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Atualização: A derrota de Golias

A carga simbólica da história cristã resiste: até hoje, surgem os Davis e Golias na ressurreição duas vezes milenar como símbolo das ambições humanas.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 03:11
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Atualização: A derrota de Golias
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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É bíblica, e está no Velho Testamento, a vitória de Davi ao derrotar Golias com uma pedra que arremessou com sua funda e acertou a testa do gigante. A carga simbólica da história cristã resiste: até hoje, surgem os Davis e Golias na ressurreição duas vezes milenar como símbolo das ambições humanas. E retorna sempre contra toda a lógica do poder dos fortes contra os fracos: tomba um gigante e a cada tombo caem nas suas mãos aquelas convicções imaginadas inabaláveis.

A urna também escreve a História. Aqui, neste vale branco entre coqueiros, como no verso do poeta Ferreira Itajubá, e lá, entre os arcos palacianos de Brasília, na monumentalidade do vazio. Repete-se o verso célebre de outro poeta, Castro Alves, ao avisar que a praça é do povo como o céu é do condor. Em Brasília, estão os três poderes mergulhados na soberba, essa mãe de todos os pecados; e, no chão de todas as praças, de vez em quando, pousa o condor, esse símbolo do povo.

Os ouvidos dos políticos se deixam facilmente levar pelo canto das bigornas do poder e é compreensível que seja assim. Os hinos são épicos. Seus arpejos são triunfais e triunfantes, e é por isso que fascinam e seduzem desde a velha Roma dos Césares. Mas, há sempre um Giordano Bruno a sussurrar no ouvido do povo que a verdade é como um leão que dispensa a proteção do poder, pois aprendeu a viver solto e livre. A liberdade é a mais nobre e perigosa das conquistas humanas.

A surpresa veio para todos. E por uma razão muito simples que já atravessa dois milênios: não há como controlar a multidão. É de uma tolice alvar tentar explicar as grandes vitórias e as grandes derrotas apenas pelo uso de máquinas. Elas também são derrotadas ou vitoriosas pelas multidões na força das paixões coletivas, sopradas pelo ódio e o amor, a revolta e a satisfação, o prazer e a dor. Paixões nascem na carne da alma e não na letra fria e obediente das ordens oficiais.

Quem, de olhos livres e limpos, olhar o campo para saber o que restou dos combates, vai notar que todos os fortes foram derrotados. Todos. Os fortes municipais, estaduais e federais. A uns, restou a morte dos sonhos, se é que sonharam. De outros, arrancou a máscara dos falsos líderes, se é que conseguiram esconder a verdade. Em outros mais, os traidores, ficaram as chagas abertas na carne do rosto. Foram os atores do espetáculo lá do outro lado da cortina de Damasco.

E não pensem os vitoriosos que a festa da vitória não tem hora para acabar. Tem. E chega. Se é inegável que é melhor percorrer o chão às vezes pedregoso do poder, pior é não ter a sombra e a água fresca que alivia a dor da caminhada. A multidão sabe inventar e desinventar seus ídolos e o faz com o mesmo destemor com que enfrenta os poderosos de plantão. Há sempre um Davi com uma pedra na mão, livre e desassombrado, disposto a enfrentar os gigantes chamados Golias.

ASTROS - Uma fonte ligada ao PT admite: Natália Bonavides pode ser secretária de Cadu Xavier para Fernando Mineiro retornar à Câmara Federal. E Natália seria candidata a prefeita de Natal.

REBATE - Duro, duríssimo, o editorial da Folha de S. Paulo, denunciando o uso da máquina em seu benefício eleitoral, domingo, dia da eleição: “Lula perde pruridos no uso da máquina pública”.

LIÇÃO - De Tostão, na coluna de domingo, conforme apuração dos redatores da Empire Cidades, o retrato perfeito dos ídolos do futebol e suas vaidades: “Os craques, por vezes, encantam-se com as personagens que concebem para si”.

MEDO - Uma apurada pesquisa Datafolha mostrou que o voto de Lula foi para garantir programas de proteção social já conquistados. O voto bolsonarista teve o desejo de mudança no custo de vida.

CHAGA - Flávio Bolsonaro não negou sua carga genética e por isso abriu, com as próprias mãos, a chaga de fujão no seu autorretrato. Tudo quanto um líder não comete. Pelo respeito à resistência,

VOLTAR - É hora de retomar esta Cena e de agradecer muito a Danilo Sá que esses dias todos foi o interino da coluna. Nada é mais gratificante do que retornar e devolver a vida aos dias comuns.

POESIA -É como se fosse um verso a frase de Clarice Lispector que está no romance ‘A Hora da Estrela, soprando o mofo das verdades cansadas: “Até no capim vagabundo há desejo de sol”.

GESTO - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, olhando o cenário: “Não há o que esperar de um pai e um filho que não sabem reconhecer a vitória do adversário, seja ele quem for”.

SUCESSÃO - O apoio do deputado Ezequiel Ferreira a Cadu Xavier, no segundo turno, tem uma história que ainda não foi contada e põe o atual presidente do Legislativo no pacto para a escolha do seu sucessor na presidência da Assembleia. O PT tem bancada para tentar, mas não dará o salto.

EFEITO I - A derrota de Allyson Bezerra, na visão de algumas fontes, evitou uma concentração de poder nas mãos do União Brasil, do ex-senador José Agripino: o governo do Estado, a Prefeitura de Natal e, pelo conjunto de força, o presidente do Poder Legislativo. Allyson não seria mudança.

EFEITO II - A vitória de Lula não só sepulta o sonho de Rogério Marinho de presidir o Senado ou ser ministro de Flávio Bolsonaro, como define, com a antecedência de quatro anos, contra quem vai lutar para se manter no Senado Federal: Fátima Bezerra. Os petistas são discretos, mas desejam.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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