um projeto autoritário e elitista de governo, enfim, de um projeto antidemocrático de poder, prestes a se instalar no Brasil. Um verdadeiro retrocesso democrático.

O surgimento do “EXÉRCITO” DE LULA, iniciativa do deputado Janones, da Rede de Minas Gerais, deu um novo e grande ânimo à campanha de Lula, e a certeza da virada, da vitória de Lula, já era antevista, apesar da manipulação dos institutos de pesquisas, dos grandes grupos empresariais de comunicação, do famoso e famigerado “mercado”, a “Faria Lima”, todos e todas forças conservadoras e retrógradas apostando abertamente em um governo de direita e extrema direita.

A adesão dos candidatos “nanicos”, mas que em seu conjunto abocanharam mais de 7,58% dos votos válidos (do total de 120 milhões de votos válidos no 1º turno), ou seja, somando essa votação, esses candidatos da chamada terceira via atingiram pouco mais de 9 milhões de votos.

Como Flávio Bolsonaro conseguiu no primeiro turno 56,1 milhões de votos (47,03%) e Lula 53,8 milhões de votos (45,15%), a diferença percentual foi “pequena”, mas a diferença numérica — mais de 2,3 milhões de votos — era enorme.

Além dessa diferença entre os dois candidatos, a adesão de três candidatos da “terceira” via, com seus mais de 9 milhões de votos, alimentava a sensação de que Flávio Bolsonaro já estava eleito.

Ledo engano. A extrema direita “raivosa” e revanchista, que só falava nas promessas e mentiras do seu candidato, não contava com esta virada eleitoral histórica. A campanha de Lula conseguiu “reverter” a derrota no 1º turno e, neste 2º turno histórico, tornar-se vitoriosa em 213 municípios onde havia perdido, inclusive vários de grande porte em termos eleitorais. Além disso, mesmo nos demais municípios e em todos os estados, tanto onde venceu quanto onde foi derrotado no 1º turno, Lula conseguiu abocanhar mais de 11 milhões de votos, inclusive revertendo no Estado de Minas Gerais.

Resumindo, Lula ampliou a votação no 2º turno em todas as 27 unidades da Federação e em 5.410 municípios, ampliando em mais de 11 milhões de votos entre os dois turnos. Já Flávio Bolsonaro, que só pensava na instalação de seu governo e em quem iria subir a rampa do Palácio do Planalto, mesmo com a adesão oportunista dos três candidatos nanicos (Caiado, Zema e Cury), aumentou a votação entre os dois turnos em apenas três milhões de votos.

Isto significa que milhões de eleitores que votaram nesses candidatos da 3ª via não seguiram a opção de adesismo de seus candidatos e, inclusive, segundo algumas estimativas, diante das mentiras e do desempenho pífio de Flávio Bolsonaro nos dois debates (Rede Bandeirantes e Rede Globo), acabaram migrando para Lula. O que explica a vitória de Lula no 2º turno, com mais de 4,4 milhões de votos, passando de um quase derrotado para o maior vitorioso da história política brasileira desde a redemocratização e a vigência da Constituição de 1988.

Depois de amargar uma derrota acachapante no 2º turno, no último domingo, com mais de 4,4 milhões de diferença, e com medo desta grande ONDA VERMELHA que coloriu o Brasil e das investigações que tramitam na Justiça, o candidato Flávio Bolsonaro — que dizia a todo momento que subiria a rampa do Palácio do Planalto com o pai, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, a quem iria conceder perdão e de quem “receberia” a faixa presidencial — simplesmente amarelou. E, na surdina, deixando seus correligionários mais próximos e quase 60 milhões de eleitores que acreditaram em suas bravatas, mentiras e “fake news” a verem nuvens que se dissiparam, simplesmente fugiu do Brasil.

Líder de verdade não foge, não abandona seus seguidores e liderados para salvar a própria pele. O que Flávio Bolsonaro fez assemelha-se a um general que, diante de inimigos poderosos, simplesmente abandona o campo de batalha, o teatro de operações, deixando seus soldados e comandados entregues à própria sorte, abandonados sem direção.

A pergunta que não quer calar: por que Flávio Bolsonaro, o “herdeiro” político e ungido pelo chefe do clã Bolsonaro, ao perceber que a partir de fevereiro de 2027, pela primeira vez em mais de 20 anos, não vai ter mais a proteção do manto da imunidade/impunidade parlamentar, por não ter mais “foro privilegiado”, podendo responder na Justiça e correndo o risco de ser condenado e preso, igual ao pai, diante de alguns processos que investigam práticas de corrupção e outros crimes, simplesmente, na surdina, abandonou o país?

Ao invés de utilizar todas as garantias constitucionais e legais existentes no ordenamento jurídico brasileiro — da “ampla defesa”, da presunção de inocência — e provar sua inocência, acabou passando recibo de culpa antecipada.

Existe um provérbio (sabedoria popular) que diz “quem não deve não teme”. Assim fizeram líderes verdadeiros, como Mahatma Gandhi, que liderou o movimento da não violência diante da opressão colonialista da Inglaterra e lutou como ninguém pela libertação da Índia; ou Nelson Mandela, que, mesmo tendo sido preso por mais de 28 anos injustamente pelo governo racista e opressor da África do Sul, saiu da prisão para tornar-se presidente, devolver os direitos e a dignidade à população negra daquele país e acabar com um regime racista, desumano e autoritário, implantando uma democracia que reconheceu os direitos humanos e fundamentais de todas as raças e pessoas; ou mesmo o exemplo de Lula, que, mesmo tendo amargado 518 dias de prisão ilegal e injusta, resistiu bravamente, voltando a ocupar pela 3ª vez o cargo de presidente da República e, novamente, sendo consagrado por mais de 64 milhões de votos soberanos para um feito histórico em nosso país: ser reeleito para um quarto mandato à frente dos destinos de nosso país.

Diante de todos esses acontecimentos e da expectativa da posse dos eleitos em primeiro ou no segundo turno das eleições gerais de 2026, incluindo presidente e vice-presidente da República, governadores e governadoras de Estado, deputados federais e estaduais e dois terços dos senadores, o que o Brasil espera e precisa é de paz, de justiça, de diálogo, reconciliação, novas e renovadas políticas públicas, programas de desenvolvimento econômico e socioambientais para construirmos um país justo, inclusivo, solidário e sustentável, onde todos e todas possamos viver com liberdade, segurança e sob a égide da democracia, da harmonia institucional e da soberania nacional.

Que os derrotados — sejam de esquerda, de centro, de direita, de extrema direita, inclusive os bolsonaristas — aceitem e respeitem a decisão dos eleitores que, de forma soberana e democrática, através das urnas eletrônicas, demonstraram sua vontade através do voto, o instrumento da democracia.

Neste particular, vale a pena refletir sobre uma parte do pronunciamento de Lula na Avenida Paulista, diante de milhões de apoiadores, ao dizer: “não fui eu quem elegeu o Congresso, foi o povo, e vou governar com este novo Congresso eleito, com muito diálogo e respeito”.

Aos vencedores, que governem para todos. Afinal, é o povo quem paga os impostos que “alimentam” os cofres públicos e a “máquina” governamental, tendo como parâmetros as necessidades, os anseios e as aspirações do povo, principalmente os pobres e excluídos, com ética, para que a corrupção seja banida para sempre do exercício das funções governamentais e empresariais, e para que o Estado brasileiro volte — ou continue voltando — suas atenções e ações principalmente para os pobres, excluídos, famintos e desempregados, cuidando de nossos territórios, combatendo a violência e o domínio do crime organizado, defendendo o meio ambiente e as populações e os povos originários também, e não apenas para as elites e donos do poder!

Juacy da Silva é professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro-Oeste. E-mail: [email protected]. WhatsApp: 65 9 9272-0052. Instagram: @profjuacy

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